29/05/2011

...Festa do Cavalo de Porto Salvo

Enquanto meio Portugal discute as alarvidades que este e aquele candidato, mais ou menos molhado vai debitando, outro Portugal (um pouco farto do circo eleitoral) procura refúgio em algo mais salutar e sem dúvida mais enriquecedor. Seja no caldeirão de aromas de Serralves, seja no paladar da Feira do Bacalhau na Casa do Campino, ou mesmo na emoção da Festa do Cavalo de Porto Salvo, não faltam motivos para ignorarmos o triste espectáculo das falsas ilusões.









Mas não desesperemos, são só mais quatro dias, e depois logo se vê quem vai ser o chefe da banda!...

08/05/2011

…remédio dos ratos! “ouvistes”?





Depois de ler o memorandum [eu colocar-lhe-ia o rótulo “epitáfio da classe média”, mas “prontes”!] imposto pela troika que nos veio “salvar” fiquei com aquele amargo de boca que os benfiquistas tiveram quando o Custódio sentenciou o destino mais que provável da nação benfiquista: ficarem em casa, sentados no sofá a comerem pipocas!

Não demorei muito tempo a ler já que o inglês rabiscado, apesar de não tão técnico como o exigido ao nosso futuro ex-PM na sua falecida Universidade Independente, foi de rápida e fácil apreensão. Aliás, de uma forma breve diria que enquanto o PEC 4 era um somatório de boas intenções mas nada em concreto, pelo menos estes três estarolas depois de uma semana a pastéis de nata e bicas ao balcão, conseguiram esmiuçar um conjunto de medidas mais “entalativas” do que o discurso pírrico que o nosso ex-PM nos tentou mais uma vez ludibriar, desta vez com o boneco de cera do nosso ex-Ministro da Fazenda. Oh Catroga! rebobina ai a tape: por acaso alguém se lembra dos festejos e balões no ar com que o (Des)governo manifestou a primeira emissão da dívida pública um anos-luz atrás? Se bem me lembro, nessa altura já um o reputado Paul Krugman avisava que os festejos eram efémeros, pois a economia estava implicitamente condenada à partida.

Todavia apesar de mais de metade dos portugueses ainda não se ter apercebido que afinal vão mesmo “pagar o almoço”, não posso deixar em claro a luta fraterna entre as duas principais forças políticas pela paternidade das medidas apresentadas pelos três cavaleiros do Apocalipse: Devemos mesmo ser o único país do mundo em que isso sucede!?Mas isso tem uma explicação lógica…só é pena eu ainda não a ter descortinado, mas “prontes”! Bem talvez os apoiantes da marcha para a liberalização da marijuana possam acrescentar algumas palavras sobre a temática?

Mas voltemos ao discurso publicitário do nosso futuro ex-PM no intervalo do Barça, tenham em atenção que apesar do boneco de cera não ter dito nada, é necessário consultar o folheto explicativo para mais pormenores:

Para uma consulta mais atenta do prospecto informativo deixo aqui a versão traduzida o inglês do Mr. Blue Eyes, para o português suave: press hereDescansem e alegrem-se Portugueses, Eu consegui um bom acordo. Melhor do que o dos filhos da mãe gregos e os babateiros dos irlandeses! O nosso Governo não vai retirar o subsídio de férias e Natal a ninguém! Andavam por ai uns amigos malandros do Carrapatoso num concurso de ideias terríveis “Mais Sociedade”, uma espécie de Estado Gerais do PSD mascarado de lobo mau, mas Eu não deixei!




E vós pensionistas com 600 euros/mês, relaxem porque Eu não vou tocar com um dedo nas vossas comensais reformas. Atentai oh, funcionários públicos, mesmo aqueles 2,6% que fizeram greve no dia da Prova de Aferição. Não vereis mais cortes nos vossos sólidos salários, para além daqueles que que a força das circunstâncias, fui obrigado a assinar com o Passos!

Quanto ao resto mais não disse, mas subentende-se que mais haveria por dizer a troika depois da bica no Centro Jean Monet! O que veio a suceder em boa verdade

Chega de economia & política e das conjecturas do Catroga sobre os maquinistas da CP e Carris!

O Braga vai a Dublin para grande contentamento de muitos benfiquistas, o José Castelo Branco vai reforçar as audiências da TVI com mais um concurso estúpido, e na América festajam pela morte de Bin Laden. Diria que apesar de dos sinais de inquietação, o mundo prossegue a sua marcha imperturbável rumo a não se sabe bem onde! Já no nosso cantinho odiado pelo finlandeses, com ou sem margem de erro estatístico enfrentamos um verdadeiro paradoxo político: o actual PM que conduziu o país às portas do default (em português suave bancarrota) está na triste eminência de ser reeleito ainda com menos votos, em minoria, e nem o candidato kizomba parece conseguir dar a volta ao texto. Talvez esteja mesmo na hora de legalizar a marijuana e desligar o microfone ao Catroga.



06/05/2011

..meus amigos finlandeses!!



Minun suomalainen ystäväni, joka tiesi ...

05/05/2011

...parabéns amor!



PARABÉNS AMOR!...quantos são?eheheheheh.....tchiii!!!

... má cher Marta!



...Marta chérie  (ne pas confondre avec la outre avec o mesmo nome do OK TeleSeguro ). Ciente de lá extremenécessité d'approfondir a tuas compétences dans la langue française, je propose umas aulas prolongé pour une durée ilimitada, d'un grand maître de la língua du fromage e avec.

Dans os l'intervalles, enquanto tu en apprenant les virtudes de l'ajout de chocolat au repas por tudo e por nada, o mesmo acontecendo com o fromage (moins la tasse de l'eau!), Quelques conseils:

primeiro- Tout d'abord: les Français sont la nica race dans le monde é arredores qui utilisent le pare-choques dans sa fonction, si vous estacionares votre voiture avec lá matricule dessa terra, é normal que eles batam de façon répétée dasn les pare-chouqes , même si elles ont deux metros de chaque côté, ne soyez pas surpris, são mesmo totós!

-dernière: les Français, même s'ils ne sont pas bonnes gens como a gente já sabe, ne laissent plus de deux pieds à la voiture devant et derrière (é uma questão que medires!), parce qu'ils aiment vraiment à utiliser le pare-chocs!Há maluques para tudo!


Ai gaja, ainda a esta horas deves estar a preparez la válise de charton!

Bisous et un botaille de Bordeaux em tua honra! 

18/04/2011

...trim, trim

...depois de ouvir as primeiras palavras do Otelo [geralmente só se pronúncia sobre o quer que seja quando as craveiras estão em flor!] ainda pensei que andasse a beber do mesmo copo que um famoso pedófilo da nossa praça andou a provar desdee os tempos de cárcere nas bonitas e arrumadas instalações prisionais da judiciária autoridade. Mas esta semana após uma expiação das suas palavras  lá emendou o soneto e começou a reivindicar um sonho que teve algures entre a Primavera de Abril e o Verão quente do PREC- uma espécie de democracia directa em que, supostamente os partidos se submetiam à vontade popular. Fazendo um paralelo com com novel M12M, seria o equivalente  a uma Islândia ibérica em que qualquer utilizador de Facebook ou outra rede de arrasto, poderia convocar uma referendo à la carte, por exemplo para abolir por exemplo os parquímetros no centro de Lisboa, ou as portagens na Ponte 25 de Abril, ou possivelmente acabar com as extensas férias parlamentares. Seria engraçado mas demasiado tentador...

Mas depois, de ouvir as palavras teatralizadas do Nobre candidato à puta tiva e exclusiva função de presidente da Assembleia da República, cheguei à firme conclusão que afinal não é o único que anda a beber do Santo Graal da irracionalidade, e que em boa verdade, o consumo de substâncias alucinogénicas está de facto massificado na sociedade. Ao ler a entrevista do apartidário Nobre candidato a de putado, lembrei das sábias palavras de Lincon: "government of the people, by the people, for the people". Aquilo que proferiu é a antítese ao tal "desapego do poder" que ontem tentou disfarçar na entrevista. Posso até profetizar que a sua rentrée dará azo a um desapegado flop eleitoral se continuar a abusar da ingenuidade política que revela. Mas enfim! É com este tipo de ingredientes que o comum português, menos se revê e mais se aflige na hora de decidir entre um prato de carne ou um prato de peixe.

Entretanto, enquanto aquele refinado humorista vai colando cartazes na sinalética urbana de Lisboa em direcção ao FMI, é com agrado matinal [para não dizer enjoo!] que ouço os comentários económicos diários sobre as puta tivas recomendações[ordens] que a troika [não confundir com perestroika!] financeira nos vai agraciar nos próximos 3/4/5/e adiante anos da nossa existência económica!Sublime tentação para a depressão nacional.

Estou certo que as medidas que estão a ser confeitadas nos corredores da Praça do Comércio vão ser tão agradáveis como ortigas na palma da mão. Mas não desesperemos. Com a agilidade de um colete de forças associado ao silêncio soturno do nosso nosso PR e a exímia arrogância do nosso PM, certo certo é que nem o coelho da Páscoa nos salve de uma desgraça à muito anunciada pelo expatriado Medina Carreira.

Depois de tudo somado e fazendo a prova dos nove, chegamos à conclusão que afinal de contas ninguém tocou à campainha para saber se lá dentro havia ou não esqueletos no armário, e um dia são eles que nos batem á porta!...

Acabem-se com as campainhas!...

Agora sim que venha o toque...o rectal!

photo by: Margarida Araújo

04/04/2011

...primavera?

...agora sim posso afirmar que da manta morta do inverno, surgiu clara e doce primavera que nos deslumbra com o sol gélido da manhã. Doce e aveludada pele que faz surgir gomos florais, onde a dormência agora terminada enche de alegria as mil e uma cores que a retina capta. Não fosse tudo isto uma ilusão, diria que estávamos na Primavera, mas não. Estamos em plena crise. Duraram 3 minutos até me aperceber que o capitão Ahab mantém a firme convicção de nos forçar rumo ao descalabro. Podia ter começado a entrevista com a memorável frase: "Call me Ishmael." Ainda me interrogo como tantos continuam a apontar o a lógica como se um arpão se tratasse, um arpão que nos fere a cada passo. Olhando de lado, de frente ou por detrás, para esse Parténon que construiu em seu redor (não aquele que o Eduardo Souto Moura tanto mitifica!), esse monumento mitológico à divindade da sua personalidade, diria que aquilo que a vista alcança a paciência esgotou há muito! Já não são as suas lamentações, os seus "ais", que me movem [se é que alguma vez a maça do Newton caiu alguma vez a meus pés!?quanto mais a cabeça!]. Nem mesmo as suas dores de parto quando fala da sua firme defesa de Portugal desperta qualquer tipo de comiseração. Vivemos numa espécie de primavera Marcelista, lá fora as papoilas dão cor aos prados e no semblante de muitos os cravos já cantam Abril, mas no fundo, estamos ainda embriagados no longo inverno do nosso descontentamento. Sem rumo, atrás de um destino desconhecido, de um abismo branco. Um vazio de ideias, um nada.

Photo by: DDiArte

22/03/2011

...nos tempos do rei Artur



...foram 70 anos a fazer história na rádio e na televisão!Apagou-se hoje a voz do nosso Artur Agostinho, um grande homem da rádio e sobretudo um grande sportinguista!

20/03/2011

..cruzes canhoto

…cruzes canhoto! Se dúvida alguma existisse, os comentários das últimas horas dos mais diversos quadrantes políticos dissiparam as nuvens de incerteza sobre a época que celebramos. Se não é nas palavras do Dr. Portas no soporífero Congresso do CDS, onde a alusão à cruzinha numas hipotéticas eleições em que o CDS vai ser Governo foram o prato forte, ressalta evidente nas palavras duras da Paula Teixeira da Cruz acerca da data da tal carta que o nosso Primeiro rascunhou e enviou para o amigo “porreiro pá!” Barroso [abra-se já uma comissão parlamentar e chama-se o Presidente dos CTT!]. Até o camarada Jerónimo doutor nas artes pagãs da doutrina marxista veio esta semana a púlpito declarar que o Governo oferece aos portugueses uma da duas cruzes, qual delas a mais dolorosa. Não há notícia de que alguns dos fiéis se tenha benzido após a apologia da morte do senhor Sócrates, morte política está claro. Mas voltando aos teixeirismos, o nosso ministro da Fazenda inaugurou também a semana que agora passou uma nova forma de abordagem aos assuntos do estado das finanças: conferências a conta-gotas seguidas de declarações bombásticas e terríveis. Como se não bastassem três PEC [nunca entendi bem onde encaixava a palavra crescimento nisto tudo?] agora o novo alvo a abater são os pensionistas e os futuros desempregados, quer por via da diminuição do tempo de subsídio, quer [ainda mais avassalador!] pela diminuição abrupta da própria indemnização! Se há medidas que dificilmente compreendo, esta é uma delas. Em que medida este ataque ao proletariado se insere numa política dita socialista, democrática e dinamizadora do emprego. Em que medida vai contribuir substancialmente para diminuir o défice português? Procurei a resposta a esta pergunta por debaixo do tapete da minha secretária mas nem o pó vislumbrei. Aliás encontrei a resposta no protesto da semana passada materializada nas famosas notas de 500 euros com a estampa do nosso Primeiro. Mas descansemos irmãos, provavelmente ainda nos próximos meses somos capazes de ser novamente chamados a colocar a cruzinha na folha das falsas ilusões, ou não, dependo da capacidade do sistema informático em reconhecer os portadores da cartão do cidadão.

Ainda assim continuo com uma dúvida: será que o nosso Primeiro também escreveu uma carta com o manifesto eleitoral da sua recandidatura ao PS à Angela Merkel? ou enviou em correio expresso para chegar antes da conferência de imprensa de ontem?

Outra dúvida que me apoquenta é a falta de protagonismo nos media da grande manifestação da CGTP, que ontem levou pela segunda semana consecutiva, milhares de descontes [provavelmente os pais dos da semana passada!?] à nossa primaveril capital. Será que a falta dos 20 skinheads e dos clientes do BPN fizeram a diferença? Os Homens da Luta também estiveram lá ontem,pá camaradas! Ai cruzes canhoto…

Por último, não ouvi os comentários do nosso Presidente acerca da memória dos soldados que caíram no teatro da guerra do ultramar, mas pelos vistos ainda bem que não ouvi. Também me parece que não vou ouvir tão cedo os comentários que ele não vai fazer acerca da crise política em que o nosso País se encontra mergulhado. Afinal o que está em causa é do foro dos correios. Não é matéria séria como escutas telefónicas ou assuntos relacionados com a Região Autónoma dos Açores.

(photo by: do grande fotógrafo Eduardo Gageiro)

12/03/2011

...acordar

Uma noite acordarei junto ao corpo infindável
da amada, e meu sangue não se encantará.
Então, rosa a rosa murcharão meus ombros.
Quer dizer que a sombra carregará meus sentidos
de distância, como se tudo fosse o cheiro
que as ervas pungentemente perdem
através do silêncio.


Plácido chegarei à mesa, e de súbito
meu coração se atravessará de gelo puro.
O vinho? Perguntarei. Flores de sal cobrirão
a luz poderosa do meu olhar.
Tempo, tempo. Eu próprio perguntarei no recente
pasmo da minha carne: o vinho?
Rosa a rosa murcharão meus ombros.
Então lembrarei a vermelha resina, o espesso
murmúrio do sangue,
o ocre e sobrenatural aroma das acácias.
Tentarei encontrar uma forma.
Com beijos antigos um momento ainda queimarei
o corpo solitário da amada, direi palavras
de uma ternura azebre.
E uma vez mais me perderei, dizendo: o vinho?
Rosa a rosa murcharão meus ombros.



Herberto Helder

(Photo by: Michael Papendieck)

06/03/2011

...o ano da morte de Alberto Granado

...aos poucos caiem como peças de dominó, uma após outra, as ditaduras islâmicas suportadas e acarinhadas pela real politik europeia e norte-americana. A esse propósito, retive com alguma ironia e pude deixar de apreciar a postura blasé do nosso bem Amado ministro dos assuntos externos (gosto mais do sotaque do inglês foreign affaiars), ao descaracterizar toda da a polémica em redor do reiterado apoio do ainda actual Governo à ditadura do coronel Kadhafi.
É caso para perguntar, e se Portugal não tivesse interesses nesse e noutros países nas barbas do deserto do Sahara? E se da Argélia, Líbia ou Nigéria não caísse pinga de ouro negro ou sopro de gás natural? Estaria a fortaleza europa tão receosa das movimentações desses povos? E se um dia jangadas milhares desses Povos do Mar sulcarem as águas do mar do meio e entrarem na fortaleza que dizemos nossa, em busca de melhores condições de vida? Quem terá capacidade para suster esta massa humana, quem terá a coragem política de submergir essa vontade sonhada por cada vez mais povos que resistem às migalhas lançadas pela cobiça dos povos da velha europa?

Mas não deixa de ser inquietante ver o quão frágil é a estrutura do poder nestes países tão perto de nossa casa, e a velocidade com que o vírus ou a vacina (alea jacta est) se propagou na maré desse mar que nos divide e nos une. Contrariamente a outras revoltas, não vi bandeiras dos inimigos clássicos a serem queimadas, não vi o livro sagrado bem alto no céu com uma mão firme a apelar ao Altíssimo morte aos infiéis! Vi novos e velhos. Vi gente do campo e da cidade, gente como nós com uma vontade enorme de mudar. O tempo decidirá o pendor da mudança.


De volta ao nosso canto, cumpri a velha tradição de não assistir ao festival da canção. Na minha lembrança saudosista, recordo apenas o playback do Carlos Paião, o mítico José Cid e o fabuloso Quarteto 1111, o grande Fernando Tordo e a voz do Carlos do Carmo, a nossa Simone ou a singular Tonicha. Alguém se lembra dos Gemini? Ninguém. O Festival da canção morreu com o apogeu da cor.



Confesso que fiquei espantado para não dizer intrigado quando hoje de manhã vi que os Homens da Luta tinham vencido a edição deste ano. Como diria o nosso caro Primeiro “este é um momento histórico”. Da mesma forma que a revolução de jasmim nasceu do Facebook e das redes sociais, por cá o povo tomou a palavra e por momentos pudemos saborear um doce aroma a PREC como há muito não se via neste país. É caso para gritar bem alto: tragam-me um cabaz de madeira para eu subir e gritar!. É disto que o povinho é gosta!
Realmente vivemos momentos históricos, épicos eu sei lá mais o quê. Falta-me adjectivos e prosa homérica para classificar tudo o que me vai no rodapé. Por exemplo quem poderia imaginar um primeiro-ministro português deslocar-se com o séquito das finanças ao gabinete da Sr. Merkel, para  pedir a bênção e aprovação das medidas do PREC e as que se seguem (já se falam na versão 3.1a!). Já estou a imaginar o nosso Primeiro com o nervosismo que o identifica e o ministro do fazenda pública com os dedos suados a tentar limpar os números da execução orçamental de Fevereiro no seu Ipad, ambos sentados na antecâmara de espera, com a sinfonia inacabada de Schubert no ouvido e a incerteza dos mercados na cosnciência. Que revistas terão lido? a Hola! espanhola, a Caras portuguesa ou corrosivo Der Spiegel?
Nestes quase 37 anos que nos separam da madrugada dos cravos, nessa manhã em que as gaivotas voaram, com asas de vento, e coração de mar, nunca imaginei sentar-me na sala de espera com a dúvida oscilante entre a sandes de coirato e a salsicha Bockwurst. Provavelmente daqui a uns tempos para além ámen ao Orçamento da República, seremos convidados a introduzir o alemão nas escolas e a substituir o renegado Camões por um mais consentâneo Goethe.

Espero sinceramente que a Cimeira de Primavera decorra com o vento de feição e que em Outubro possamos celebrar de forma entusiástica a Oktoberfest sem o catarro dos mercados, nem a micose do FMI a assar as pertuberâcias nacionais.
No entretantos, sempre podemos exportar os Homens da Luta para aquecer as hostes da chanceler. De uma coisa podemos estar garantidos: da mesma forma que o campeonato já não sorri ao Sporting, já ninguém nos tira o último lugar no Festival da Eurovisão.
Mudando agora o catavento para sul, fiquei amedrontado com a revelação surpreendente do ex-presidente Dr. Jorge Sampaio. Portugal está “em apuros”. Não fui eu que disse, não foi o também ex-venerado Dr. Mário Soares (mais preocupado com do day-after da manifestação da “geração Deolinda”) e muito menos o benjamim António José Seguro que esta semana se colocou (também ele) em cima do caixote da fruta e disse que depois de Sócrates logo se vê.
E assim vamos nós alegremente, avenida da liberdade abaixo no cortejo carnavalesco da fábula de duas páginas do Bloco de Esquerda, e uma manifestação des parvos e parvas que os Deolinda cantam. “É disto que Portugal precisa” usando soundbyte preferido do nosso caro Primeiro.


Notas do chefe de mesa: recomendo vivamente o filme Black Swan uma petit chef-d’oeuvre com uma interpretação notável da bela Natalie Portman (profunda admiradora do irrecuperável Galliano) e por último uma lufada de ar fresco em termos de banda desenhada: Rango, um extraordinário western spaghetti camuflado com humor por um camaleão com problemas de identidade, uma banda sonora sob a batuta e mestria da ILM. Sabe bem o cinema pipoca sem os incomodativos óculos 3D!
Entretanto divirtam se e aproveitem para se desmascararem. Afinal de contas há que aproveitar estes dias para deixarmos de ser palhaços tristes.
No ano da morte de Alberto Granado a pobreza e à injustiça social persistem de mãos dadas com a desigualdade, o desemprego e a fome envergonhada. A luta por um mundo mais justo e melhor não é uma ideologia nem uma utopia. Infelizmente, é uma necessidade.

Bom Carnaval!

photo by: Michael Papendieck


14/02/2011

...endless



e ao anoitecer adquires nome de ilha ou de vulcão
deixas viver sobre a pele uma criança de lume
e na fria lava da noite ensinas ao corpo
a paciência o amor o abandono das palavras
o silêncio
e a difícil arte da melancolia








Al Berto




Photo by: SaMY

11/02/2011

...jus primae noctis


Desde o tempo de feudal que existe sempre alguém com pretensão para nos lixar com F. Recuemos então uma mão cheia de séculos voltemos ao cretácio da nossa construção europeia. Menina e moça acabada de se comprometer com filho de ferreiro da aldeia, é informada por seu pai, capador de profissão banhado em lágrimas e em grande comoção, que o senhor feudal pretende fazer a rodagem da pura e sacrossanta intimidade antes que a mesma contraia núpcias assim manche o seu imaculado jardim de jasmins como doce ardor do desejo…

…uns séculos mais tarde num esquina de Alfama, enquanto se deliciava no no bafo de ervas aromáticas, Francisco duque do Bairro Alto intenta a sua pernada no parlamento, predispondo-se a vergar a minoria parlamentar no fino gume da dissolução e numa penada, antecipa-se à pretensão insaciável do seu vizinho de terras não muito distantes, Jerónimo conde de Soeiro. A jovem donzela renega desde logo a infâmia do gesto e recusa-se saborear o doce manjar, que do Rato já se advinha.

Uns quilómetros mais a norte a Chanceler Merkel assume também a sua pernada, ao propor uma joint-venture conjunta com o príncipe da sola alta Sarkozy e juntos decidem assombrar-se sobre as virgens economias periféricas e transformá-las em escravas germânias, para deboche e prazer dos restantes parceiros.

De volta ao intendente, mesmo por debaixo da nossa saias, o ministro Rui Pereira da Admiração Interna tenta explicar o inexplicável, e refugia-se na ética da responsabilidade, ao responsabilizar o Director-geral que antes que fosse perneado decide demitir-se, mas é impedido de contrair o acto sem experimentar o longo malho do relatório ministerial.

Como o pecado mora ao lado, uma idosa é encontrada em casa anos, no chão da cozinha mumificada, depois de durante anos ter sido impossível ao tribunal detectar indícios de cheiro nauseabundo, e à autoridade policial factos e argumentos para arrombar a porta da dita senhora. Felizmente que existe uma entidade em Portugal que se orgulha de desflorar e depenar as jovens economias domésticas com mesma voracidade com que a Galp aplica as suas pernadas no momento de ir à bomba abastecer - as Finanças. Se não fosse o frenesim ninfomaníaco com que possuíram o apartamento na aldeia da Rinchoa, como justa recompensa de uma miserável dívida, a esta hora o tribunal estaria ainda com problemas de olfacto, a autoridade policial com a lima e o pé de cabra em boas condições e o Mistério Público sem mais um daqueles casos que se arrastam por décadas e só lixam com F grande quem neles se viu envolvido.

Entretanto, e ainda não refeito do susto por ter sido apanhado com as exportações na mão o nosso Primeiro lá vai electrificando o discurso com o seu leaf azul bebé, enquanto os pobres aldeões da aldeia do Barreiro sofrem uma pernada dos barqueiros do Tejo. E enquanto a nossa ministra da Educação dá o preço por cabeça de aluno, e sua colega da Saúde dá graças ao facto de no primeiro mês do ano já ter poupado dinheiro à conta dos pobres “pernados” contribuintes (que agora para além de sodomizados com a menores comparticipações ainda são simpaticamente empurrados para o privado, onde são duplamente “pernados”) só nos faltava mesmo os usurários virem lamentar-se pelas pequenas descidas nos lucros e desta forma arranjar mais argumentos para soprarem o “spread” mesmo antes do clímax do orgasmo pré débito da mensalidade da casa.

Ora no país real, enclausurado entre esses dois voluptuosos marmelos, com um espartilho dois números abaixo do ideal, afogam-se as nossas certezas e advinha-se um enorme fosso de dívidas. Mal e porcamente, não há traseiro que aguente 7,6% de taxa de juros, por maior ou menor pernada. Isto já nem com lubrificante vai lá, nem mesmo os da Galp!

23/01/2011

...need for change



....se acredita no poder da cruzinha lá no quadrado com a fotografia do dito cujo ao lado, então vá em frente, puxe a alavanca! Votar não dói....em princípio!

20/01/2011

...por que caminhos respiro

Quinta – feira pouco passam das oito da manhã e já a multidão se acotovela em direcção à gare. Como já vem sendo hábito, aceito de bom grado toda a papelada que me dão à entrada da estação. Quando não é a propaganda dos camaradas da Soeiro Pereira Gomes, ou a publicidade a mais uma clinica dentária com promessa de dentes cintilantes de baixo orçamento, lá estão os ajudantes do mestre clarividente, professor Mamadu. O Professor Mamadu promete tudo, desde problemas com dívidas, problemas sentimentais, dores agudas, impotência ou quem sabe prepotência [aí está um político à maneira!]. Ao contrário da maioria dos ambientalistas que acreditam na reciclagem, não tenho por hábito amarfanhar o papel e decorar o chão da rua com mais um papel. Como se aquele fosse o único ou como se não vivêssemos rodeados de lixo urbano e beatas de uma fumarola mais acelerada. Não. Ficam na mala a estagiar e depois são depositados no sítio devido: o lixo papelão. Ok sou uma ave rara, aceite de bom grado este vício imundo de não deitar nada para o chão. Continuando, em passo acelerado á velocidade do som dos carris enquanto o mar serenava o meu pensamento matinal, chego finalmente à primeira paragem e deparo-me com o primeiro matinal. Um senhor agente da autoridade, no zeloso cumprimento das mais altas directrizes, acaba de salvar a economia ao retirar um par de meias a uma vendedora ambulante! Sob o olhar incrédulo e alguma [fraca] contestação sobe em passo determinado rampa acima logo seguida de alguns colegas, qual bandarilheiro com um par de orelhas em trinfo absoluto.

Respirei o ar gélido da manhã e pensei que só podia ser um sonho.

O dia prosseguiu com sempre. Triste e silencioso. Mas nada como um bom discurso político para agitar a alma. O candidato algarvio Aníbal quebrou a rectidão e seriedade do presidente candidato Cavaco que se não fosse eleito à primeira volta, um cataclismo iria abater-se sobre as famílias, sobre as empresas e até [tremam!] os juros da dívida iriam subir!

Respirei o silêncio gélido da minha inteligência e pensei que só podia ser um sonho.

Mas nem tudo foram más notícias. Nem só de tristezas vive este nosso dia-a-dia. Afinal o Tridente já está operacional. O défice poderá apresentar um valor entre 6,8 e 6,9%. Porque tanta tristeza, se os combustíveis hoje não subiram. Porque tanta agressividade se no parlamento o deputado Sérgio Sousa Pinto [com um apelido destes poderia ser parente do sr. Pinto de Sousa] disse que a medida do governo para tornar crime público a violência escolar fazia tanta falta ao ordenamento jurídico com uma gaita num funeral?

Respirei fundo, abri os olhos e vi que afinal não era um sonho.

Photo by: Paulo Dias

09/01/2011

...angels in the early morning

Angels, in the early morning

May be seen the Dews among,
Stooping -- plucking -- smiling -- flying --
Do the Buds to them belong?


Angels, when the sun is hottest
May be seen the sands among,
Stooping -- plucking -- sighing -- flying --
Parched the flowers they bear along.


Emily Dickinson
 
 
Foto by: Quark

01/01/2011

...parabéns MJ



...parabéns Mary John!!

31/12/2010

...encruzilhada

Em surdina, e enquanto ninguém se lembra que tal, fui encher os depósitos das carroças antes que o preço do fardo de palha aumentasse por via do aumento do IVA e do fim da comparticipação aos produtores de biodiesel. Mesmo apesar da variação do euro face ao dólar beneficiar o preço do barril de crude, estou certo que a Galp (produtora internacional de todos os fardos de palha que são digeridos em Portugal e algumas bombas em Espanha) vai mesmo aumentar o manjar asinino logo após as 12 badaladas da meia-noite. Saciado agarrei os arreios e com toda a impedância apontei a cenoura até à grande superfície mais próxima. Estava cheia, para não variar nesta altura de saldos & enganos. Achei delicioso o pormenor de à entrada terem construído uma pirâmide de bolos rei industriais com aspecto de móvel velho lambido com óleo de cedro. Mais espantoso foi ver o escaparate dos preservativos Durex mesmo ao lado das nossas garrafas de espumante travestido de champanhe francês. Mais adiante, os inevitáveis sonhos oleoso, as rabanadas emplumadas de açúcar mais caro e canela das mais barata e as imprescindíveis uvas passa de calibre XXL para dar substância aos 12 largos e desmedidos desejos de início de década. Fritos & alcoólicas ao som das 12 badaladas, as passas do Allgarve e chá de tília para acalmar os fígados mais desprevenidos na manhã seguinte.

Confusão, mesmo grande confusão era a bicha para o marisco:

- “9,99 €/ kg, mas com desconto em cartão!” – não sei tive pena dos bichos ou quem estava disposto a mariscar as últimas finanças do ano numa amálgama de tremoços de bigodes meio congelados e mal amanhados . Satisfação para a carteira, decepção para o paladar. Fiquei-me portanto pela prata da casa e pelo tradicional paté de atum com um derivação de vinho da madeira e resguardo de pasta de azeito. O queijo de Évora também vai fazer pendant com as azevias de grão que a bimby preparou. Para memória futura, robalo no forno com batatinhas acompanhadas com um branco Duas Quintas 2007.

Mas voltemos á brutal realidade dos números, neste “fim de festa” da governação em que nem os reis magros do mercado nos agraciam com a mirra (muito menos o ouro ou o incenso), o nosso Primeiro Herodes depois de degolados os abonos das inocentes crianças deste país, prepara-se agora para o saque supremo ao templo pátrio do contribuinte. Felizes os convidados para a Ceia do Senhor, eis o carniceiro que tira o imposto ao povo.

IRS, IVA, Deduções Fiscais, Benefícios Fiscais, Código do Trabalho, Código Contributivo, Segurança Social. Amén

Rejubilem todos aqueles que foram enganados (os patos bravos que ainda acreditam neste Carcereiro-mor), ele que transporta numa bandeja de prata, o sonho de todos aqueles que ainda esperam a última vinda do messias libertador, o D. Sebastião que nos há-de livrar de Alcácer-Quibir, e de todos os negociadores do FMI. Façam as vossas apostas, será que o FMI ou o Sr. Trichet nos vai visitar no final do primeiro trimestre, será que o nosso Ministro das Finanças vai finalmente poder apreciar o merecido descanso ao sabor de uma peça de fruta enquanto se delicia com o seu ipad no sofá da sua sala. Será que o nosso Primeiro vai finalmente dar o braço a torcer e mudar a retórica de desculpabilização sistemática da crise internacional e vacilar sob a pressão dos números?

Será que alguém de bom senso vai poder votar em consciência nas próximas eleições presidências dada a total ausência de discurso político, diálogo de ideias ou soluções? Vou ser sincero: assisti a apenas um debate, o confronto final entre os dois únicos candidatos presidenciáveis. Que pobreza, que vazio! Não deixa de ser caricato para não dizer aberrante ver dois candidatos discutirem aquilo que não podem fazer mas que insistem prometer, e não falar claramente sobre aquilo que podem e devem fazer. Cada vez me convenço mais que dado o esvaziamento que se assistiu nos últimos cinco anos no papel do Presidente da República, era tempo de termos alguém em Belém que tomasse definitivamente o rumo do País e augurasse um novo estilo de protagonismo.

Mas nem tudo foi mau neste ano que agora se esvazia: mantenho a minha conta fora do BPN, continuo a respirar sem que para tal pague imposto, ainda posso sair de casa sem pagar taxa de ocupação municipal, e ainda tenho liberdade para escolher os ingredientes que utilizo e o modo de os confeccionar sem que a ASAE entre cozinha a dentro com os seus comandos swat.

Ainda consigo arranjar dois metros quadrados na praia de Carcavelos para apreciar uns banhos de sol e ler umas quantas páginas de língua portuguesa com consoantes mudas e pasme-se, ainda consigo ir pedalar no mar do Guincho sem pagar portagem. Por isso não me posso queixar. Nem foi assim tão mau!

Podia ter sido pior, mas o Papagaio sem Penas, essa loja mística que nos ilude e nos confunde deu uma ajudinha, e do outro lado do rio, algures no meio de livros e desapontamentos, um sorriso banhado em lágrimas acordou de um longo sono quimérico. Afinal enganei-me (estranho! sempre pensei que eu e o Cavaco éramos infalíveis e não líamos jornais!?) não te tornaste uma desilusão, apenas uma breve pausa no tempo.

E portanto, é com grande satisfação e maior preocupação que aguardo, as doze badaladas para a nova década. As passas brancas (só gosto dessas!) já estão alinhadas, na firme convicção que as 12 rimas não se transformarão em sete pragas do Egipto, pois de sustos e desilusões já este ano foi pródigo.

Uma boa noite &; boas entradas.

PS: para os incautos e patos bravos apenas um aviso: o Pingo Doce realmente não vai aumentar os preços em Janeiro...e sabem porquê?eh!eh!eh!he!...advinhem!

25/12/2010

23/12/2010

....já perdi a conta às fitas!



....sim é verdade! gata & árvore de Natal simplesmente não combinam!... já perdi a conta às fitas que ela já destruiu e as bolas que roubou. Mas após várias experiências mal sucedidads descobri o antídoto: luzes musicais. Uma espécie de cruzamento entre a Madame Edith e o bardo Assurancetourix em formato natalício! Simples e eficaz.