15/07/2007

...buenos dias!

Raphanus raphanistrum

http://www.youtube.com/watch?v=DiayEZWsORc


"Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal". "Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar"

...sim e depois!!!será que Andorra também devia ser anexada por Espanha, o Princípado do Mónaco pela França, o Luxemburgo pela Alemanha!? A Formosa pela China!?...recebeste o Nobel pelas obras que crias e não pelas ideias políticas ou preversidades históricas que semeias nos teus sonhos!

Será que este Saramago é o mesmo que escreveu a Jangada de Pedra!? Estará ele cego como todos aqueles que nos deslumbrou no Ensaio sobre a Cegueira?!...quiças!!

08/07/2007

...arrepio



..amor é um lugar estranho.
Um arrepio quando pisamos o mármore róseo, de um castelo de fantasias,
Um olhar por entre o mar que passa no horizonte que acontece,
num tempo de pensamentos vagos.
É uma janela que se abre onde outra se fechou, uma porta que nos transporta,
para outra melodia que nos persegue.
Um sorriso de agradecimento, uma mão que se estende
quando caímos na solidão do nosso olhar.
É um espelho, que nos esconde os sentimentos,
por detrás das brumas de um longo sono.
Um lugar estranho, sem dúvida!
...mas é por aí que queremos ir.

...cartas de Eastwood

« a obra-prima que se desejava que "As Bandeiras dos Nossos Pais" fosse e não foi!».
Foram estas palavras que despertaram a curiosidade de ver este fim-de-semana Letters from Iwo Jima do Clint Eastwood. Não posso esconder que esperava que fosse uma espécie de lado B de um single de sucesso, mas depressa fiquei rendido à beleza cénica e ao tempo linear na grande linhagem de outros filmes como the Longest Day, Patton, Tora!Tora!Tora ou o mais recente Saving Private Ryan.

Quando o filme terminou só pude sorrir por entre uma lágrima pelo destino de Saigo (Kazunari Ninomyia), enquanto me deliciava com a deslumbrante banda sonora que, como sempre, Eastwood dedica especial atenção, desta vez composta e interpretada pelo seu filho, Kile Eastwood, reconhecido músico de jazz em colaboração com o Michael Stevens. Inclui ainda algumas peças de música tradicional japonesa. .. Por fim, apenas uma palavra para magnífica interpretação de Ken Watanabe (Gen. Tadamichi Guribayashi)!

...aos idiotas!


“Não roubarás”
(Êxodo 20, 15)
...é o que posso dizer aos idiotas que tentaram assaltar a loja do meu pai esta madrugada, e que face à incompetência demonstrada no acto, apenas limitaram-se a partir uns vidros e umas garrafas de azeite na fuga!...oxalá que sejam atropelados por um camião cisterna da CML cheio de efluentes de esgotos urbanos ou que lhes caia um piano de cauda Steinway & Sons de um 7.º andar, enquanto passam!...

03/07/2007

Hades cá vir! Hades!...




O Rapto de Proserpina (Perséfone) por Rubens

..a Exma Srª. Directora da DREN por este andar, está a candidatar-se a arrebatar o galardão de funcionária pública do ano, tamanha é a sua abnegação à causa. Como se não bastassem o caso já batidos e debatidos, surge agora um novel caso, passado num escola em Braga.



Resta saber se não é apenas, mais um!!



Eu já não tenho o hábito de ir comer aos restaurantes da cadeia MacDonald's porque a comida é totalmente desíquilíbrada e achar que a colocação do quadro com o empregado do mês é algo que só serve para atirar areia para os olhos, mas qualquer dia, ao lado da posse oficial do Presidente da Répública e do PM nas repartições públicas, poderemos ser presenteados com insígnie comissária política em igual posse de estado no seu gabinete pressecutório.



Decididamente tenho que ir ao templo de Hades sacrificar umas cabrasem sua honra...louvemos pois o seu profissionalismo, e a sua preocupação com os cofres da segurança social. Uma palavra de conforto também deve ser dada à junta médica da DREN que acompanhou o falecido e que amparou durante os 36 meses em que lhe possibilitaram estar de baixa...não foi mais porque a lei oblige!!!!!















02/07/2007

...telenovela mexicana!

...como se não bastassem as sondagens correrem de feição para o governo em função, aos poucos e poucos , surgem as primeiras evidências de um certo regresso ao passado, um triste sensação de dejá-vu. Refiro-me concretamente, aos episódios pidescos na área da saúde, os quais têm tido uma extensa repercurssão nos media.
Uma análise crú poderia indicar que aqui e ali, surgem epifenómenos ao melhor estilo Pide versão séc. XXI, contudo colocando de parte as inevitáveis querelas partidárias que muitas vezes os originam, trata-se casos em que "responsáveis políticos" ultrapassam a linha que define o normal funcionário do responsável administrativo pela "implementação das políticas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde. Todos os casos que recentemente têm vindo a público, incluíndo a fotonovela Charrua, derivam de delito de opinião, é certo.

Contudo a obrigação de prosseguir as orientações superiores e assegurar o funcionamento das instituições dentro dos cânones ditos "normais", não se compadece com a liberdade de opinar a torto e a direito e ultrapassar as obrigações igualmente "normais".

No entanto, não restam dúvidas que os verdadeiros tiques ditatoriais que surgem encaputados em vulgares exonerações e saneamentos, não podem deixar de constituir uma evidência clara e inequívoca do repressão e medo, que aos poucos se apudera da administração central, e que, provavelmente atingirá o seu explendor máximo iniciativa privada. Serenamente, esperamos a próxima revolução laboral mal importada da Dinamarca- a denominada flexisegurança!


É vulgar associar o medo e a incapacidade de governar aos regimes ditatioriais. É a aplicação da máxima milenar Divide et regna. Um governo que prometeu restaurar a confiança e que apostava no diálogo e na capacitação, o célebre governo do Choque Tecnológico, começa a desmoronar-se numa séria de pequenos curtos-circuitos de desinteligência...será este o princípio do fim ou um sinal de outros tempos que vêm aí?!...o futuro o dirá, até lá resta-me esperar que de entre o elenco governativo por entre incêndios e rescaldos mal amanhados surja alguma sensatez e alguma tolerência, pois os episódios desta telenovela mexicana começam a cheirar mal!!....

26/06/2007

...casa dos horrores

...para os mais distraídos está aí a eleição das 7 Maravilhas do Mundo e das 7 Maravilhas de Portugal. Em simultâneo e sem desprimor, o jornal Público lançou igualmente os não menos importantes 7 Horres de Portugal.
Por favor votem, pois, da mesma maneira que votam nos incompetentes responsáveis pelo arrepiante ordenamento do nosso território e pelas medíocres políticas de urbanismo, podem agora aproveitar esta excelente oportunidade para lhes premiar o mau gosto, e a falta de oportunidade para guardarem os respectivos projectos num determinado sítio que não interessa agora referir...


24/06/2007

...cinema paraíso

...prometi a mim mesmo que este fim-de-semana ia fazer como a tipa das Caldas...não fazer mais a ponto do car****!! E assim foi, como é óbvio não deixei de fazer a minha tradicional romaria ao Guincho. Então vamos lá tratar da crítica cinéfila:
...e o tema é o mais recente biopic acerca de Beethoven, mais concretamente ao Copying Beethoven da realizadora polaca Agnieszka Holland. Foi com alguma curiosidade que encetei o visionamento do filme pois esperava uma obra magistral ao nível de um Amadeus do Milos Forman...mas depressa veio uma pequena decepção. Talvez o único momento digno de nota seja a recriação abreviada da Nona Sinfonia em palco, com Beethoven (Ed Harris) surdo, de batuta a imitar os gestos de uma Anna Holtz (Diane Kruger) escondida entre os músicos e a ser a verdadeira maestra. A cena foi filmada em três dias e contou com mais de seiscentas posições de câmara, mas é a música que realmente fala mais alto. São dez minutos de autêntico êxtase, assistir aos músicos e ao Coral como se estivéssemos em 1827, na primeira vez em que a sinfonia foi tocada...tudo o resto são retalhos sem nexo, e personagens despídas de qualquer interesse, num enredo dramático que não cativa. Melhor, bastante melhor foi a versão de 1994 do realizador Bernard Rose, com uma notável interpretação do Gary Oldman (Beethoven) cujo título era Beloved Immortal...para a semana há mais!!



...seja como for, sempre foi melhor do que o entediante visionamento (em modo acelarado!!) do Babel, esse sim uma perfeita desilução.

14/06/2007

...cada dia


"Cada dia te é dado de uma só vez.
(...)
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa."

.
Sofia de Mello Breyner

13/06/2007

...verdes anos!


Porque não vens agora, que te quero
E adias esta urgência?
Prometes-me o futuro e eu desespero
O futuro é o disfarce da impotência....
Hoje, aqui, já, neste momento,
Ou nunca mais.
A sombra do alento é o desalento
O desejo o limite dos mortais.

Miguel Torga




Fotografia: Paulo Almeida

05/06/2007

..."jamais" e os Velhos do Restelo

...em primeiro lugar acho que é mais correcto afirmar margem esquerda jamais! (coloco em itálico para se entender que se trata de uma vil utilização da língua francesa!).
Pois bem, eu até tinha feito um diz que é uma espécie de voto de castidade em relação à polémica da Ota, aliás, no meu intímo pecado, a Ota já começou a ser desconstruída!! mas depois do brilhante Prós e Contras de ontem não resisti à tentação da carne.
Agora pelos visto estão na moda os estudos...e não faltam por aí, sejam eles co-financiados pelo errário público, ou pelo Sr. Van Zeller com a chancela da CIP. Também existem os famosos relatórios deste e daquele sábio, sobredotado ou iluminado, seja ele eminência parda no assunto ou guru no assunto B. Independentemente disso, continuo com uma pequenina dúvida e que mais uma vez foi requentada ontem quer pelo ex-ministro E. Catroga e pelo seu ex-congénere A. Mateus. Porque é o actual governo e o suposto governo semestral do S. Lopes decidiram avançar para uma obra sem estarem concluídos todos os estudos. Onde está a a opção zero, porque é que a Ota não tem comparação com outra localização provável. Onde está o EIA* do Novo Aeroporto de Lisboa, poque é que os estudos da NAV chumbam sistematicamente o Aeroporto. Porque é que o deputado M. Mendes ignora a triste herança dos governos do Exmo. Sr. Presidente da Comichão Europeia e do Sr. deputado que se senta no terceiro da anel do hemicíclo de S. Bento. Porque é que o candidato A. Costa teve o desplante de ignorar a questão da OTA com o argumento falacioso que é uma questão transversal ao que se passa em Lisboa (afinal estamos a falar do NAL, que presunto se designar Novo Aeroporto de Lisboa?! ou não será assim!?) O que é que conta mais, uma zona húmida por excelência que em Portugal representam apenas 1% do território , ou 750 ha de montado de sobreiro (que ocupam 8,5% da área do território) em terreno seco?! Porque é que ninguém refere a Convenção de Ramsar?! Se o governo pretende construir o NAL na OTA então como raio é que a mesma zona está classificado no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa como "Área para a Conservação da Natureza"!? Por que é que os pilotos ainda não foram ouvidos!? O que vai acontecer à gestão dos restantes aeroportos da responsabilidade da ANA!? fecham por não serem lucrativos, de acordo com o modelo de gestão privado que se preconiza!? Qual o papel do novo aeroporto de Beja, face à centralidade da OTA, ou outra alternativa se é que um diz vai ver a luz?! Quem vai trabalhar para a OTA!? são so locais sabendo-se que mais de 13% da população é agrícola e que não existe massa populacional no serviços!? O que vai suceder aos milhares de trabalhadores que residem em Lisboa e arredores e respectivas famílias. Compram uma casa de campo à portas do novo aeroporto com vista para o rio Alenquer!? e depois o que se vai fazer nos terrenos da Portela, uma nova Alta de Lisboa, a ligação com a zona da antiga Expo 98!? Porque não um segundo pulmão verde!? Enfim não fosse o facto de estar cansado da polémica e de continuar com sérias reservas relativamente ao facto de no país não existir mais nenhuma área para o aeroporto, só posso checar a uma conclusão...construam-no mas não nos atirem areia para os olhos!! ah! e já agora, o que dizem os investidores acrca da hipótes e de podem comprar a ANA eganhar a construção e concessão do NAL a um preço bastante mais reduzido do que OTA!? Espero sinceramente que a OTA seja construída e que não existam sérios entraves do ponto vista ambiental e funcional senão o país entra em crise pois está provado por meia duzía de inteligentes que a OTA é a única opção! Oxalá não se enganem!!...

29/05/2007

...ao que chegamos!!


"O Supremo Tribunal de Justiça reduziu em dois anos e meio a pena de prisão de um homem que tinha sido condenado por abuso sexual de menores. O acórdão, que reduziu a pena de sete anos e cinco meses para cinco anos, critica também o tribunal de primeira instância por valorizar em demasia os crimes sexuais."


...ela há dias e dias, mas o dia de hoje não deixou de ser interessante. Não fosse o facto de ter sido contemplado com um chorudo e significativo aumento de desconsideração, não fosse o facto de os apóstulos candidatos à Câmara de Lisboa (chamo-lhes assim, porque são 12 e todos eles prometem autênticos milagres!) andarem a brincar com a inteligência de quem já viu a fita mais do que uma vez (é caso para dizer muda-se o balde mas o conteúdo, e as moscas, é o mesmo!!) e para terminar o facto de na última prova de aferição os erros de ortografia foram simplesmente ignorados. Realmente não é necessário esperar pelos serões de domingo para poder sorrir, basta, olhar as páginas dos jornais!! Já não é imprescindível visionar um programa de stand-up comedy, ela entra-nos diariamente, está por todo o lado...


Relativamente à notícia principal, fico com a sensação que afinal de contas o crime sexual é gradativo à luz do senhores juízes. A violação de uma senhora ou de uma jovem maior de idade não é grave. No caso concreto uma criança de 13 anos...não é tão marcante e penoso, por isso, é pá!! tenham lá pena do violador!! baixem-lhe a pena!!
Eu não sou nenhum entendido na refinada arte da jurisprudência, mas este caso ainda vai dar que falar, e muito provavelmente vai ser escrupolosamente aproveitado por alguns advogados cujos cliente sejam supostos violadores. É caso para dizer...borlas destas não há todos os dias!!



PS:...o curioso é que, depois de tanto relevo e tanta mediatização, o caso Casa Pia nunca mais foi falado nos media, porque será!?...

28/05/2007

...deserto de ideias


"Oh that the desert

were my dwelling place,

With only one fair spirit for my minster.

That I might forget the human race,

And hating no one, love her only."


Lord Byron

27/05/2007

...o palhaço vai triste!


...com tamanha concorrência não admira!! Como se não bastasse o fabuloso Ministro da Economia do nosso desgoverno, as aventuras e desventuras da Exma. Sra Directora da DREN (hum! talvez seja melhor ficar por aqui , senão acbo como o Charrua!!)...agora temos mais um hilariante episódio do Sr. Ministro M. Lino. Depois da teoria do Oásis do já saudoso Braga de Macedo, eis que não, surge o segundo episódio destra triologia bárbara- A teoria do Deserto na Margem Sul. Como se não bastasse ofender todos os habitantes, animais e vegetais da margem esquerda do rio Tejo, também teve a escabrosa infelicidade de gozar com todos os doentes com câncro nos pulmões, como se tal fosse motivo válido para co-argumentar a sua estúpida metáfora. Bem , esta semana foi ainda mais desesperante para o palhaço, pois, como se não bastassem os avanços, recuos e desencontros entre Ministros e Secretários de Estado, o próprio Primeiro Irresponsável do Circo remeteu-se ao mais infame dios silêncios. Podemos ter o menor crescimento económico das últimas décadas, a maior taxa de desemprego nos últimos 21 anos, mas parece que nas sondagens, os saltimbancos lideram. É caso para perguntar, porque razão o palhaço vai triste!?

15/05/2007

palavras

Meu Rosto

Logo pela manhã
dizem-me carrancuda a expressão
da minha face.

Escarninho não respondo.
Para quê as palavras
ante a evidência das rugas?

A esferográfica escreve
o que sinto
e explícita a face hostil
reduz a mim mesmo
a tristeza do que nos sucede.
Depois...
é só passar à máquina.

José Craveirinha

12/05/2007

mar de esperança



...enquanto há vida, há esperança,!


...e se um simples laço amarelo é sinónimo de esperança, então porque não um mar de amarelo vestido para reforçar ainda mais a vontade de rever a pequena Maddie, a Joana, o Pedro e todos os milhares de crianças que todos os anos desaparecem sem deixar rasto...o mais importante é não deixá-los cair no vazio do esquecimento.

11/05/2007

...pequena Maddie


...enquanto aqui ao meu lado entoam os primeiros acordes do Tannhäuser de Wagner, não posso deixar passar uma palavra de solidariedade e carinho por todos aqueles que sofrem com o desaparecimento da pequena Maddie McCann.

...e um agradecimento pelo sentido de ética e profissionalismo que as forças de autoridade portuguesas estão a ter, apesar dos ataques despropositados da comunicação social, nomeadamente a inglesa.

Como se não bastasse, ser "hábito saudável e inequívoco sinal de modernidade" deixar as crianças em casa sozinhas para não atrapalhar dois dedos de conversa no restaurante, só faltava o simples pormenor de só agora, depois de despolotada a tragédia, as autoridades inglesas terem tido a amablidade de informar as nossas autoridades que, por acaso no Algarve... vivem cerca de 150 pedófilos ingleses!!não é por serem ingleses, mas 150 logo de uma vez!!

...bem mais vale tarde do que nunca! mas não deixa de ser um triste sinal de hipocrisia critícar a actuação dos nossos agentes, quando se tem telhados e paredes de vidro.



Pede-se a quem souber de alguma informação para entrar em contacto com:


Departamento de Investigação Criminal de Portimão da Polícia Judiciária
Rua Pé da Cruz, 2,

8500-640 Portimão

Telefone: 282 405 400

Piquete: 282 427 671

Fax: 282 412 763







07/05/2007

é proibido proibir!

...aos poucos e poucos um programa que se julgava pluralista, conduzido por uma jornalista que se pensava ser independente começa a divergir contra a maré dos acontecimentos e contra os ventos de mudança. Como se não bastasse a escolha dos "actores" políticos ficar um pouco nos antípodos da renovação que se pretende para a nossa desprestigiada classe política (só faltava colocar lá quiça o Prof . Hermano Saraiva ou o Otelo!!), já o simples facto de se ter colocado o PCP fora do debate merece sem dúvida o mais gritante repúdio pelo atropelo à liberdade de expressão. Numa altura em que o PC se constitui a terceira força política na Madeira, numa altura em que as liberdades individuais e colectivas dos cidadãos se vê confrontada com a concentração excessiva numa só pessoa, numa altura em que a mesma é consequtivamente alvo do anedotário popular e de comentários dos próprios membros do governo (vide última intervenção humorística do sr. Eng.º Mário Lino), numa altura em que os fantasmas do passado parecem renascer das cinzas e virar moda (basta ver a quantidade de livros sob a figura do Presidente do Conselho que existem por exemplo na FNAC ou até livros da instrucção primária de outros tempos na secção infantil!!!), não me parece lógico calar a voz daqueles que sempre se bateram pela liberdade e pela democracia. Julgo eu que são dois pilares importantes quer para a esquerda quer para a direita. Se isto é serviço público, então o Pina Moura é que tem razão!

Disse.


01/05/2007

...uma tarde na praia


E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves de cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.


Sophia de Mello Breyner Anderson

30/04/2007

por todos eles!!

O primeiro de Maio tem sua origem enraizada na AIT (Associação Internacional dos Trabalhadores). Os trabalhadores ligados a AIT, tinham a proposta de declarar um dia de luta pela jornada de oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago no ano de 1886, que deram o verdadeiro significado ao primeiro de Maio.
No século XIX as condições de trabalho eram desumanas, o horário de trabalho era impiedoso, mulheres grávidas e crianças eram obrigadas a trabalhar. Começaram a surgir as associações de trabalhadores, sindicatos autónomos de índole socialista a exigir melhores condições de trabalho e a jornada laboral de 8 horas.

No dia 1 de Maio de 1886 milhares de trabalhadores em Chicago e noutras cidades dos EUA sairam às ruas, clamando e manifestando a sua revolta pela opressão sentida. No dia 4 de Maio, nova manifestação, e o rebentamento de uma bomba é utilizada como pretexto para uma violenta carga policial contra os trabalhadores - 100 pessoas jazem mortas no chão e dezenas de trabalhadores e anarquistas são detidos.

De entre os operários presos surgem os nomes de August Spies, topógrafo de 32 anos, Adolf Fischer topógrafo de 31 anos, George Engel topógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb. São julgados e condenados.
Um dos oradores do comício operário que não tinha sido preso, apresenta-se voluntariamente na polícia e decalara:

"Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou".

Quatro dos trabalhadores são enforcados mortos, os restantes executados no dia 11 de Novembro de 1887. Augusto Spies declara, antes de morrer:

"Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulam hoje".

Assim nasceu o 1º de Maio...hoje a realidade é diferente, mas os desafios que se colocam à causa de todos aqueles que trabalham diariamente e que lutam por uma vida melhor para si e para os seus, pode não ser tão desumana e cruel, mas não deixa de colocar em perigo a independência de cada um de nós e a auto-estima. Os fantasmas do passado recente são agora a corrupção, o capitalismo desenfreado, a globalização cega, a exploração de mão-de-obra escrava e de crianças. Continua a fazer sentido lutar por ideiais mas com sentido de responsabilidade.

Bom dia 1 de Maio!

25/04/2007

...foi à 33 anos

"Era uma vez um país cinzento onde nada acontecia... Ou melhor, as coisas e as pessoas aconteciam e nasciam, mas logo que acabavam de acontecer e de nascer, a cor era-lhes retirada, tudo passava a ser cinzento como nos noticiários da televisão da época. Até que um dia..."



«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderia conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária.»

24/04/2007

...vieste em flor

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor

E depois de nós
O adeus

O ficarmos sós







23/04/2007

..one man show

...eu bem tento mas por vezes foge-me a boca e opensamento para a política! Neste fim de semana, mais importante do que jantar de apoio ao nosso ao nosso PM,mais cativante do que as eleições em França (Ségolène Royal President!!) mais importante do que o internamento do rei Eusébio, fora sem dúvida alguma as directas no CDS- uma espécie de diz que é uma espécie de golpe de estado à la Tortas. Orquestrado pelo Dr. Paulo Tortas - aclamado "indigente" pelo ainda e e futuro ex-presidente Ribeiro e Lastro - trata-se de mais um golpe da mais fina e suculenta intriga política, na mesma linha de outros produtos já exibidos para consumo público, como as tormentosas noites de sexta-feira na época áurea do falecido Indy, ou da chegada trinfal do manhoso tribuno Paulo Tortas ao Congresso em que destronou o inexperiente e futuro ex-promessa da política portuguesa Manel Monteiro!
Como diria um ilustre limiano, é o regresso dos reality shows! Eu diria mias, é o regresso das páginas coloridas, das noites deslumbrantes e luminosas, das tias esquecidas das revistas de cordel (sim porque hoje em dia os holofotes estão virados para as personagens das novelas rascas e concursos idiotas!!). É o regresso das intermináveis festas de verão algarvias, do glamour do estrelato e do gourmet, do prestige, sei lá mais o quê!!

Pena é que que o actor tenha agora que desempenhar um monólogo entediante para nos entreter pois o seu compagnon de route, o também ex- PM Santana Flopes, ainda não encontrou a porta de saída do deserto!

Seja como for, temos homem...e como se diz lá para as bandas da terra do Tio Sam... the show must go on!!

22/04/2007

...voltar atrás!

...não resisti à tentação de circular por entre aquelas ruas estreitas e sentir o cheiro do óleo queimado e o som metálico dos eléctricos. Em tempos era um Calvário, hoje não passa de praça de recordações. As pessoas, engarrafavam-se em filas, frénitas donas de casa comoo s seus sacos cheios de afazeres. O som do carros a circularem lá em cima na Ponte, o cheiro das velhas lojas de ferragens e da farmácia da esquina...mais à frente depois de apanhar o 742, rumei
às Amoreiras, pelo Casal Ventoso acima. São menos os seres amorfos e demi-vivos que por lá circulam nestes dias, quiçá noutras paragens. São estranhos, tem o olhar vazio, o rosto massacrado por sinais de vicío e silenciosos, quando entram, como se vergonha tivessem, ou como se fossemos nós os excluidos e esquecidos pela sociedade. Ainda era cedo quando me vi junto ao "prédios dos espelhos", o ícone da arquitectura dos anos 80. É curioso voltar a remexer no baú do sotão das lembranças, e voltar as ler os comentários exarcebados acerca do monstro que ali tinha sido construido. Talvez tenham razão! Hoje em dia aquilo não se parece com nada!...depois do trabalho decidi recura ainda mais no tempo, e voltei a viver a magia de ver um Filme...sim com maíuscula, porque de facto está soberbamente bem produzido pela Walt Disney. Para ser sincero não estava convencido quando paguei 1,5 euros para ver um filme em 3D, mas de facto fiquei absolutamente satisfeito com a qualidade e sobretudo com a história!! É sempre bom voltar atrás e poder sonhar!

19/04/2007

revolução precisa-se!!

...e agora!? o novo aeroporto está á deriva num pântano de desencontros, a vida académica no supremo líder da não está encerrada num cofre de silêncio. Dos escândalos na Capital nem vale a pena falar pois já não movem ardinas nem merecem pregões nos mercados e praças. Uma querela num partido desmembrado não dá para aquecer as hostes, e na magna Assembleia são mais as vozes do ridículo do que as ideias da razão.
Do que se fala no Portugal profundo...quem conspira por entre murmúrios que se perdem por entre um copo de bagaço e um cigarro mal acabado!? para quando o acto vil tenebroso, para quando um escândalo para nos acordar deste sonanbolismo torturante!? Para quando a queda do anjo, para quando a emboscada ao tribuno!? ...que manchetes estão a ser trabalhadas, quantas palavras são necessárias para nos libertar...

15/04/2007

...aos meus ilustres vizinhos!





“Para lá dos Pirinéus existe um povo que não se governa,

nem se deixa governar”


General romano, acerca dos Lusitanos



Nota: dedico este post às almas que habitam neste prédio...e cuja história perfiro não contar!!

12/04/2007

engenho & arte


...vá-se lá saber por que diabo, andou um certo e determinado país a falar sobre a suposta ou segura licenciatura do nosso PM. Como diria Ary dos Santos "contar todas as papoilas de um trigal é a mais linda conta que se pode fazer.Dizer apenas música, quando se ouve um pássaro, pode ser a mais bela redacção do mundo...Estudar é muitomas pensar é tudo!" . Não me interessa se o PM tem curso, se faltou, se estudou ou se foi o primus inter pares, interessa-me sim que governe - de preferência bem!O que nem sempre tem sucedido malgrado as sondagens não transparecerem.
Como diria a nossa querida e saudosa Odete Santos, seria bom que todas as palavras que saiem no Diário da Républica, tivessem asas e voassem. Talvez andássemos tão contentes como os pássaros que a Primavera nos trouxe.
Mais importante do que andar a discutir o sexo dos anjos, ou no caso concreto o cadastro criminal do anjo, seria olhar para os problemas reais que afectam o país, os temas fracturantes que continuam a dividir a sociedade. O país não está bem. Sente-se nos rostos das pessoas, percebe-se no desespero de todos aqueles que preenchem os números das estatísticas do desemprego. Não existe neste momento uma vaga de fundo, um lei motiv que nos enche de esperança no futuro próximo.
Talvez não fosse má ideia o PM ter estancado desde logo as suspeitas e rumores que já circulavam, e não deixa de ser curioso que ainda existem líderes!? da oposição que insistam em "bater no ceguinho".

Como se diz lá na terra, a "os cães ladram e a caravana passa"!

Ao PM e à equipa que lidera exige-se somente engenho & arte. Ainda faltam dois anos para o exame final e com canudo ou sem canudo aí se verá quem perdeu - se o engenho ou a arte.


03/04/2007

...até jazz!


...o OvoEstrelado volta dentro de 3 dias!
pensando bem, volta daqui a...7 dias, isso!!
essa coisa dos três dias não dá para nada e 7 também é um número rodeado de mística, como a tosta mística!...
é para ser saboreado, de preferência devagar!
e já que falamos em devagar, cuidado com o pé esquerdo
na estrada.
Eles andem aí!...
Por estes e outros motivos despeço-me com amizade desejando uma Feliz Páscoa cheia de prendas no sapatinho...


PS: qualquer coisa basta inserir as coordenadas
41°35'16.63"N
8° 7'57.44"W
no GPS e seguir viagem!...

01/04/2007

...angel


An angel runs
Thru the sudden light
Thru the room
A ghost precedes us
A shadow follows us
And each time we stop
We fall
Jim Morrison

30/03/2007

...contra a corrente

...é tudo uma questão de orgulho nacional...o português quando faz algo, fá-lo em grande e sem olhar a despesas. Foi assim quando o Marquês do Pombal construiu parte da Lisboa antiga, foi assim quando construímos o complexo siderúrgico de Sines, foi assim quando colocamos o Centro Cultural de Belém em frente aos Jerónimos, foi assim quando tivemos a ideia da Expo 98 e de construir os magnificos "estádios fantasma" do Euro 2004.
Em todas as épocas da nossa história houve uma marca indelével ,uma assinatura, um legado para as gerações vindouras. Na saga de outras ilustres Obras de extraordinária importância nacional, apresentamos:


" O Aeroporto Internacional da Ota"

...apenas uma nOta de registo antes de assentarem a primeira pedra,

«Portugal é, na questão sugeita, um paíz pobre com apparencia de rico; rico na apparencia, porque se infatua com a ostentação de trez escolas de medicina, pobre na realidade, porque não pode dotar convenientemente qualquer d'ellas.»

Miguel Bombarda

...o TGV segue de momentos!!

29/03/2007

...viver!!


"Viver é a coisa mais rara do mundo.

A maioria das pessoas apenas existe."


(Oscar Wilde).

28/03/2007

...faltou o take!

...é sempre bom, receber a notícia de alguém que nos toca e que arranjou emprego após vários meses de longa ansiedade. A oralidade popular tem um ditado (que outrora se aplicava apenas aos reformados!!) que diz "parar é morrer". Vem isto a propósito da manifestação de jovens convocada presumo eu!?? pela InterJovem (uma espécie de embrião de futuros líderes vanguardista e anti-capitalistas!?).
Nunca a cidade de Lisboa tinha acolhido no seu frenesim mundano tamanha manifestação de jovens (presumo eu, desempregados e não estudantes!?) desesperados com a falta de oportunidade e expectativa de vida. Os jovens desempregados de hoje sofrem um clamoroso défice de liberdade, algo que devia ser inato por natureza. É absolutamente entristecedor ver que o número de desempregados ou de "empregados temporários" é exponencial com o passar dos anos. É caso para perguntar se é este o caminho que o politburo (ou será burro!?) que este e os anteriores governos nos indicaram quando lançaram as bases para a profusão de universidades e cursos superiores na tentativa de encher PortugAll de doutores e engenheiros que escasseavam. Talvez o problema não estivesse em todos aqueles que apostaram na sua qualificação mas antes no take que foi omitido - a criação de emprego estável e duradouro.
Se fosse necessário fazer uma paralelísmo diria que é como a famosa implementação da política agrícola- vulgo PAC- primeiro investe-se na modernização das explorações e na qualificação técnica dos produtores, depois paga-se para não produzirem.
Em Portugal, é assim, vende-se o país como paraíso dos baixos salários, propicíam-se apoios ao investimento, criam-se empresas e passado um tempo fecha-se a empresa alegando baixa produtividade, aumento da massa salarial, falta de flexibilização das leis laborais e muda-se a empresa para a Roménia ou para um qualquer país de mão de obra "semi-escrava", tudo a bem da globalização e com o alto patrocínio da União.
Moral da história: existem contas para pagar, casa para pagar, filhos para sustentar, um sem número de sonhos desfeitos e alguém ao nosso lado que por um azar dos diabos, não apostou na qualificação e hoje está bem melhor do que nós!!
Como é óbvio esse enteado da má sorte não teve a culpa e lutou por isso - facto que merece sem dúvida o nosso aplauso - mas então nós,!? tu e todos aqueles que hoje estavam no Rossio, não têm direito a poder sorrir e a ser feliz!?

Parabéns

27/03/2007

...o velho


"Sê paciente;

espera que a palavra amadureça

e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."




Miguel Torga

foto:http://www.1000imagens.com/




...esquecimento


...é sempre bom fugir da cidade e do caos! foi o que fiz este fim de semana. Pena é que momentos como este sejam cada dia mais raros já que com o quotidiano intenso com que vivemos, já nem para nós temos tempo quanto mais para aqueles que nos dizem mais directamente respeito.


Resolvi ir viver um pouco da Primavera que "insufla de energias e promessas" que Soeiro Pereira Gomes escreveu. Reparar e sentir a Primavera que nos brinda com a "assunção de flores" que o Torga nos ensinou. Desci pelo monte abaixo e percorri as ruas silenciosas da vila de Ponte de Lima que ainda dormia, por entre o som dos meus passos. Sentir o frio da manhã,que molda as serras que rodeiam a vila, caminhar por entre a ruelas apertadas, saborear o café da manhã, por entre a leitura do Sol na esplanada da Praça de Camões.


Depois fui-me sentar na avenida dos plátanos em frente ao rio Lima, o rio que já o romanos diziam ser o "rio do esquecimento", talvez para me esquecer triste vida que hoje em dia vivemos de segunda a sexta, mas também para ver se na outra margem o "verde das árvores era tão verde como a Primavera passada", tal como Alberto Caeiro disse um dia.


Foi apenas um dia mas por momentos foi bom esquecer


Pela praia do Lima, abaixo e arriba

Que tem tanta virtude de esquecer...

20/03/2007

...amanhã é dia mundial da poesia


Fiz um conto para me embalar


Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhum soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.


Natália Correia

18/03/2007

lavagem cerebral


...é por estas e por outras que me sinto bem sendo português. Tive a infelicidade de tropeçar no comando da minha televisão e eís que me deparo com um monento da mais pura portugalidade. É este o progresso e o desenvolvimento que vendemos lá fora, é este o espelho de um Portugal moderno que arranca a todo o vapor...ou será de empurrão!?


acho que dá pelo nome de "A Bela e o Mestre", acho!...não tenho a certeza porque consegui aguentar alguns minutos. Só me ocorre dizer uma coisa...
Beati pauperes spiritu...e já agora acrescento, haja pachorra para aturar isto.
Como se já não chegasem as floribelas e outras donzelas andrógenas que polulam nos canais privados cá da nossa chaparica! Anda um tipo a queimar pestanas, a trabalhar para depois ver a ignorância (sensus lato) a ser premiada!...será que é isto que queremos!? Bem a vantagem é que para quem tem cabo, possui muitos mais botões no comando...

13/03/2007

...olha que dois!!


São 17 os anos que separam estas duas imagens, mas no mais intímo sentido inovador, a lógica é a mesma e o assunto abordado, a continuação da matéria dada. Independente das personagens serem casualisticamente idênticas na maneira de estar na vida e de fazer política- ambos primam pela total incapacidade de reconhecerem o erro, e por uma vontade férrea de mudança, mesmo contra a razão - gostaria de salientar o facto de na capa do Espresso de 20.10.1990 sermos presenteados com uma confortável sala, com mobiliário elegante mas áustero e na segunda, mercê talvez da congetura orçamental, agarvada pelas imposição de fazer baixar o défice público, só encontramos uma vulgar cadeira com assento azul escuro. Gostos!...


Quem está à espera por saber os episódios delirantes da vida do nosso PM desiluda-se...apenas somos presenteados com pequenos fotogramas minunciosamente selecionados da vida do nosso mais do que primeiro. Afinal de contas por 2€ não se pode pedir uma biografia exaustiva do homem, ora essa!!Dá só colorir a imagem que se pretende passar!!



Antes de finalizar uma pequena passagem que revela bem a capacidade de liderança e de análise do nosso PM, ouçamos com a devida atenção:


“Tinha a certeza de que a engenharia não era o meu destino. É o mundo dos pormenores e eu tenho uma inteligência direccionada para o abstracto” – diz José Sócrates


A triste conclusão a que se chega quando se olha para estes últimos 17 anos é que na realidade e excluindo o abstracto estamos pior, bem pior!!

12/03/2007

...o irmão grande!


...as últimas novidades do Ministério da Verdade ( a nossa recém aniversariante RTP!) acerca da concentração das polícias e agências de segurança nacional na pessoa do Grande Irmão fazem-me requar no tempo até ao longínquo ano de 1949. Também nessa altura, do universo orwelliano saiu uma formidável fábula intemporal acerca de um mundo de invasão de privacidade (cruzamento de dados pelos diferentes organismos do Estado!) e avanços tecnológicos que permitiam, tal como agora, o controlo total sobre tudo o que fazemos.

Uma das metáforas mais entusisamantes e que de certa forma foi magistralmente aproveitada pelo Spielberg no Minority Report era o controlo sobre o pensamento - se alguém pensasse diferente, cometia um crime de idéia e fatalmente, seria capturado pela Polícia do Pensamento e consequenemente vaporizado. Hoje em dia, apesar dos desvaneios resultantes do 25 de Abril, existem rumores e episódios burlescos que retratam de certa forma essa opressão à liberdade de opinião. Dois exmplos paradigmáticos: o episódio em redor do juiz Rangel ou mais recentemente, o caso do bloguista Abdelkareem Nabil Soliman , a esse respeito...aqui vi o link: http://www.freekareem.org/.


Tal como no livro tambémm nós devemos utilizar os nossos "Dois minutos de ódio"- parte do dia em que todos os membros do partido se reuniam para ver propaganda enaltecer as conquistas do Grande Irmão e, principalmente, direcionar o ódio contido contra os inimigos- não para atacar, escarnecer ou lixiviar a nossa raíva, mas sim para alertar para o facto de estarmos cada vez mais a ser encerrados numa redoma do vidro, numa espécie de camisa de forças claustrofóbica que nos sufoca a liberdade conquistada pelo nossos pais.


O que é preciso é não deixar que o muro nos cerque completamente e nos impeça de voltar a ver o sol...por isso digo alto e bom som. NÃO!

....the sea said


The Sea said “Come” to the Brook

—The Brook said “Let me grow”

—The Sea said “Then you will be a Sea

—I want a Brook

—Come now”!

The Sea said “Go” to the Sea

—The Sea said “I am heYou cherished”

—”Learned Waters

—Wisdom is stale

—to Me”



(Emily Dickinson)

26/02/2007

...nunca é demais recordar


Lutou em muitas frentes, atravessou períodos duros com grande sacrifício pessoal e profissional. Mas ganhou nas outras, que a vitória é não se vergar nem aceitar facilitismos.


Somos filhos da madrugada

Pelas praias do mar nos vamos

À procura de quem nos traga

Verde oliva de flôr no ramo

Navegamos de vaga em vaga

Não soubemos de dor nem mágoa

Pelas praias do mar nos vamos

À procura da manhã clara


Lá do cimo duma montanha

Acendemos uma fogueira

Para não se apagar a chama

Que dá vida na noite inteira

Mensageira pomba chamada

Companheira da madrugada

Quando a noite vier que venha

Lá do cimo duma montanha


Onde o vento cortou amarras

Largaremos pela noite fora

Onde há sempre uma boa estrela

Noite e dia ao romper da aurora

Vira a proa minha galera

Que a vitória já não espera

Fresca brisa, moira encantada

Vira a proa da minha barca


José Afonso

por vezes tenho pena...


(...)Julgo não haver dúvidas para ninguém, em particular para todos os especialistas que se ocupam desta matéria, que o aeroporto da Portela estará fortemente condicionado na sua operacionalidade, estará mesmo congestionado a partir de meados da próxima década.(...)
(...)quero dizer, com clareza, que se há alguma actividade económica que está no meu espírito e de todos aqueles que se ocupam com a modernização das infra-estruturas aeroportuárias em Portugal é justamente o sector económico do turismo.(...)
(...)a alternativa para resolver os problemas de congestionamento não pode passar pela manutenção da Portela como aeroporto complementar. Como seja, por exemplo, Alverca, ou o Montijo ou Figo Maduro. Porque isso seria um erro económico e um erro técnico(...) conduziria a limitações no tráfego aéreo que não são desejáveis (...) o aumento da capacidade seria tão marginal que obrigaria, daqui a uns anos, a tomar de novo a decisão de construir um novo aeroporto(...) os custos financeiros, os custos de investimento e de exploração seriam tão significativos que retirariam competitividade e produtividade aos aeroportos de Lisboa e aos aeroportos internacionais.(...)
(...)Aliás, as novas localizações de aeroportos na Europa que foram construídos nos últimos anos, localizam-se a uma distância, das cidades, das capitais nalguns casos, muito semelhantes aquela distância que separa a Ota de Lisboa, por razões que me parecem absolutamente evidentes, que têm a ver com o crescimento das cidades, e as novas imposições ambientais que a União Europeia há muito definiu para a localização de aeroportos.(...)
(...)E quero assinalar este facto muito simples, é que nas previsões que agora se fazem de investimento para o novo aeroporto só dez por cento do investimento, se tanto, será investimento que tem origem no Orçamento do Estado, só dez por cento, repito, será investimento público nacional.(...)


José Sócrates 22/11/2005


..a realidade:



  • Diminuição da comparticipação dos fundos comunitários em cerca de 50% relativamente aos inicialmente projectados.

  • Em termos absolutos o aeroporto da OTA representará um custo total de 3100 milhões de euros (não se considerando ainda as usuais "derrapagens") e os fundos representarão um valor de 170 milhões de euros.

  • Segundo alguns especialistas a capacidade do novo aeroporto a projectar será atingida em 27 anos.

  • A OTA representará uma mais valia em termos de Turismo já que vai implicar um maior o crescimento em termos de passageiros. Obviamente qualquer outra solução seria, da mesma forma, uma mais valia...


  • Dizer que foram feitos estudos não é suficiente...talvez existam outras opções mais racionais e que não impliquem constrangimentos de ordem ambiental. Aliás por certo que existim estudos que contrariam de forma sustentada a localização do novo aeroporto na Ota...

  • As cidades que adoptaram a localização de um aeroporte fora dos grandes centros urbanos como é o caso de Londres, Madrid, Paris que não abdicaram de aeroportos mais centrais, ao contrário do que irá acontecer em Lisboa, que irá abdicar do aeroporto da Portela.


A solução passa portanto por canalizar verbas que estavam adstritas a outros projectos estruturantes para o nosso país, e alimentar este verdadeiro efefante branco do séc. XXI. Por certo a história recente pós integração comunitária não terá dado já pistas e factos suficientes para se interromper esta caminhada certa rumo ao abismo?




19/02/2007

O palhaço


...são várias as razões para não gostar do Carnaval. Á cabeça vem o simples facto de ser esta e única altura do ano em que podemos tirar a máscara de palhaços e poder gozar e rir até mais não poder ,de todos aqueles idiotas pensantes obliteram a nossa inteligância e o nosso sentido de cidadania nos restantes 365 dias do ano, senão vejamos alguns exemplos de fazer corar o palhaço mais incompetente:


- o Sr. Ministro da Saúde, o mais incompreendido dos cruzados deste país de infieís, decidiu brincar ao Carnaval e ameaçou fechar numa estoucada, a urgência de Valenças, Vila Pouca de Aguiar e Vila do Conde.


- Afinal, nem tudo corre mal para a ERSE, pois apesar de não ter conseguido provar que existe prática de cartel nos preços dos combustíveis, cehgou agora à conclusão que existe um diferencial de 300% no preço do gás natural dentro do nosso país (ah! e que o gás natural cá é bastante mais caro do que em Espanha!)...ufa!


- Afinal de contas ainda existem pessoas sensatas que acham que a alternativa à Ota devia ser repensada pois é de amarga incoerência (já para não falar sacanagem!) aqui que nos querem impingir!!


- Despediram funcionários e fundiram-se institutos, tudo sob o lema do equilíbrio das contas do Estado, o reverso é a estagnação e caos que se vive em alguns sectores do aparelho Estado, da qual a futura defunta DGV é um excelente exemplo!!


- Depois da invenção da roda, e do fogo pelo homem primitivo, descobriu-se agora que existem muitos licenciados em Portugal com o canudo atrás das costas e uma mão à frente a serem explorados (no verdadeiro sentido endócrino do termo) por um bando empregadores sem escrúplos e que os afastam de um futuro promissor na área científica que tanto investiram e se sacrificaram.


- Quando um presidente de Câmara convoca a comunicação social para dar uma marretada na janela de um escola e assim dar por inaugurada a demolição da mesma, já que a DREN não coloca os alunos do concelho noutra recém construída é por que não vale a pena comentar mais não é!?...


- Ou quando o ex-Presidente futuro candidato a mais do que Presidente da R.A. Madeira acorda de manhã e depois de um pequeno almoço de pijama decide pedira demissão do cargo, para se gastarem mais alguns milhões ao erário madeirense, está tudo visto que melhor do que um fait-diver é mesmo ter uns bons testículos e mandar a nomenclatura do continente para a merde!! ah! e anda se dá ao luxo de recitar Shakespear e dançar no corso carnavalesco! É obra o homem tem-os no sítio, só não se sabem bem aonde!


- Enfim, é por estas e por outras que não vale a pena vestir a máscara por cima do nosso eu exteriorizar os nossos desejos mais intímos nesta época...afinal de contas existe sempre um palhaço pobre para nos dar uma palmadinha nas costas.


É Carnaval e não me levem a mal!




13/02/2007

...para a minha mais do que muita,



..um poema de Herberto Hélder


Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue.

Com ela encantarei a noite.

Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.

Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento.

Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar?

Longamente cantar,

Uma mulher com quem beber e morrer.

Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave o atravessar
trespassada por um grito marítimo e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes ele
– imagem inacessível e casta de um certo pensamento de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos, os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue, desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
– Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob as mãos,
mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora da morte e da alegria.

Dai-me uma mulher tão nova como a resina e o cheiro da terra.

Com uma flecha em meu flanco, cantarei.

E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,

cantarei seu sorriso ardendo, suas mamas de pura substância,

a curva quente dos cabelos.

Beberei sua boca, para depois cantar a morte e a alegria da morte.

Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro pescoço de planta, onde uma chama comece a florir o espírito.

À tona da sua face se moverão as águas, dentro da sua face estará a pedra da noite.

– Então cantarei a exaltante alegria da morte.

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela despenhada de sua órbita viva.

– Porém, tu sempre me incendeias.

Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno,

a noite imagem pungente com seu deus esmagado e ascendido.

- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.

Entontece meu hálito com a sombra,

tua boca penetra a minha voz como a espada se perde no arco.

E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua estiola,

a paisagem regressa ao ventre, o tempo se desfibra – invento para ti a música,

a loucura e o mar.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge,

o sorriso, a inspiração.

E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.

Vou para ti com a beleza oculta, o corpo iluminado pelas luzes longas.

Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar.

Teus olhos transfiguram-se,

tuas mãos descobrem a sombra da minha face.

Agarro tua cabeça áspera e luminosa,

e digo: ouves, meu amor?,

eu sou aquilo que se espera para as coisas, para o tempo

- eu sou a beleza.

Inteira, tua vida o deseja.

Para mim se erguem teus olhos de longe.

Tu própria me duras em minha velada beleza.

Então sento-me à tua mesa.

Porque é de ti que me vem o fogo.

Não há gesto ou verdade onde não dormissem tua noite e loucura,

não há vindima ou água em que não estivesses pousando o silêncio criador.

Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos originais.

Tu dás-me a tua mesa,

descerras na vastidão da terra a carne transcendente.

E em ti principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma o sinal e a vinha.

Plantas, bichos, águas cresceram como religião sobre a vida

– e eu nisso demorei meu frágil instante.

Porém teu silêncio de fogo e leite repõe a força maternal,

e tudo circula entre teu sopro e teu amor.

As coisas nascem de ti como as luas nascem dos campos fecundos,

os instantes começam da tua oferenda como as guitarras tiram seu início da música nocturna. Mais inocente que as árvores,

mais vasta que a pedra e a morte,

a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,

tinge a aurora pobre, insiste de violência a imobilidade aquática.

E os astros quebram-se em luz sobre as casas,

a cidade arrebata-se, os bichos erguem seus olhos dementes,

arde a madeira – para que tudo cante pelo teu poder fechado.

Com minha face cheia de teu espanto e beleza,

eu sei quanto és o íntimo pudor e a água inicial de outros sentidos.

Começa o tempo onde a mulher começa,

é sua carne que do minuto obscuro e morto se devolve à luz.

Na morte referve o vinho,

e a promessa tinge as pálpebras com uma imagem.

Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito de sal e de silêncio,

concebo para minha serenidade uma ideia de pedra e de brancura.

És tu que me aceitas em teu sorriso,

que ouves, que te alimentas de desejos puros.

E une-se ao vento o espírito,

rarefaz-se a auréola, a sombra canta baixo.

Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,

onde a beleza que transportas como um peso árduo se quebra em glória junto ao meu flanco martirizado e vivo.

– Para consagração da noite erguerei um violino,

beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada darei minha voz confundida com a tua.

Oh teoria de instintos, dom de inocência,

taça para beber junto à perturbada intimidade em que me acolhes.

Começa o tempo na insuportável ternura com que te adivinho,

o tempo onde a vária dor envolve o barro e a estrela,

ondeo encanto liga a ave ao trevo.

E em sua medida ingénua e cara,

o que pressente o coração engasta seu contorno de lume ao longe.

Bom será o tempo, bom será o espírito,

boa será nossa carne presa e morosa.

– Começa o tempo onde se une a vida à nossa vida breve.

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim,

ó urna salina, imagem fechada em sua força e pungência.

E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado em torno das violas,

a morte que não beijo, a erva incendiada que se derrama na íntima noite

– o que se perde de ti,

minha voz o renova num estilo de prata viva.

Quando o fruto empolga um instante a eternidade inteira,

eu estou no fruto como sol e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada matriz de sumo e vivo gosto.

– E as aves morrem para nós, os luminosos cálices das nuvens florescem,

a resina tinge a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.

E estás em mim como a flor na ideia e o livro no espaço triste.

Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento na cevada pura,

de ti viriam cheias minhas mãos sem nada.

Se uma vida dormisses em minha espuma, que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?

– No entanto és tu que te moverás na matéria da minha boca,

e serás uma árvore dormindo e acordando onde existe o meu sangue.

Beijar teus olhos será morrer pela esperança.

Ver no aro de fogo de uma entrega tua carne de vinho

roçada pelo espírito de Deus será criar-te para luz dos meus pulsos

e instante do meu perpétuo instante.

– Eu devo rasgar minha face para que a tua face se encha de um minuto sobrenatural,

devo murmurar cada coisa do mundo até que sejas o incêndio da minha voz.

As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso jovem da carne

aspiram longamente a nossa vida.

As sombras que rodeiam o êxtase,

os bichos que levam ao fim do instinto seu bárbaro fulgor,

o rosto divino impresso no lodo, a casa morta,

a montanha inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo

– aspiram longamente a nossa vida.

Por isso é que estamos morrendo na boca um do outro.

Por isso é que nos desfazemos no arco do verão, no pensamento da brisa, no sorriso,

no peixe, no cubo, no linho, no mosto aberto

– no amor mais terrível do que a vida.

Beijo o degrau e o espaço.

O meu desejo traz o perfume da tua noite.

Murmuro os teus cabelos e o teu ventre,

ó mais nua e branca das mulheres.

Correm em mim o lacre e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca ao círculo de meu ardente pensamento.

Onde está o mar?

Aves bêbedas e puras que voam sobre o teu sorriso imenso.

Em cada espasmo eu morrerei contigo.

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente das urzes, um silêncio,

uma palavra;

traz da montanha um pássaro de resina, uma lua vermelha.

Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,

casa de madeira do planalto,

rios imaginados, espadas, danças, superstições,

cânticos, coisas maravilhosas da noite.

Ó meu amor, em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,

o povo renasce, o tempo ganha a alma.

Meu desejo devora a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma de crepúsculos e crateras.

Ó pensada corola de linho, mulher que a fome encanta pela noite equilibrada,

imponderável - em cada espasmo eu morrerei contigo.

E à alegria diurna descerro as mãos.

Perde-se entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro da tua entrega.

Bichos inclinam-se para dentro do sono,

levantam-se rosas respirando contra o ar.

Tua voz canta o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com o lento desejo do teu corpo. Beijarei em ti a vida enorme,

e em cada espasmo eu morrerei contigo.

07/02/2007

cansado


O que há em mim é sobretudo cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.


A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

Essas coisas todas -Essas e o que faz falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,Este cansaço,

Cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada -Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser...


E o resultado?

Para eles a vida vivida ou sonhada,

Para eles o sonho sonhado ou vivido,

Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço.Íssimo, íssimo. íssimo,

Cansaço...
Álvaro de Campos


04/02/2007

abortex


...como se não bastasse o simplex, o durex e o reglex, agora o nosso governo lança para a o mercado o abortex.

Agora sim, é mais fácil abortar com todas as condições higio-sanitárias (é pá já não escrevia esta palavra desde os tempos da faculdade!!), com toda a tranquilidade, sem stress e sem aquele sentimento de culpa e vergonha ou ao abrigo do anonimato impossível.

Agora abortar passa a ser tão claro, e cómodo como ir fazer uma apendicectomia, ou um simples parto.

O SNS ou seja nós todos comparticipamos, e a futura ex-mãe tem à sua disposição todos os cuidados médicos e o acompanhamento que estes casos requerem. Mas será mesmo assim?!

No meu entender a simples descriminalização e liberalização da IVG até às 10 semanas, talvez vá resolver o sério problema que afecta milhares de mulheres neste país mas certamente outras tantas continuarão a aceder a curandeiras e parteiras especializadas na refinada arte do aborto. Relativamente aos restantes casos, ie, as situações após as 10 semanas, continuarão a cair nas malhas da lei, e essas não existe nada a fazer.

No fundo o que dia 11 se vai decidir (ou talvez não!!) é uma mera questão de política criminal, e isso meus caros, podia ter passado perfeitamente pela Assembleia da Répública. Dessa forma seria possível atingir um consenso mais alargado e evitava-se gastos em campanhas, manifestações, autocolantes e bandeiras murchas (e muita falta de imaginação e bom senso). Será que andar meses seguidos a falar da questão do aborto é um sintoma da solidificação da nossa jovem democracia, será que é um nitído sinal de progressismo, a revolução cultural no seu explendor!?

Mais parece o saudosismo de Maios de outros séculos, eu diria mais, uma verdadeira pérola no prime-time televisivo!


Quem parece estar ansioso neste momento não são nem os detratores da vida, ou os retrógados defensores da mesma, são sim os dignos e respeitáveis defensores do outsourcing castelhano que já se preparam para ocupar a nossa capital e outras sucursais por esse pais fora. Quem é que vai frequentar esses locais!? As mesmas pessoas que têm capacidade para ir a Badajoz ou a Londres, como é óbvio. Outra questão que me aflige é na prontidão e disponibilidade da classe médica para proceder à IVG, pois de certa forma a IVG choca com o código deontológico e coloca questões éticas e profissionais que extravasam a própria lei.


Sou contra o aborto na verdadeira ascenção da palavra, sou permissivo à IVG até às 10 semanas, sou pela vida, mas por outro lado, tão importante como uma vida que pode vir a ser existem as vidas de todos aqueles que já são, e a vida que esses ser provavelmente nunca virá a ter.

Será que a mulher aborta por desporto, ou será que a decisão foi consequência de uma noite mal dormida ou uma semana de trabalho menos feliz? Não! nenhuma mulher gosta de abortar nem se sente bem ao abortar, a angústia ficará sempre presente. Mas se a opção for terminar naquele momento, é porque simplesmente existe um motivo forte subjacente. Só deve ser mãe quem sabe e pode amar.

Chega de fihos abandonados, chega de crianças silenciadas, chega de promessas vagas de apoio aos mais necessitados, chega de medidas avulsas e inócuas, que nada resolvem e que muitas vezes não passam de linhas no papel. Há cerca de 9 anos o povo votou num sentido e o resultado está à vista. Nada mudou, tudo piorou.

É uma decisão dificíl, triste e e penosa para a mulher, mas cabe a ela decidir qual o sentido da vida!


Talvez o rei Salomão soubesse a solução na ponta da espada, mas neste momento não me ocorre nada melhor sobre o assunto.