14/02/2010

...le bois de boulogne

...quando é o próprio chairman da PT que se diz encornado por dois distintos pares, pouco mais há a dizer sobre toda a situação criada em redor de um plano/negócio que acabou num rotundo falhanço!..e isto não vem nas páginas interiores do SOL, não aquelas que não foram publicadas em Angola para não ferir a filha do mayor lá da ZONa que essas foram devidamente censuradas pela liberdade de não expressão do SOL. A este respeito não deixa de ser estimulante ver aqui e ali vozes a pugnarem pela liberdade, e que a providência cautelar do bois da PT era a mais infame tentativa de condicionamento da liberdade desde o fim da ditadura. Afinal de contas o lápis azul funcionou melhor nas impressoras da gráfica!

"Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?" diz a euro depurada Ana Gomes e com muita razão! Mais. Sou a favor de uma instituição que eduque e oriente os bois para o exercício dos seus cargos. O PSD tem a sua Universidade de Verão. O PS devia ter o seu Instituto Politécnico e uma disciplina de Altos Cargos Bem Remunerados.

Depois de ver todo o percurso político [não entendi bem qual!?] e toda a acumulada experiência profissional na área das telecomunicações [também não vislumbrei nada de relevante] dos bois em causa, pergunto ao simples e urbano ou rural trabalhador deste país o que o impede de vir a ser no curto espaço de tempo, administrador da CGD, BCP ou da PT [já para não falar de outras empresas onde o Estado tenha interesses]. Pouco ou nada. Talvez seja mesmo uma questão de ter ou não ter o famoso cartão. Mais. Admito a criação de um cartão tipo multibanco, a dois tons, rosa para os tempos actuais e laranja choque, para os que se prespectivam. É sempre útil e pode pagá-lo em suaves prestações.

...e acho que do resto nem vale a pena falar! Aguardo com frenesim e excitação as próximas partidas de Carnaval!

- § -

...hoje marchámos até ao Ribatejo! O motivo de celebração era o aniversário do responsável máximo, ou aliás um dos responsáveis pelo facto de estar a estas horas aqui sentado a escrever libelos acusatórios relativamente à situação de demência política actual. Depois de reservar uma mesa no difícil Toucinho em Almeirim, lá marchamos em sentido contrário ao do capitão Maia, e foi com enorme prazer que cruzámos a capital do gótico e atravessamos as águas do Tejo sobre um frio gélido. Chegados a Almeirim só houve tempo de dar corda ao sapato e romper a muralha de gente que rodeava a pequena entrada da pátria da Sopa da Pedra. Relativamente ao repasto apenas uma palavra:sublime experiência orgástica!

Nota de rodapé: sim! a pedra saiu-me na rifa! mas eu como sou generoso deixei que o papá pagasse a conta, afinal não é todos os dias que se fazem 70 anos! Parabéns pai!...para a próxima pago eu, mas o vinho tem que ser um pouco mais barato,tá?!!

11/02/2010

...liberdade de impressão

...eu sou a favor da liberdade de expressão, mas também sou a favor do cumprimento das decisões judiciais...mesmo quando são verdadeiros atentados à liberdade! Isto parece uma pescadinha de rabo na boca, mas repastos gastronómicos aparte, a democracia é feita destes dois pequeno pormenores [entre outras coisas que todos os dias são escamoteadas!]. No entanto existe uma máxima que refere que "quem não deve, não teme"!

Aforismos aparte, amanhã não vou comprar a edição do Sol, pois sinto que neste momento, existem coisas bem mais importantes para nos preocuparmos do que simples e meros negócios de bastidores [que por sinal colocam em causa de forma nítida a liberdade de expressão]

Mas ainda assim, penso que apesar do furo jornalístico e de mais uma bronca?? deste governo, não estão reunidas as condições necessárias e suficientes para amanhã comprar o Sol [ a não ser que o brinde que vem com o jornal seja demasiado tentador!]

Não vale a pena insistir com mais argumentação. Com mais salada de polvo, ou mais punhetas de bacalhau, terei sim todo o prazer em comprar o Sol, quando toda esta charada terminar, desde que o brinde valha a pena.

Mas por favor, imprimam-no!!

08/02/2010

...song

I SAW thee on thy bridal day —
When a burning blush came o'er thee,
Though happiness around thee lay,
The world all love before thee:

And in thine eye a kindling light
(Whatever it might be)
Was all on Earth my aching sight
Of Loveliness could see.

That blush, perhaps, was maiden shame —
As such it well may pass —
Though its glow hath raised a fiercer flame
In the breast of him, alas!

Who saw thee on that bridal day,
When that deep blush would come o'er thee,
Though happiness around thee lay,
The world all love before thee.

Edgar Allan Poe

07/02/2010

...a boa e a má educação










...numa visita relâmpago ao site da OCDE, cujos relatórios já foram usados e abusados pela anterior equipa da educação, surge-nos agora um bom documento para análise e relexão sobre metas e estratégias para a educação. Adaptando uma expressão que o Prof Cavaco Silva um dia utilizou ao referir "a boa e a má moeda", resolvi dedicar estas minhas últimas horas de sábado a uma temática que me interessa sobremaneira, visto ser parte interessada, e convenhamos, preocupada



The High Cost of Low Education Performance - OCDE, 2010



O documento em si é um pouco maçudo para se ler com maior profundidade, mas numa leitura na diaoganal retive algumas considerações que explicam algum do insucesso que motiva aturadas e saturantes reformas e contra reformas que os sucessivos governos têm testado na escola pública. De facto quantidade não é sinónimo de qualidade e medidas avulsas não resolvem da noite para o dia, o déficit de competências.


Tomemos por exemplo o Magalhães. Nós temos cá um em casa. É engraçado, estimulamte, prático e é tudo aquilo que eu sempre sonhei ter, mas na altura era impossível. Mas atente-se ao conteúdo da minha afirmação:eu disse "em casa"!!. Não, onde era suposto estar e ser utilizado.

Eis algumas ideias retiradas do relatório:



"Changing schools and educational institutions is, of course, a difficult task. Moreover, countries that have attempted reforms of schools have often found that the results in terms of student achievement are relatively modest. At the same time, the results from countries achieving high and equitable learning outcomes in PISA – like Finland in Europe, Canada in North America or Japan and Korea in East Asia – or from those that have seen rapid improvements in the quality of schooling (like Poland) underline that doing better is possible (...)"


"The basic characterisation of growth indicates that higher cognitive skills offer a path of continued economic improvement, so that favourable policies today have growing impacts in the future. The underlying idea is that economies with more human capital (measured by cognitive skills) innovate at a higher rate than those with less human capital, implying that nations with larger human capital in their workers keep seeing more productivity gains (...)"


"Since the tests concentrate on the impact of schools, the evidence also suggests that school policy can, if effective in raising cognitive skills, be an important force in economic development. While other factors – cultural, health, and so forth – may affect the level of cognitive skills in an economy, schools also contribute to the relevant human capital (...)"


"It is important to understand the dynamics of economic impacts of programmes. Three elements of the dynamics are particularly important for consideration: first, programmes to improve cognitive skills through schools take time to implement and to have their impact on students. It is simply not possible to change learning over night. Second, the impact of improved skills will not be realised until the students with greater skills move into the labour force. Third, the economy will respond over time as new technologies are developed and implemented(...)"


Como já muitos professores têm dito e redito não é pelo simples facto de se utilizarem novas e inovadoras tecnologias que o os alunos vão retira daí melhor partido. No meu entender, ganha-se talvez no facto de se expandir o conhecimento, de se aproximarem de outras formas de pensar, mas perde-se talvez a análise crítica e a capacidade de raciocíonar sem recorrer ao vulgar e pouco recomendável Copy&Paste. Um exemplo disse é o negócio que circula em redor da compra/venda de teses de mestrado e doutoramento, e dos programas que já existem no mercado para detectar a ignóbil farsa. Fazendo uso do maravilhoso Copy&Paste coloco aqui a resposta de um professor canadiano (país bem visto pelo relatório da OCDE) tal como o Carlos Fiolhais a colocou no seu blog:


"Contrariamente ao que é comum pensar-se, os recursos tecnológicos não são importantes para ensinar ciência no Pré-Escolar e no 1º Ciclo. É bem possível ensinar ciências com materiais muito simples que podem ser encontrados na reciclagem, adquiridos em drogarias ou em lojas de hardware. Muito mais importante que isso é investir na formação inicial e contínua de professores. E as actividades desenvolvidas nesta formação devem ser muito similares àquelas que os professores irão desenvolver com as crianças. Isto significa que a formação deve consistir em identificar as ideias erradas dos professores (sim, os professores têm ideias erradas acerca de muitos conceitos científicos) e na resolução de um vasto número de problemas, através de actividades práticas."


Elucidativo.

06/02/2010

...palavras leva-as o vento

Nem sei por onde começar. Bem pensando bem , posso afirmar a pés juntos que 200 euros de incentivo por cada criança que nasça nem sempre chega para o dinheiro que iremos gastar só para a conceber! No meio de prendas, telefonemas, ramos de flores, combustível gasto para ir “brincar”, as horas que saímos mais cedo para o flirt ocasional , ou mesmo o jantar que doeu no momento penoso do “pode trazer-me a conta s.f.f.”, já se foram os meus 200 euros. Para além disso o simples e peculiar facto de só podermos tomar posse do tesouro, 18 anos depois, descontos para o Estado e encargos bancários contabilizados, também são motivos suficientes para continuar a utilizar a camisola de látex. Mais, o pormenor sórdido do jovem ter necessariamente que cumprir a escolaridade mínima obrigatória, esse sim, é motivo para ela tomar uma boa dose de Yasmine, antes de se debruçar sobre o facto prudentemente embebido no mais potente espermicida que estiver disponível no boticário. Já não incluo mais adereços a este cocktail libidinoso, pois aí os 200 euros eram uma miragem.

Mas voltando ao assunto. Não li o Sol, nem folheei [qual dona de casa desesperada]a edição de hoje do Correio da Manhã. Apenas uma medida preventiva do que muito consideram um verdadeiro atentado à dignidade e à democracia. Pessoalmente não me sinto motivado a ler a transcrição das escutas [sou como o presidente do FCP, só acredito nelas quando chegarem ao Youtube, purgatório por excelência do segredo de justiça português].

Sem me perguntarem se fico preocupado. Sim, mas estou mais preocupado com os vendedores de roupa de marca que esta semana não conseguiram exercer a sua ilegítima actividade livre de impostos, porque a polícia insistia em permanecer no topo da rampa de acesso à gare da CP de Algés, a fumar ou falar ao telemóvel. Não que tenha qualidade,[não a roupa!!] mas porque não sou apologista da reserva de privacidade. Sim porque por este andar, passamos a ter as transcrições do nosso José enquanto toma banho, faz a barba ou mesmo quando acorda de manhã e olha para os jornais.

Agora sem me questionarem sobre as afirmações do nosso Silva acerca do nervosismo que reina na AR, aí faço uma pausa e pondero debruçar-me sobre a questão misteriosa dos edifícios limítrofes?....bem, feitas as contas São Bento não fica assim tão longe da AR...

Apesar de tudo, estou curioso sobre um detalhe que talvez tenha passado despercebido. Se no caso do Mário Crespo e afins, se tratou de uma conversa de hotel, em que o nosso José resolveu puxar dos decibéis, no caso das escutas de onde terá vindo o furo jornalístico?de certo que não foi uma escuta na fotocopiadora.

Muito sinceramente este episódico watergate português começa a ter contornos de telenovela mexicana. Por muito menos Nixon demitiu-se, e muito outros político que já passaram pelo púlpito da ribalta partidária se demitiram por assuntos bem menores.

Tal como a Manela disse, será que o José tem condições para continuar a ser Sócrates?

Meus ilustres leitores, deixemo-nos de conjuras e arrepios de linguagem: o nosso José tem duas formas de eliminar os seus problemas e limpar a imagem que neste momento deve estar a fazer a delícia dos restantes jornais europeus e dos arredores (24 Horas incluído). Ou muda de canal quando está sentado no sofá do seu belo Convento de São Bento, ou tira o som quando a Manela discursa (o que não é difícil pois ela agora só fala daquilo que disse no tempo em que pouco ou nada dizia; a outra Manela, a Guedes anda muito ocupada com a lida da casa pois agora não exerce), ou muda para a RTPN quando o Crespo aterroriza, ou muda para o Canal História quando o Medina atemoriza, ou então faz como o seu grande amigo Chávez, manda encerrar e ponto final. Qualquer uma das opções é válidas, menos mudar para o PANDA.

A nossa história recente e menos ainda, é prolifera em coabitações difíceis e amargas entre a comunicação social e o governo da República. Foi assim na 1.ª República, foi assim na 2.ª República, (no Estado Novo não havia problemas), e continua assim na actual República.

Quem nunca disse mal, quem nunca criticou, quem nunca conspirou, fosse num sótão, fosse num banco de jardim ou numa mesa de café, dê então um passo em frente...mas atente ao que pisa!

“Cada um de nós é feito de demasiadas rodas, de demasiados parafusos, de
demasiadas válvulas, para que possamos julgar-nos uns aos outros à primeira
vista ou a partir de dois ou três sinais exteriores. Eu não o compreendo, o
senhor não me compreende e nem sequer a nós próprios nos compreendemos...”

Anton Tchekov

PS: escrevo isto sem utilizar o calhandriçe que é uma palavra que já não ouvia faz agora precisamente dois dias; e contrariamente ao nosso minsitro da despensa aliás,defesa, não estou rodeado de militares para assegurar a prontidão da minha pena!

03/02/2010

...nos tempos da vaselina

...depois de ter assistido aos primeiros minutos do Prós e Contras desta semana, no instante antes do comprimido de Actifed fazer efeito, ainda tive tempo para me rir um pouco dos do autêntico genocídio da política económica do Governo, com particular enfoque nos comentários cáusticos dos profetas da desgraça da praxe. Não que não tenham uma certa razão, mas pelo facto de nenhum deles apresentar a pedra filosofal ou qualquer coisa que tenham o efeito terapêutico próximo ou semelhante à vulgar aspirina [passe a publicidade à Bayer!]. Não quer isto dizer que nenhum deles não tenha à sua maneira, o toque de Midas, pois todo o raciocínio por eles explanado, mais percentagem ou menos devaneio, bate certo com a realidade factual.
Curioso é que todos eles, advogam no seu intimo ou uma perda dos salários, tectos nas reformas mais elevadas [esta assino por baixo!!], sempre com o ponteiro na contenção da despesa. Nem vou discutir pois só restam duas combinações possíveis: ou pela receita ou pelas duas em conjunto, o resto são opções ideológicas.

Entretanto ,enquanto o nosso ministro das Finanças perde os estribos e a paciência com os clientes de retorno absoluto do BPP, e ataca ferozmente as agências de rating [é paradoxal como as mesmas foram a causa da crise mundial e ainda os mercado lhes dá ouvidos!!], diz o velho ditado popular, quem semeia tempestades....moral da história, o credit default swap da dívida portuguesa subiu em flecha [seguro para cobrir o risco de incumprimento] e o "spread" das obrigações do Tesouro Conclusão subiu para valores recorde. Bem razão tinha o Perez Metelo hoje no Jornal da TVI [reparo, só o vi porque estava a ver o Braga a ser eliminado da taça de Portugal]. Isto tudo a propósito de uma coisa tão simples como 0,04% do nosso PIB ou em miúdos, a Lei das Finanças Regionais.

De súbito, sem que nada o fizesse supor e ultrapassada a questão menor do OE2010, a Lei das Finanças Regionais surge como o tema fracturante do momento [e como nós gostamos deste temas!!].

Na minha singela opinião, numa altura em que cabe ao Estado criar condições para que a economia funcione, restringindo a despesa pública que neste momento está absolutamente descontrolada, em que a todos são pedidos sacrifícios, o timing escolhido pela oposição para a aprovação da insidiosa lei, é imoral e profundamente inoportuno. Não faz qualquer sentido. Daqui a um ano, daqui a dois, mas não agora. Independentemente do valor em questão, tudo o que o país não necessita é de uma crise governamental. Se o Governo cai[não por obrigação frise-se! Pois tem condições para tal!] o Pais passa a viver de duodécimos [trocos!], com as consequências já conhecidas e todo o tecido produtivo que depende e trabalha com e para o Estado estagna. A economia pára! Todos sabemos que nesta altura o Estado é o motor da economia. O resultado nem quero antever qual será!

Falemos então da Grécia. A Grécia é um país curioso, de economia pujante a economia à beira da bancarrota num lapso de segundos. Curiosamente, tal com nós o risco de incumprimento da dívida da península do peloponeso subiu ao monte Olimpo, pois o mercado [ as tais agências de rating] não acreditam que a UE vá “sacrificar cordeiros” em honra das vestais gregas. Curiosamente, os espartanos [as agências de rating] também devem ter dado ordens para que a paridade do euro/dólar desça pois acreditam que a UE sempre vai “sacrificar”os tais incautos ovinos.

Sinceramente à primeira não encaixei bem o raciocínio subjacente , mas depois de ler que na emissão da dívida pública da Grécia, a procura superou e de que maneira a oferta, entendi finalmente. Podemos ser feios, porcos e maus, rotos e nus, uns párias e uns desgraçados, mas há-de haver sempre quem nos queira ir ao dito cujo para ganhar uns trocos!..a bem da economia de mercado.


PS:mas aqui que ninguém nos ouve, baixinho...o nosso PM está mortinho por sair do pântano , digam lá?...tenho que faalr baixo senão passo a ser também eu, um problema por resolver!

02/02/2010

....homenagem a uma Rosa

Rosa Lobato Faria

...mais uma rosa no jardim da nossa memória!!

01/02/2010

...no tempo do lápis azul!

Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta
alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria
que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa
e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas
fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o
PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se
inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal
um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é
essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da
informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse
confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo
yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem
contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades
construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em
sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis
procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são
considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser
“um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro
Silva
Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem
contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha
em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo
Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à
sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o
Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a
ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de
Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a
tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia
de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido
sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.


Mário Crespo
VISTO PELA CENSURA

31/01/2010

..ensaio sobre o optinismo

(foto by: João Monteiro)
…pois é assim de relance parece que estamos nos 80’s, ora vejamos, na rádio ouve-se música dos anos 80 como nunca, graças à brilhante M80 [e do bom gosto de quem está do outro lado do microfone!], no quiosque ali da esquina as gordas dos matutino advinham-se duas palavras: crise e despedimentos, para além da vitória do Benfica, e por todo o lado, as janelas estão fechadas com placards “vende-se”. Mas há que ser optimista, estamos no zénite, no pico superior da curva descendente. Como numa montanha mágica ou russa se for o caso, a partir de agora é sempre descer a pique não se sabe aonde. Como diria alguém noutro dia relativamente à situação que se vive no Haiti, também podemos questionar - Haverá um amanhã? Claro que há! Não há que negá-lo. O amanhã é uma incógnita, e a beleza da incerteza reside no facto de podermos sorrir, sem receio da ignorância.

Por falar em montanha russa, gostaria de compreender em profundidade as razões obtusas que levam os homens dos carrosséis a infernizar os deambulantes de Lisboa. Compreendo de sobremaneira o direito à indignação, só não entendo é como é que a segurança pode diabolizada desta forma.

Mas voltando à negação das evidências, temos que olhar para este clima pop, com uma perspectiva mais optimista da coisa. Olhemos os exemplos que vêm de cima, bem, não tanto pois
tenho vertigens. Concerteza que ficamos mais aliviados com o facto de o nosso ministro das finanças ter ficado “surpreendido pelo défice de 9,3%”, em sintonia com outro "marido enganado" , o canditado ao um lugar no BCE, o nosso governador-geral da caixa forte lusitana. Há que ser optimista, viver na ilusão, é acreditar que no extremo do arco-íris existe um pote dourado.

Vejamos a realidade do ponto de vista niilista, mais do que ser optimista é necessário não se ser optinista*. Viver a realidade na abstracção é assobiar, num dia de vento. Não se ouve, não se faz ouvir, e não se sabe quem o ouve.

Hoje comemora-se no Porto a primeira [talvez!?] tentativa de revolta republicana, diz-nos o nosso PM que a República “nasceu na esperança”, é isso mesmo, há que ter esperança que haverá um amanhã. Como alguém me disse esta semana, por vezes as mudanças acontecem por algum motivo. Há 100 anos a mudança começou nas ruas do Porto. Na génese, as palavras em surdina se foram propagando
em rumores que foram tomando forma, e eis que a semente deu fruto. Chegados a esta encruzilhada em que nos encontramos, questionemo-nos não sobre a qualidade da semente, mas de quem moldou a terra, e quem adubou os ideiais que a viram crescer.
Há que ser optimista, mais ainda, optimista construtivo, palavra muito em voga lá para as bandas do Largo do Caldas.

Nestes dias de grande alegria e tolerância, vou seguir o conselho do Padre António Vieira, vou dar um sermão aos peixes e vou afogar as mágoas do meu optimismo, nas “lágrimas salgadas”que o mar me providenciar, mas antes quero consultar o oráculo do meu rating, ná vá o diabo tecê-las!
Para quê consumirmo-nos em apocalípticas conjecturas, se lá fora reina o optimismo no Pais das Maravilhas?

* não vale a pena ir ao dicionário, seria demasiado pessimismo admir a sua existência!

27/01/2010

..a importância de ser assim!



...assim com?! ser rico e poder dizer tudo da boca para fora, da mesma forma que o palito tira aquele pedaço do pastel de batata com espinhas e aroma de bacalhau! Isto vem a propósito da entrevista que o sr. hipermercado deu à Visão [numa banca perto de si, passe a publicidade!]. Já estou a ver a amanhã à saída das caixas do tasquim do dito senhor, os exemplares da revista juntamente com as pastilhas elásticas e os isqueiros de gama baixa.

Como diria um velho militante comunista, desses que ainda empunham a bandeira da foice e do martelo sem temor ou vergonha do passado, é o poder opressivo do capital que oprime as consciências dos mais fracos.

A realidade, está à vista de todos: o reverso da medalha dos ditos descontos que nos seduzem a carteira é tão aliciante como álcool numa ferida. No final de cada talão quando olhamos para o total dos descontos já acumulados, sorrimos mas em boa verdade devíamos era repensar a estupidez que andamos a alimentar. Afinal de contas, a importância de ser assim é uma súmula de "regalias" e "benefícios" para quem lá trabalha [ idem, para outros tasquins da mesma fileira]. Atentemos às promoções no placard de entrada.

10% de desconto da frutaria=salários baixos

20% desconto secção talho=exploração dos trabalhadores (s/ direito a horas extraordinárias)

50% desconto= proibição de actividade sindical ou direito à greve

Esta é a verdadeira importância de ser assim: enquanto alimentamos a gula e a avareza, alguém do outro lado cospe no Poder [que pouco pode!] e arrotar meia dúzia de adjectivos para fazer rir a audiência. Não é um número de stand-up comedy, mas que soma adeptos, isso soma.

A importância de ser assim, é só uma questão de saber usar o poder da arrogância. Resta-nos olhar com igual escárnio...

“Os capitalistas chamam «liberdade» à liberdade dos ricos, à liberdade para
comprarem a imprensa, usarem a riqueza para fabricarem e moldarem a chamada
opinião pública.“

Vladimir I. Lenine

26/01/2010

...tea shirt!


...não é todos os dias que passamos em revista a nossa adaptação personalizada a alguns estrangeirismo que todos os dias nos invadem o prontuário de português, mas obrigado Ana P. pelas devidas correcções fonéticas. Não tenho culpa de falar demasiado depressa em baixa frequência!

..mas não foi por isso que interrompi a minha prova de um tinto alentejano da casta syrah. Estou em pulgas por causa do OE2010, nem dormi bem a pensar no assunto. Lembro-me vagamente de ter adormecido com uma piada num filme e depois só acordei antes do galo dar horas para a entrada da fábrica. Realmente não existe nada mais importante para o nosso futuro imediato, que a leitura exaustiva da pen drive que o nosso ministro vai entregar hoje (tarde e más horas aos ilustre de putados da Nação), isso e o Borda d'Àgua!...por esse facto e a poucas horas do desvendar dos milhões que o Estado se prepara para distribuir e arrecadar, faço votos que desta vez, não se esqueçam de colocar o ficheiro na íntegra. O ano transacto, parece que houve algum lascismo por parte da assessoria administrativa do ministério.

Apesar desta ansiedade contagiante, tão obsessiva quanto o pregões das ciganas na estação de Algés, fico com uma pontinha de saudade daquelas declarações dos representantes do CDS e PSD, depois de mais uma atordoada ronda de negociações sobre as grandes ideias do OE. Nunca se perderam tantas horas,m nunca se comeram tantas pizzas a discutir generalidades, sem nunca discutir medias concretas. Alguém acredita? Eu pessoalmente não, mas acredito que tiveram fraco gosto em escolher pizza, quando têm um take-away Gambrinus a um passo. Desta feita, e para não variar a performance da líder laranja foi o espelho do desapontamento. Se era este o seu grande momento de au revoir, a saída em braços, falhou em toda a linha e mais uma vez demonstrou uma completa inaptidão para conduzir o partido. Já o PP do Paulo, dirigiu a sua estratégia no sentido no esvaziamento completo e absoluto do partido laranja, com a astúcia que lhe é reconhecida. Falou no momento certo e com as palavras bem medidas, tomado um postura dita de responsabilidade, coisa para turista ver. Todavia, uns e outros parece terem-se esquecido das inúmeras bandeiras que ergueram nos últimos meses, adoptando antes uma postura de intransigência bacoca, que pouco ou nada desvirtuará o orçamento que à surdina já estava mais do que negociado. Sim. Acredito tanto no papel estabilizador da presidência da república neste processo, como nas propriedades terapêuticas dos rebuçados Bayard, ou seja nada.

No final de contas, quem vai mesmo ter que baixar o défice dos 8,3 seremos nós ilustres e reputados contribuentes. Logo à noite, o espectáculo vai começar, entretanto..fiquemo-nos pela amostra!

23/01/2010

...o sítio onde todas as coisas começam!...

...acordei a olhar para ela, olhar de anjo num mundo aparte, silenciosa. O sol entrava num impasse, e ali permanecia enclausurado. Vagueei no horizonte, procurando os murmúrios que o tempo anuncia. Nada. Apenas o som do vento que a fria manhã me trazia. Caminhei descalço, e no silêncio dos meus passos, acordou e sorriu...o sol nasceu hoje.

21/01/2010

...bored

...como diria o Woody Allen ao mundo é uma chatice, mas ainda é o único sítio onde se pode comer um bom bife!!

16/01/2010

...pequenos!

..quão pequenos são os nossos problemas quando comparados com a devastação e a tristeza de milhares.

10/01/2010

..pelo passado

"Suavemente, na penumbra, uma mulher canta para mim;

Fazendo-me voltar e descer o panorama dos anos, até que vejo

uma criança sentada debaixo do piano, na explosão do prurido das cordas

E pressionando os pequenos, suspensos pés de uma mãe que sorri

enquanto ela canta.

Apesar de mim, a insidiosa mestria da canção

Atraiçoa-me fazendo-me voltar, até que o meu coração chora para

Pertencer

Ao antigo entardecer dos domingos em casa, com o inverno lá fora

E hinos na aconchegada sala de visitas, o tinido do piano o nosso guia.

Por isso agora é em vão que a cantora irrompe em clamor

Com o appassionato do grandioso piano negro. A magia

Dos dias infantis está em mim, a minha masculinidade

É desencorajada no fluxo da lembrança, choro como uma criança

pelo passado."

D.H. LAWRENCE

08/01/2010

..ladies night

...depois de resolvidos todos os problemas da nação eis-nos finalmente no omega de todas as lutas. A mãe de todas as conquistas, a solução final. Desenganem-se aqueles que celebraram com bolo de noiva e espumante, a tão almejada chancela política para o fim de um dos mais arrepiantes dogmas da nossa cultura ocidental: o casamento homossexual. Por um lado fico feliz, por se interromperem décadas de discriminação injusta e perseguição, para aqueles cuja opção sexual era definitivamente contrária à praxis vulgar. Se houve assunto fracturante, tal como tinha sucedido com o defunto assunto aborto, este era sem sombra de dúvida a última conquista da plena liberdade e igualdade que todos sorrimos numa madrugada de Abril. Forma necessárias quase três décadas em democracia, para a igualdade de direitos tomar força de lei, e os homossexuais deixarem de ser criminosos ocultados na lei. Mas pergunto-me, será mesmo caso para celebrar?...quantos mais décadas serão necessários para quebrar a mentalidade, a vergonha, o tabu, e a discriminação!?...sim porque a discriminação não se legisla. Este é sem sombra de dúvida um primeiro passo. Um passo que tinha que ser tomado, para pôr cobra a uma injustiça sem nome. O debate seguinte suponho que seja a questão da adopção, face à natureza emmental da lei, sim porque nada proíbe que duas lésbicas possam fazer inseminação artificial, e nada mesmo nada pode impedir que um casal homossexual possa legitimamente adoptar uma criança no estrangeiro. O que fará o Estado nessa circunstância? coloca um selo na volta do correio? envia a criança para a Casa Pia ?

Acima de tudo, fez-se justiça, concorde-se ou não se concorde. Não é pelo facto de existir agora a possibilidade de casamento civil entre homossexuais, que os casamentos heterossexuais vão entrar em declínio, ou que a taxa de dívórcios passa a ser uma distribuição potencial, nada disso. Nem muito menos o Apocalipse Now da instituição família, uma espécie de Day After em que a espécie humana é dizimada!! Em boa verdade, o que vai aumentar é assim o negócio dos casamentos no verão e as entradas na Expo Noivos que começa este final de seman!

Quem era contra mais tarde ou mais cedo, vai relegar para antepenúltimo lugar das preocupações o facto de haver duas pessoas do mesmo sexo a contrair um "casamento anormal", e aqueles que eram a favor, vão provavelmente continuar a preocupar-se com assuntos bem mais importantes. Como diria alguém hoje e muito bem, quem somos nós, eu e tu, para definir qual a opção sexual de cada um, quais os direitos e deveres direitos, o que é correcto e moralmente aceitável numa relação entre duas pessoas que se amam. Afinal de contas, é crime ser-se homossexual? é doença?...Não!

Estivessemos nós na Roma Antiga, ou ilha de Lesbos, nada disto faria sentido, mas mesmo nessa altura haveria quem olhasse de soslaio e com repulsa para os ditos comportamentos desviantes. Mas disso se encarregou a doutrina judaico-cristão com uma mãozinha da fugaz passagem dos mouros na Península. Na Idade Média eram doutrinados nos cárceres e nas fogueiras da Santa Inquisição, aliás os homossexuais foram sempre o alvo predilecto de todas as tiranias no último século...heróis resistentes!...por isso entendo e comungo da vossa celebração. Posso não concordar com a forma, mas admito a substância e sobretudo admiro a vossa coragem.

Já não acho particular piada a exposição fotográfica dos orgasmos da Clara Pinto Correia, talvez os pombos nas fachadas da decrepita Praça da Figueira sejam mais estimulantes!Digo eu!

Alguém ainda se lembra do tempo em que a Igreja queria impedir o casamento civil? Ou do tempo em que era necessário consentimento do pai para a noiva se casar?....

E mais não digo, quem quiser reclamar tem 90 dias após o Processo Preliminar do Casamento no civil para expressar as frustrações e indigestões que o tema causa. Foi assim com o aborto e agora ninguém fala dele.

E agora? do que é que falamos!?...pode ser o resto dos problemas que nos afectam!?

05/01/2010

...cantar os Reis

...e depois depois da rabanadas, filhoses, sonhos e presentes do Natal,o cantar dos Reis..é uma daquelas tradições que os mundanos indígenas da cidade desconhecem, mas que todo aquele que se orgulha das antigas tradições não pode deixar de relembrar...

..para além disso, e como o povo diz e muito bem, quem canta seus males espanta!!...

03/01/2010

...vagas silenciosas

Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Démons et merveilles
Vents et marées
Et toi
Comme une algue doucement carressée par le vent
Dans les sables du lit tu remues en revant
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Mais dans tes yeux entrouverts
Deux petites vagues sont restées
Démons et merveilles
Vents et marées
Deux petites vagues pour me noyer.

Jacques Prévert

02/01/2010

...buuu!

I dreamt a dream! What can it mean?
And that I was a maiden Queen
Guarded by an Angel mild:
Witless woe was ne'er beguiled!

And I wept both night and day,
And he wiped my tears away;
And I wept both day and night,
And hid from him my heart's delight.

So he took his wings, and fled;
Then the morn blushed rosy red.
I dried my tears, and armed my fears
With ten-thousand shields and spears.

Soon my Angel came again;
I was armed, he came in vain;
For the time of youth was fled,
And grey hairs were on my head.

William Blake
foto by: Nuno Bernardo

01/01/2010

...rise of a new dawn

...2001 foi bom!

...mas este 2010 começa bem!!

...resta saber como é que vai acabar!

...e mais não digo!...


...?