15/05/2010

...respiro

Respiro o teu corpo:

sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


.Eugénio de Andrade

Foto: Alexander Kharlamov

09/05/2010

..campeões!

...é só pra informar que o Belenenses ganhou ao Benfica no final da Taça de Portugal de Futsal e que o Sporting de Espinho ganhou ao Benfica no ´´ultimo jogo do campeonato de voleibol e sagrou-se campeão nacional!
..como final de temporada de destacar ainda a subida do Portimonense ao escalão maior 21 anos depois e a ida do Marítimo à Liga Europa. Na fórmula 1 o australiano ganhou o Grande Prémio de Espanha e no Rali da Nova Zelândia uma brilhante de Jari-Matti Latvala (Ford Focus RS)!...acho que de resto nada a salientar! Ah é verdade o tenista português ficou em segundo lugar no Estoril Open, torneio ganho pelo espanhol Albertio Montales.
O espaço aéreo português continua condicionado em algumas rotas, mas quando ia a passar no final da pista principal à pedaço aterrou um avião da BA!
...por último, andava muito carros a apitar por Lisboa agora à noite!...provavelmente algum clube de um bairro conhecido de Lisboa?

...última paragem: Berlin

..há 65 anos estes rostos entraram num mundo novo

...sala de espera



Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.

Bertrand Russell


...parto com uma frase do filósofo para depois atravessar uma ponte para mais além. Passei a semana doente, mas como a vontade de ir ao médico é algo que não me atrai de sobremaneira, decidi enfrentar a minha estupidez e ir ao hospital. Sim porque, não tenho o centro de saúde de Tuy aqui às portas, e o que tenho não tem consultas de urgência e ao sábado simplesmente fecha [também têm direito!]. Dado que a probabilidade de encontrar o hospital público mais próximo apinhado de pretensos & doentes nesta altura do ano em que o Inverno se sobrepõe à razão da primavera era enorme, não liguei à ameaça das cinzas islandesas apanhei o voo para o Hospital da Luz [lugar de peregrinação no ano passado!]. Quando lá cheguei e depois de estacionar o carro no parque coberto [nos hospitais privados os doentes entram secos no atendimento permanente! no estado apanham chuva mesmo com parque de estacionamento!] fiquei logo convencido que a estatística que utilizei era a errada, afinal ali também eram muitos os peregrinos! Bem, a vantagem é que a sala de espera não tem uma televisão com um autocolante a tapar os botões e não está a dar a programação super interessante [vulgo canal Panda e/ou programas de entretenimento das tardes em que as pessoas são enxovalhadas em directo, chora-se e fala-se da vida alheia!]. Não ali era mesmo o canal da casa. Uma espécie de Millenium TV versão Espírito Santo, mas melhor! Também a vantagem, é que ninguém grita, os vidros são à prova de som e respira-se um ar de serenidade tal que tão depressa como me sentei no sofá individual[frise-se!!] de pele, mais depressa passei pelas brasas. Isto claro depois de passar pela triagem de Manchester. Primeiro reparo ou curiosidade: porque é que todas as “assistentes” [chamemos-lhes assim pelo traje e pela postura] parecem sido seleccionadas de uma agência de modelos!? Simpatia não lhes falta e o sorriso parece mais imposto do que natural. Não que o cliente não goste, digamos antes que vem mal habituado do SNS!! E o que dizer deles?...parecem nerds formatados, com uma cassete bem decorada, tão profissionais que apetece fazer-lhes aquela pergunta não esperada para ficarem bloqueados no raciocínio. Não que esteja a ser mal agradecido [aparento já sei!] mas um pouco mais de naturalidade não lhes ficava mal. Adormeci, mas ainda acordei a tempo. Foi um momento zen ao som de Sade que quebrou a minha resistência. Ao meu lado, uma jovem contava cordeirinhos. Alguns minutos antes de chegar a minha vez pedem-me para entrar noutra sala de espera em frente aos gabinetes e informam-me que sou o próximo. Melhor do que isto só num cruzeiro no mediterrâneo. Entrei e dei de caras com um jovem do país vizinho que de português nada sabia, mas que teve a honestidade de confessar a dificuldade de qualquer espanhol aprender línguas. Deu-me a espátula em jeito de gozo pelo facto de ainda [nesta avançada idade] não gostar que metam nada na boca [dá-me vómitos!!, também tenho direito!!]. Resultado final: 2h53 minutos em ambiente controlado, cartão Multibanco a ferver [tive que pagar a caução pois era a primeira vez que utilizava o cartão do seguro de saúde!] a somar a isso 3 euros e uns cêntimos para não molhar a farta cabeleira & uma série de conselhos simples para debelar o vírus anormal que decidiu estragar-me a semana!

Mas mesmo com estas mordomias & qualidade do serviço à disposição, ainda persistem “pessoas” que reclamam por tudo e por nada, pelo facto de estarem muito tempo à espera, pela temperatura do ar condicionado et cetera. Chegam mesmo ao ponto de tentar por todos os meios [com um descaramento imbatível] condicionar a lista de espera e entrar antes de tempo!...Compreendi então o motivo dos sorrisos forçados. Haja pachorra!...

Mais além....sem sombra de dúvida. Não há cabimento nem razão plausível para o cancelamento da assinatura do contrato com o consórcio Elos, afinal de contas quem iria pagar a conta dos croquetes e o aluguer do espaço!? E a comida que se estragava? Mas agora fora de brincadeiras, soa-me estranho o facto de o Governo decidir avançar com a assinatura da primeira parceria público-privada e colocar entraves [reponderação] aos restantes troços, já para não falar no congelamento do NAL. Mas se as estimativas estavam feitas, e tudo apontava par o sucesso das empreitadas e o enorme reflexo nas contas públicas e no desenvolvimento do país, qual a dúvida agora!?...eu digo: construa-se um novo aeroporto, faça-se a ligação Lisboa-Caia, Porto-Vigo, Porto-Lisboa e outras tantas...mas por favor, em bitola europeia! Ligue-se o porto de Sines à Europa, invista-se no mar, lugar primeiro da nossa epopeia, morada última do nosso desenvolvimento. Mas com a necessária e devida ponderação.

05/05/2010

...quantos??


...para a minha mais que muita!!...com muito amor!

02/05/2010

...crónicas do bisturi


..eu sei! eu sei, é só na terça feira!!...mas aqui vai o meu contributo para a rápida recuperação!!...já sabes! sem stress, sem pressas!!...Lagos podes esperar! e o resto também!...
...entretanto podes aproveitar o tempo ver esta peça da mais pura e refinada ironia! e se entretanto tiveres tempo o que deu hoje de manhã está igualmente interessante!!


...e já sabes se a enfermeira trouxer um balão e pedir para o assoprares, tem cuidado...não é a anastesia! é ela a distrair-te para a pancada que vai levar na corola do tipo de bata verde e sandálias de borracha de cor verde!...

01/05/2010

..1º de Maio

1.º de Maio dia do trabalhador. Acordei com o fogo de artifício, esse anúncio da alegria que se ouve por estas bandas em apenas 3 alturas do ano. No 25 de Abril, hoje e na Passagem do Ano. Este ano, por demais evidente, é um altura em que o emprego ou melhor o desemprego, andam nas bocas do mundo. 10,5% de taxa de desemprego aqui, 20% aqui ao lado na vizinha Espanha. Dá que pensar. Haverá motivos para celebrar? não seremos nós [os empregados] espécie em vias de extinção? Quantos de nós pensa que segunda-feira terá o lugar assegurado?...

Hoje comemoram-se igualmente os 16 anos do desaparecimento de um mito!...Saudade!

26/04/2010

...vaudeville

Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo [dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de [consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das [igrejas
Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece


Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"



...pergunto-me mesmo se não seremos todos nós os arrojados idiotas! Este poema ocorreu-me depois de prescutar com alguma atenção alguns dos comentários na já longa e dispendiosa sessão do inquérito que decorre na AR. Seremos nós os idiotas que ouvem serenos, tamanha manifestação de desprezo pela causa pública. Que outros tantos números de magia nos esperará esta [mais uma!] comissão de inquérito? Que brilhantes deduções inconclusivas se extrairão dos autos [de pouca fé!]. Interrogo-me mesmo se não será tão enriquece dor ver todas as telenovelas da SIC e da TVI, me vez de ouvir as verdadeiras interpretações naquele palco. Que mais incidentes processuais terei eu que gramar?...bem é simples eu sei, basta mudar de canal!...pois mas o problema é que quando o copo enche, e a esfregona já não é suficiente, o espectador começa a interrogar se os artistas valem o cachet que lhes foi oferecido e se não estará na hora de mudar o vaudeville!...e porque não um número de atiradores de facas com olhos vendados!?...talvez surtisse mais efeito!?

25/04/2010

..e o povo pá!

...esta música é dedicada a todos aqueles que amanhã vão acordar cedo para ir trabalhar, com uma greve [justíssima] dos trabalhadores da CP, e com um sorriso amargo de orelha a orelha!...

...pensamento positivo, depois de amanhã já só faltam mais 4 dias de trabalho, depois é o 1.º de Maio, no fim de semana, como de resto acontece com alguns dos feriados deste triste ano!...triste mesmo!..é só mais um esforço!

...25


..bom dia LIBERDADE
...tudo foi feito, mas muito mais haverá por fazer!

..aqui há 36 anos atrás!

«Aqui posto de comando do Movimento das Forças Armadas.

As Forças Armadas portuguesas apelam a todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas, no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os Portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja, sinceramente, desnecessária».



...a partida dos bravos

...e o povo sai à rua para ver a liberdade a nascer naquela madrugada

«- Senhor Presidente, a Revolução está na rua!»

24/04/2010

...o último anoitecer da ditadura



...e assim rezava a história de um país triste e cinzento!

22/04/2010

...infelizmente, cada vez mais!

...a hora dos bravos, a hora dos que não ficaram calados, dos que quiseram cantar mais alto! Como cantou o poeta cantador José Mário Branco, a cantiga é uma arma, e naquela madrugada longínqua, o canto foi o detonador para algo maior. Algo que hoje muitos esqueceram, e muitos outros infelizmente, não compreedem!?

Hoje enquanto passava pelas letras do que o mundo me contava vi um ex-presidente da república afirmar o óbvio..."que o 25 de Abril fracassou na resposta às aspirações dos portugueses". Isso vê-se, sente-se, respira-se! E, infelizmente, cada vez mais!...

Talvez não seja esta a hora de nos deixarmos arrastar pela desmotivação ou pela apatia. Muitos foram os bravos que se sacrificaram pela nossa liberdade, pelo facto de eu poder escrever com algum à vontade, por eu poder pensar e expressar as minhas ideias, sem temer pela vida. Sim temer pela vida,temer pela pequena janela de liberdade de poder sentir o sol e o mar sem ter de eprmeio as barras da opressão. Antigamente era assim, infelizmente. Para quem ainda se lembra, poucos, cada vez menos, infelizmente!

17/04/2010

O Cume Manso


...o que é que o arenque fumado tem a ver com o fervor jacobino da actualidade? Tudo e um pedaço de nada.... um pouco a começar pelas cinzas que um buraco na crosta terrestre cujo nome só me arrepio de pronunciar dada a dificuldade em traduzi-lo para o português suave do novo acordo ortográfico [içi!]Como se não bastasse o facto do islandeses só terem parido a Björk e o bacalhau, e nada mesmo nada poderem oferecer ao mundo civilizado cá deste lado, e pior do que isso, se recusarem pagar a bancarrota do país dos pescadores, nada de melhor do que agora virem estragar a visita de Estado a Praga do nosso Presidente & notabilíssima comitiva, e empestarem os céus da Europa [a Europa a sério! aquela que tem a dívida pública controlada!] com um cheiro nauseabundo a ovos podres. Não tivemos a greve dos pilotos que iria desgraçar definitivamente a situação financeira da TAP, mas temos uma nuvem piroclástica que está a deixar os controladores de tráfego aéreo numa estranha sensação Zen, e o pessoal de terra com os nervos em franja. Que o digam as senhoras que lavam as casas de banho públicas no nosso aeroporto!
Tenho uma amiga que neste momento deve estar mal amanhada com um francês à pressão no meio de algumas palavras de português, com os nervos em franja e uma vontade enorme de passar a fronteira portuguesa com a mesma celeridade com que apanha o comboio [sem ser pisada]. A ela e ao nosso Presidente Aníbal e sua esposa que tão generosamente deram uma esmola de trocado aos artistas que tocavam na ponte Carlos, desejos de uma boa viagem. É sempre bom receber os nosso compatriotas que andam lá fora a ganhar a vida! É dura esta vida de emigrante mas as vistas são boas! Não se esqueçam é de ser mais generosos para com o motorista!

Mas eis que de repente, o nosso governo jacobino, que tanto empenho dedicou na retirada de todos os símbolos religiosos de tudo que fosse edifício do Estado [falta provavelmente as chagas de Cristo na bandeira nacional!?], e que igual frenesim apostou nos temas fracturantes que encheram os jornais, as revistas de cordel e a blogosfera, sempre com o fino propósito de restaurar o socialismo moderno contra a vontade e doutrina da sacro santa igreja, sobe ao púlpito e oferece uma folga aos funcionários públicos por altura da visita do Santo Padre! Cai o Carmo e a Trindade, a CGTP, a UGT e até o ex-sindicalista actual patrão da CIP! Eis que de repente todos os cento e tal mil que geralmente enchem as manifestações em Lx e mais os restantes se unem contra a benesse do governo, e numa singularidade matemática [está é boa para o Pearlman desvendar!!] decidiram contestar veemente tamanho pecado governamental. Um verdadeiro assomo de intolerância por parte das confederações em vésperas da visita de Sua Santidade, logo numa altura crítica para a Igreja Católica. Alguns “padres” levaram a séria a expressão do crime de colarinho branco e durante anos a fio, conduziram uma série de crimes estúpidos e cruéis, um pouco ao jeito dessa figura iconográfica do padre Frederico, herói televisivo na praia de Copacabana. Pena é terem sido denunciados só agora [tarde demais!] face à demora [?] do tribunal eclesiástico da Santa Sé [um pouco à semelhança com o que se passa com a morosidade da nossa justiça]. Pouco ou nada se fez, muito terá ficado emparedado no muro de silêncio confessional, parte por ventura nas catacumbas da vergonha. Mas olhemos bem para a onda e o sentimento que se vive um pouco em cada pedaço de conversas soltas e notas divagatórias sobre o assunto. É uma mancha que se espalha a uma velocidade vertiginosa. De tal forma que a generalização passa a ser arma corrente dos pobres de espírito. Pedófilos há os em todas as classes sociais, credos religiosos e profissões. A pedofilia é um crime mas não tem um rosto definido. Infelizmente os frescos da Capela Cistina e o mármores que Miguel Ângelo legou ainda não inspiraram a divina providência da Santa Sé. Seguem-se as declarações infelizes de alguns ministros da igreja e certamente um perdão tardio. E puor si muove...mansa, como algumas tias, dizem!

Mas como diria o outro,o povo é manso...e as tias também, segundo dizem!

(Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico, e ainda bem!)

11/04/2010

...sabe sempre bem ouvir

...já se ouve, já se sente, não quem não pense!...

10/04/2010

...corruptione

...duas ou três ilustres políticas como a ilustre deputada Cidinha Campos, eram o suficiente para acabar com o orçamento astronómico da nossa Assembleia da República, as reformas vitalícias após um mandato [escândalo para quem trabalha uma vida inteira e no final tem direito a uma miséria!], com os subsídios para as viagens semanais de alguns deputados [morar me Paris é uma maçada, convenhamos], já para não falar nos milhões gastos em submarinos que aparentemente dão problemas e ainda não estão a submergir o nosso mare nostrum, prémios a alguns reputados gestores públicos [cuja obrigação é servir e não servirem-se!], para não falar de outros tantos desperdícios que um pouco por todo o lado mancham a dignidade de quem trabalha, de quem está longe da família para servir condignamente o Estado e para quem pouco é melhor do que nada!...pena é ter escolhido o Brasil para viver. Seja bem vinda senhora deputada, tem aqui um pais para desbravar e limpar!!...sujeira há muita, né!?

PS: por cá temos uma versão chamada Cravinho, mas foi cuidadosamente silenciado com um cargo bem longe!

06/04/2010

...400 km para isto!

É reconfortante sentir o som da concertina e o chocalhar do compasso pascal, monte acima que ao longe o foguetório anuncia a vinda de um outro tempo que só ali se encontra.

...ouvir o som do cuco que a manhã nos traz!


..sentir a azáfama da Páscoa que se aproxima, o frenesim dos passos a subir escadas acima par poder receber e dar mais ainda!

Que bom é ouvir o silêncio da chuva e deixá-lo encher gota a gota a saudade que a sua memória nos traz. Essa memória que os mais velhos cantam nas estórias de outros tempos e que nos enchem de sabedoria a cada passo do tempo que, ali parece pairar nas brumas...

Que bom é ouvir apenas e somente os nosso passos, por entre paredes que espreitam por entre as janelas...


..enquanto as águas do rio brilham o sol que se põe no infinito, para além do que os nossos sonhos nos transportam.



...é sempre bom voltar a sentir o pisar leve do chão de granito, que nos aquece a memória de letras passadas !

...para o ano tudo será igualmente diferente, mas o sentido esse não se apaga!

02/04/2010

..o rio que o poeta namora



"Os rios são poetas a cantar!.../ Ah! cantam, cantam sempre, são troveiros, / Que vão passando a vida a namorar/ As folhas predilectas dos salgueiros!


Teófilo Carneiro, Poesias, 1952

30/03/2010

...por uma boa causa

..semana maior

...tirando as inevitáveis e sempre bemvindas férias do Verão [a propósito falta muito?], a Páscoa é sem sombra de dúvida a altua do ano mais importante do meu calendário pessoal. Para além dos motivos óbvios que se prendem com a herança judaico-cristã, a Páscoa é acima de tudo uma época de reflexão e introspecção interior. Olhando para trás, entendo por que caminhos trilho e que rumo devo seguir. Chegado a este porto de abrigo da consciência, mergulho nos os altos e baixos com maior clareza e com o leve traço do carvão desenho os dias que se aproximam. São apenas 3 dias, mas são o ponto de partida e um ponto de chegada.




...uma Santa Páscoa para ti!

27/03/2010

...never underestimate the power of stupid people


Aparentemente ontem amanhecemos monárquicos. Não sei se é sintoma do défice de credibilidade política ou antes de falta de qualidade das gentes política, mas certo é que por momentos o azul do céu brilhou mais alto, lá em cima, bem perto do fálico memorial à cidade de Lisboa que o nosso Cutileiro nos agraciou.
Ontem aparentemente também foi um dia diferente. Logo de manhã penduram mais um retrato [afinal ela ri-se!!] da ex-presidente do partido laranja, não sei se no corredor do hall da entrada do palácio de São José à Lapa ou se na escadaria de heróis caídos que dá acesso ao gabinete do actual, novo e melómano Pedro Passos Coelho. É engraçado ter um presidente de um partido com lições de canto. Esperemos que não seja o canto da sereia, porque dali, daquele saco de gatos como o Alberto dixit, imolam-se líderes promissores. Confesso a minha contida euforia pelo resultado, digo contida pois ainda há muito cotão no soalho para limpar. Dando o benefício da dúvida, os próximos meses, ou quiçá semanas serão determinantes para o jovem novel presidente. Mas o desafio é aliciante, senão vejamos: à alguns meses atrás estávamos com uma economia pujante, a crise que lá fora fazia mossa, por cá apenas chamuscava ligeiramente o governador do BdP, por causa de dois pequenos bancos que ninguém se lembra [um deles parece que vai falir??]. Entretanto vêm as eleições e passados mais uns 3 meses eis que afinal estamos perante uma urgência nacional, uma espécie de salve-se quem puder à vista desarmada com um primeiro ministro que não bastasse os escândalos onde se vê directa ou indirectamente envolvido, perdeu completamente a credibilidade [este adjectivo não sei se será o mais adequado?]. Se nos debruçarmos-nos atentamente para as medidas que o actual [por enquanto!!!] governo tomou desde que tomou posse, somos invadidos por uma série de interrogações.

Primeiro surgiram com aquela ideia peregrina de criar uma conta com 200 euros [uma espécie de lotaria para os incrédulos] para entregar aos papás babados. Claro que com umas condições especiais, mas isso ficaria para outra oportunidade. Depois montaram tendas aqui e ali [menos na Ota] para anunciar os megaplanos que iriam salvar Portugal do isolacionismo a que estava votado. Faltam-nos auto-estradas, sem dúvida, e necessitamos urgentemente [como de pão para boca] de um novo aeroporto e de um conjunto alargado e massivo de linhas de alta velocidade., para que os nosso amigos de Madrid e Huelva possam vir tomar o pequeno almoço ali ao quiosque da Gare do Oriente e já agora um perninha até ás praias da Costa da Caparica [não sem antes saborearem a bicha na 25 de Abril!]. Entretanto, e continuando na saga do nepotismo, incompetência e bazófia barata, chegaram à conclusão que afinal sempre ouve um Primeiro-ministro que fizesse melhor do que o próprio Sócrates em termos de défice e desemprego: o próprio. Arranjou-se um conjunto de medidas circunstanciais de apoio à economia e responsabilizou-se a crise internacional pelas maleitas do défice público. Com uns toques de marketing desenxabido, e uma artifícios de natureza pouco credível, montou-se a tenda e lançaram-se novos mega-negócios das energias renováveis, como isso fosse a tábua de salvação desta nossa jangada de pedra. O problema foi mesmo o maldito do locutor que acabou por estragar a festa do croquete ao trocar a posse e a dignidade que o momento impunha pela sátira e a paródia [Never underestimate the power of stupid people!!]

Mas tão avassaladora como as mudanças no triste e errático Código Processo Penal, ou as bolinações na política da educação, é o facto de na actualidade, ficarmos com a nítida sensação que este PM está mais interessado em aproveitar as saídas oportunas para compromissos de última hora, ou introduzidos à pressa na agenda [et pour cause?) e fica ainda um indelével impressão [tipo moinha!] que anda a fugir aos jornalistas[esta já sabemos bem a causa!]. felizmente ao não, temos um ministro das finanças, que no meio da embrulhada do novo executivo, é aparentemente o homem do leme. Goste-se ou não se goste, o PEC está aí. É necessário, e poderia ter ido muito mais além. Talvez não fosse mesmo necessário comprometer o futuro imediato das camadas mais necessitadas da população se tivesse havido coragem para ir mais longe em matéria fiscal no tocante às mais valias bolsistas [talvez resida aqui a parcimónia e noblesse do voto de confiança dos banqueiros?!].

Para os mentores e defensores do actual aparatchik aqui vão alguns inúmeros ilusórios da dívida pública [melhor só mesmo a indisciplina nas escolas!]:

2004: 62,9% do PIB
2005: 68,3% do PIB
2006: 69,9% do PIB
2007: 69,1% do PIB
2008: 71,3% do PIB
2009: 80,6% do PIB
2010: 87,7% do PIB

Em 2013 logo se verá!?

Ama-se ou deteste-se [o PEC! não o Sócrates] é com ele que iremos conviver nos próximos 4 anos, isto se entretanto lá para as bandas da longínqua Europa não houver alguma implosão maior do que a pobre Grécia! Afinal de contas os Gregos aldrabaram toda gente e aqui apenas um punhado de adeptos [pelos vistos a minoria relativa que governa!] o foi! A pergunta que paira é se existe mais alguma grécia encapotada?

Fora isso, e com mais ou menos chuva, as nossas finanças estão bem e recomendam-se!!

21/03/2010

...primavera

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.

Miguel Torga
...que venha! e que traga o calor que o inverno roubou, e o sol que o tempo esvaziou!

18/03/2010

...anjo da guarda

(foto by: blandisca)

...escrevo estas palavras num período de praia-mágoa como diria Pessoa. Algo se passa no horizonte, mas por mais distante ou menos claro que seja o ondular do mar, o fim não se advinha e o presente não se retrata. Ainda invocando o poeta que escreveu um dia:



O sonho é ver as formas invisiveis
Da distância imprecissa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, praia, a flor, a ave, a fonte-
Os beijos merecidos de verdade.



Também eu anseio por essa capacidade de entender o que as pedras ocultam, e o que o vento sussura incessantemente.
Por onde andas tu meu anjo da guarda?porque obras e esforços intérpidos me silencias o caminho e apagas o sentido da clareza?

03/03/2010

...não respondo

Estou e não me respondo.
Assisto. Em mim se decide
um inútil afã e se some
a vida que me preside.

E passo, ainda... Meu nome
há muito não coincide
comigo se estar se consome
e tantas vezes me elide.

Me move o tempo mais frio
de tanto pranto afogado
num quase mito de mim.

Vou morando em desvario
quase em sonho inaugurado
para um começo, meu fim.


Maria Ângela Alvim
(foto by: Catarina)

02/03/2010

...palpitar

quando a noite curva os ombros
mergulhando-nos nas coisas
apagando o espaço
que busco no teu corpo

porque me deito sobre o teu ventre

encosto o ouvido
ao pulsar do seio
queimamo-nos lentamente
para acender o sol

António Borges Coelho


(foto by: João Neto)

01/03/2010

..numa gaiola de vidro

Como paredes através das quais
o mundo vemos pelo ser dos outros,
quem vamos conhecendo nos rodeia,
multiplicando as faces da gaiola
de que se tece em volta a nossa vida.

No espaço dentro (mas que não depende
do número de faces ou distância entre elas
nós somos quem nós somos: só distintos
de cada um dos outros, para quem
apenas somos uma face em muitas,
pelo que em nós se torna, além do espaço
uma visão de espelhos transparentes.

Mas o que nos distingue não existe.

Jorge de Sena


(foto by: José de Almeida & Maria Flores)

28/02/2010

...panelas & tachos com pouca cousa

(foto by: DDiArte)
A distância pode condicionar o modo como observamos o objecto. Se nos distanciarmos certamente que veremos com melhor clareza a face oculta que se disfarça no esboço que tentamos perscrutar. Todavia,à medida que nos afastamos da realidade, a clareza das ideias funde-se no emaranhado de contradições que a tela nos provoca. Será que apenas uma face, ou uma imensidão de faces que se revelam a cada pormenor reavivado?

Vem isto a propósito do renascimento da famosa carta que o administrador BCP A. Vara guardou silenciosamente na sua secretária, e que a fazer fé nas suas palavras ali permaneceu silenciada.

Este simples facto per si não quererá dizer anda, apenas o detalhe de vir agora a lume um mero número de telefone. Mas se adicionarmos ao melting pot as declarações do sociólogo António Barreto nas entrelinhas do Expresso deste fim de semana ["há pessoas a ganhar fortunas para vender informações em segredo de justiça"], talvez ai comece a fazer algum sentido o porquê dos sucessivos ataques à magistratura com especial enfoque no nosso Procurador-geral. Ab initio as fugas de informação só podem ser oriundas de quem está dentro do processo. Lógica oblige.Mas no meio de tanta pureza de linguagem, de tanto mistério em redor das lutas entre o Ministério Público e o Supremo, o que falta mesmo é um juiz de Aveiro com tomates para vir ao terreiro explicar os vícios que padece a virtuosa liberdade de expressão e o malfadado estado de direito.

Mas não deixa de ser curioso que o facto de só agora entrar em cena a misteriosa personagem cuja pena alertou (ou quis alertar o nosso PM). Fica no limbo uma indelével pergunta: quem é a misteriosa personagem que já veio desmentir tudo? e que ainda não foi tida nem achada?

Entretanto e num outro "edifício anexo" da nossa magistratura de dissemelhanças, prosseguem os trabalhos da Comissão de Ética, cujas explicações dos ilustres convidados, tenho acompanhado com a voracidade de um pacote de pipocas na sala de cinema. Aliás, confesso que fiquei fã do ex-administrador da PT ex-não Representante do Estado que esta semana nos presenteou com uma panóplia de interjeições no mínimo evocativas do seu estado de espírito e uns apartes que deixaram os deputados do PC e BE com os nervos em franja. Se nas suas palavras aquilo foi dignificar a AR, vou ali e já me venho. Brilhante foi sim a sua arte da fuga. Não foi preciso recorrer a essa peça magistral da Bach para subentender nas suas parcas palavras un petit peu de não sei de nada, não me lembro, não era bem isso, e aquela repetitiva frase que o Zeinal e o chairman Granadeiro poderiam explicar melhor. Ou seja, com mais aperto no nó da gravata ou bufar de tédio pelo tempo gasto naquela estupada, haveria algum figurão que o precedesse e que por certo iria explicar melhor aquilo que lá andava a fazer.Confesso que fiquei com a nítida impressão que era qualquer coisa parecida , uma espécie de tacho com cousa nenhuma.

Depois do eterno candidato ao nobel da literatura José A. Saraiva o digníssimo sensei do falido ou ex-falido Sol, ficamos coma ideia que se não vivemos na Sícília como o Alberto João disse, devemos estar bem perto do calcanhar da bota. Pelo menos na Sícilia as famílias da noiva tinham a tradição de ostentar orgulhosamente os lençóis manchados de sangue após a noite de núpcias. Aqui na AR nem sangue nem cabazes de fruta para animar a malta . Um bouquet de flores brancas, uma aura de virgindade fétida nas poucas virgens que lá se sentam e pouca razoabilidade nas declarações. Talvez não fosse má ideia começar a fazer umas acareações entre algumas das ofendidas, pra conferir alguma verdade pornográfica à cousa. Olhem por exemplo, aproveitando o espaço do antigo Animatógrafo, outrora palco de eventos de igual monta.

Mas enquanto na AR se brinca às comichões de averiguação. No Parlamento Europeu, a coisa pia mais fino. Que o diga o nosso ilustre desconhecido Presidente Herman Van Rompuy (com o seu “carisma de esfregona”) que esta semana teve o privilégio de ser agraciado com uma actuação burlesca ao velho estilo britânico. A vossa atenção para o vídeo abaixo:







Continuando para as bandas da Europa, fiquei com um arrepio na cosnciência por saber que afinal o nosso Governador do Banco de Portugal tinha toda a razão. Andei para aqui a atacá-lo de uma forma despudorada (a esse propósito flagelo-me com um sincero mea culpa; não a boite de alterne!!) e agora nem sei o que dizer. Aliás sei. Realmente e tal como referiu um dia, “as nomeações para o BCE são mais fruto de habilidade diplomática do que de competência”. Sem sombra de dúvida uma questão de apetência natural pelo tacho.

Por falar em sombra, não pude ir à manifestação de apoio que estava marcada para a Alameda em Lisboa, por causa das condições climatérias dos últimos dias e outros precalces de natureza profissional. Curiosamente ainda não ouvi os ecos dessa vaga de fundo popular. Estarei eu demasiado distraído com as 111 músicas da edição especial da Deutsche Grammophon, ou será que cousa nenhuma se terá realmente passado?

Aproveitando a boleia da vaga de fundo, é com uma saudade contida que vou ver hoje o Prof Marcelo com a Maria Flor Pedroso. Essa dupla que preenchia a inutilidade das noites de domingo do canal público. Espero sinceramente que a vontade de ir “para casa” seja breve, a não ser que pelo caminho resolva também ele ir fazer a rodagem do carro ao Congresso. Penso que não será necessário que Cristo desça à Terra para ele entender o quão mal vai o partido laranja.

... e assim vai a cousa nossa!

27/02/2010

...flor de sal

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda...
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razão se perde!
Pútrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfacto que embriaga)
Que em um sorvo, murmura de gozo.
O seu esboço, na marinha turva...
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pés atrás, como voando...
E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que se desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co'a salsugem.
Camilo Pessanha

(foto by:Inês Leal)

21/02/2010

185 mm

( foto: Duarte Sá/Reuters)

...é nestas horas que se vê a solidariedade do povo português!Nesse aspecto somos únicos...pena é só sermos solidários em situações de tragédia! Depois de se andar a discutir um pequeno pormenor de 50 milhões é caso para perguntar, então e agora?!...


20/02/2010

..esperar





Soothsayer: Beware the Ides of March.
Caesar: What man is that?
Brutus. A soothsayer bids you beware the Ides of March.
Caesar: Set him before me; let me see his face.
Cassius: Fellow, come from the throng; look upon Caesar.
Caesar: What say'st thou to me now? Speak once again.
Soothsayer: Beware the Ides of March.
Caesar: He is a dreamer; let us leave him. Pass.
Júlio César, William Shakespeare, Acto I


...nem mesmo o cego conseguiu iludir a mais férrea determinação do nobre dictator prepetuo para os perígos que espreitavam por entre a conspiração que ardilosamente era preparada nos rumores da roma decadente. Ele no alto da sua majestosa determinação respondiria sempre "Não temos nada a temer a não ser o próprio medo". Depois foi o que já se sabe.
Dois milénios depois, e volando à miserável situação actual , o mês do deus Marte, continua a ser pródigo em más novas, vá se lá saber por obra e graça de quem. Depois da anastesia do final do ano, seguido da loucura do Carnaval, segue-se o mais estranho de todos os meses, o fim das trevas e o início da lux. Uma espécie de epitáfio medieval e início de uma nova epistemiologia, que se repete vezes sem conta sem nunca se atingir o equilíbrio último, aquela paz que se espera.
Que mais nos trará o março, para além das andorinhas e dos botões de jardim que irão colorir odes e versos? Por agora nem os mahatma que se apresentam no púlpito do discurso fácil parecem desvanecer o véu negro que se apropria do meu pensamento.
Resta então esperar...

14/02/2010

...le bois de boulogne

...quando é o próprio chairman da PT que se diz encornado por dois distintos pares, pouco mais há a dizer sobre toda a situação criada em redor de um plano/negócio que acabou num rotundo falhanço!..e isto não vem nas páginas interiores do SOL, não aquelas que não foram publicadas em Angola para não ferir a filha do mayor lá da ZONa que essas foram devidamente censuradas pela liberdade de não expressão do SOL. A este respeito não deixa de ser estimulante ver aqui e ali vozes a pugnarem pela liberdade, e que a providência cautelar do bois da PT era a mais infame tentativa de condicionamento da liberdade desde o fim da ditadura. Afinal de contas o lápis azul funcionou melhor nas impressoras da gráfica!

"Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?" diz a euro depurada Ana Gomes e com muita razão! Mais. Sou a favor de uma instituição que eduque e oriente os bois para o exercício dos seus cargos. O PSD tem a sua Universidade de Verão. O PS devia ter o seu Instituto Politécnico e uma disciplina de Altos Cargos Bem Remunerados.

Depois de ver todo o percurso político [não entendi bem qual!?] e toda a acumulada experiência profissional na área das telecomunicações [também não vislumbrei nada de relevante] dos bois em causa, pergunto ao simples e urbano ou rural trabalhador deste país o que o impede de vir a ser no curto espaço de tempo, administrador da CGD, BCP ou da PT [já para não falar de outras empresas onde o Estado tenha interesses]. Pouco ou nada. Talvez seja mesmo uma questão de ter ou não ter o famoso cartão. Mais. Admito a criação de um cartão tipo multibanco, a dois tons, rosa para os tempos actuais e laranja choque, para os que se prespectivam. É sempre útil e pode pagá-lo em suaves prestações.

...e acho que do resto nem vale a pena falar! Aguardo com frenesim e excitação as próximas partidas de Carnaval!

- § -

...hoje marchámos até ao Ribatejo! O motivo de celebração era o aniversário do responsável máximo, ou aliás um dos responsáveis pelo facto de estar a estas horas aqui sentado a escrever libelos acusatórios relativamente à situação de demência política actual. Depois de reservar uma mesa no difícil Toucinho em Almeirim, lá marchamos em sentido contrário ao do capitão Maia, e foi com enorme prazer que cruzámos a capital do gótico e atravessamos as águas do Tejo sobre um frio gélido. Chegados a Almeirim só houve tempo de dar corda ao sapato e romper a muralha de gente que rodeava a pequena entrada da pátria da Sopa da Pedra. Relativamente ao repasto apenas uma palavra:sublime experiência orgástica!

Nota de rodapé: sim! a pedra saiu-me na rifa! mas eu como sou generoso deixei que o papá pagasse a conta, afinal não é todos os dias que se fazem 70 anos! Parabéns pai!...para a próxima pago eu, mas o vinho tem que ser um pouco mais barato,tá?!!

11/02/2010

...liberdade de impressão

...eu sou a favor da liberdade de expressão, mas também sou a favor do cumprimento das decisões judiciais...mesmo quando são verdadeiros atentados à liberdade! Isto parece uma pescadinha de rabo na boca, mas repastos gastronómicos aparte, a democracia é feita destes dois pequeno pormenores [entre outras coisas que todos os dias são escamoteadas!]. No entanto existe uma máxima que refere que "quem não deve, não teme"!

Aforismos aparte, amanhã não vou comprar a edição do Sol, pois sinto que neste momento, existem coisas bem mais importantes para nos preocuparmos do que simples e meros negócios de bastidores [que por sinal colocam em causa de forma nítida a liberdade de expressão]

Mas ainda assim, penso que apesar do furo jornalístico e de mais uma bronca?? deste governo, não estão reunidas as condições necessárias e suficientes para amanhã comprar o Sol [ a não ser que o brinde que vem com o jornal seja demasiado tentador!]

Não vale a pena insistir com mais argumentação. Com mais salada de polvo, ou mais punhetas de bacalhau, terei sim todo o prazer em comprar o Sol, quando toda esta charada terminar, desde que o brinde valha a pena.

Mas por favor, imprimam-no!!

08/02/2010

...song

I SAW thee on thy bridal day —
When a burning blush came o'er thee,
Though happiness around thee lay,
The world all love before thee:

And in thine eye a kindling light
(Whatever it might be)
Was all on Earth my aching sight
Of Loveliness could see.

That blush, perhaps, was maiden shame —
As such it well may pass —
Though its glow hath raised a fiercer flame
In the breast of him, alas!

Who saw thee on that bridal day,
When that deep blush would come o'er thee,
Though happiness around thee lay,
The world all love before thee.

Edgar Allan Poe

07/02/2010

...a boa e a má educação










...numa visita relâmpago ao site da OCDE, cujos relatórios já foram usados e abusados pela anterior equipa da educação, surge-nos agora um bom documento para análise e relexão sobre metas e estratégias para a educação. Adaptando uma expressão que o Prof Cavaco Silva um dia utilizou ao referir "a boa e a má moeda", resolvi dedicar estas minhas últimas horas de sábado a uma temática que me interessa sobremaneira, visto ser parte interessada, e convenhamos, preocupada



The High Cost of Low Education Performance - OCDE, 2010



O documento em si é um pouco maçudo para se ler com maior profundidade, mas numa leitura na diaoganal retive algumas considerações que explicam algum do insucesso que motiva aturadas e saturantes reformas e contra reformas que os sucessivos governos têm testado na escola pública. De facto quantidade não é sinónimo de qualidade e medidas avulsas não resolvem da noite para o dia, o déficit de competências.


Tomemos por exemplo o Magalhães. Nós temos cá um em casa. É engraçado, estimulamte, prático e é tudo aquilo que eu sempre sonhei ter, mas na altura era impossível. Mas atente-se ao conteúdo da minha afirmação:eu disse "em casa"!!. Não, onde era suposto estar e ser utilizado.

Eis algumas ideias retiradas do relatório:



"Changing schools and educational institutions is, of course, a difficult task. Moreover, countries that have attempted reforms of schools have often found that the results in terms of student achievement are relatively modest. At the same time, the results from countries achieving high and equitable learning outcomes in PISA – like Finland in Europe, Canada in North America or Japan and Korea in East Asia – or from those that have seen rapid improvements in the quality of schooling (like Poland) underline that doing better is possible (...)"


"The basic characterisation of growth indicates that higher cognitive skills offer a path of continued economic improvement, so that favourable policies today have growing impacts in the future. The underlying idea is that economies with more human capital (measured by cognitive skills) innovate at a higher rate than those with less human capital, implying that nations with larger human capital in their workers keep seeing more productivity gains (...)"


"Since the tests concentrate on the impact of schools, the evidence also suggests that school policy can, if effective in raising cognitive skills, be an important force in economic development. While other factors – cultural, health, and so forth – may affect the level of cognitive skills in an economy, schools also contribute to the relevant human capital (...)"


"It is important to understand the dynamics of economic impacts of programmes. Three elements of the dynamics are particularly important for consideration: first, programmes to improve cognitive skills through schools take time to implement and to have their impact on students. It is simply not possible to change learning over night. Second, the impact of improved skills will not be realised until the students with greater skills move into the labour force. Third, the economy will respond over time as new technologies are developed and implemented(...)"


Como já muitos professores têm dito e redito não é pelo simples facto de se utilizarem novas e inovadoras tecnologias que o os alunos vão retira daí melhor partido. No meu entender, ganha-se talvez no facto de se expandir o conhecimento, de se aproximarem de outras formas de pensar, mas perde-se talvez a análise crítica e a capacidade de raciocíonar sem recorrer ao vulgar e pouco recomendável Copy&Paste. Um exemplo disse é o negócio que circula em redor da compra/venda de teses de mestrado e doutoramento, e dos programas que já existem no mercado para detectar a ignóbil farsa. Fazendo uso do maravilhoso Copy&Paste coloco aqui a resposta de um professor canadiano (país bem visto pelo relatório da OCDE) tal como o Carlos Fiolhais a colocou no seu blog:


"Contrariamente ao que é comum pensar-se, os recursos tecnológicos não são importantes para ensinar ciência no Pré-Escolar e no 1º Ciclo. É bem possível ensinar ciências com materiais muito simples que podem ser encontrados na reciclagem, adquiridos em drogarias ou em lojas de hardware. Muito mais importante que isso é investir na formação inicial e contínua de professores. E as actividades desenvolvidas nesta formação devem ser muito similares àquelas que os professores irão desenvolver com as crianças. Isto significa que a formação deve consistir em identificar as ideias erradas dos professores (sim, os professores têm ideias erradas acerca de muitos conceitos científicos) e na resolução de um vasto número de problemas, através de actividades práticas."


Elucidativo.

06/02/2010

...palavras leva-as o vento

Nem sei por onde começar. Bem pensando bem , posso afirmar a pés juntos que 200 euros de incentivo por cada criança que nasça nem sempre chega para o dinheiro que iremos gastar só para a conceber! No meio de prendas, telefonemas, ramos de flores, combustível gasto para ir “brincar”, as horas que saímos mais cedo para o flirt ocasional , ou mesmo o jantar que doeu no momento penoso do “pode trazer-me a conta s.f.f.”, já se foram os meus 200 euros. Para além disso o simples e peculiar facto de só podermos tomar posse do tesouro, 18 anos depois, descontos para o Estado e encargos bancários contabilizados, também são motivos suficientes para continuar a utilizar a camisola de látex. Mais, o pormenor sórdido do jovem ter necessariamente que cumprir a escolaridade mínima obrigatória, esse sim, é motivo para ela tomar uma boa dose de Yasmine, antes de se debruçar sobre o facto prudentemente embebido no mais potente espermicida que estiver disponível no boticário. Já não incluo mais adereços a este cocktail libidinoso, pois aí os 200 euros eram uma miragem.

Mas voltando ao assunto. Não li o Sol, nem folheei [qual dona de casa desesperada]a edição de hoje do Correio da Manhã. Apenas uma medida preventiva do que muito consideram um verdadeiro atentado à dignidade e à democracia. Pessoalmente não me sinto motivado a ler a transcrição das escutas [sou como o presidente do FCP, só acredito nelas quando chegarem ao Youtube, purgatório por excelência do segredo de justiça português].

Sem me perguntarem se fico preocupado. Sim, mas estou mais preocupado com os vendedores de roupa de marca que esta semana não conseguiram exercer a sua ilegítima actividade livre de impostos, porque a polícia insistia em permanecer no topo da rampa de acesso à gare da CP de Algés, a fumar ou falar ao telemóvel. Não que tenha qualidade,[não a roupa!!] mas porque não sou apologista da reserva de privacidade. Sim porque por este andar, passamos a ter as transcrições do nosso José enquanto toma banho, faz a barba ou mesmo quando acorda de manhã e olha para os jornais.

Agora sem me questionarem sobre as afirmações do nosso Silva acerca do nervosismo que reina na AR, aí faço uma pausa e pondero debruçar-me sobre a questão misteriosa dos edifícios limítrofes?....bem, feitas as contas São Bento não fica assim tão longe da AR...

Apesar de tudo, estou curioso sobre um detalhe que talvez tenha passado despercebido. Se no caso do Mário Crespo e afins, se tratou de uma conversa de hotel, em que o nosso José resolveu puxar dos decibéis, no caso das escutas de onde terá vindo o furo jornalístico?de certo que não foi uma escuta na fotocopiadora.

Muito sinceramente este episódico watergate português começa a ter contornos de telenovela mexicana. Por muito menos Nixon demitiu-se, e muito outros político que já passaram pelo púlpito da ribalta partidária se demitiram por assuntos bem menores.

Tal como a Manela disse, será que o José tem condições para continuar a ser Sócrates?

Meus ilustres leitores, deixemo-nos de conjuras e arrepios de linguagem: o nosso José tem duas formas de eliminar os seus problemas e limpar a imagem que neste momento deve estar a fazer a delícia dos restantes jornais europeus e dos arredores (24 Horas incluído). Ou muda de canal quando está sentado no sofá do seu belo Convento de São Bento, ou tira o som quando a Manela discursa (o que não é difícil pois ela agora só fala daquilo que disse no tempo em que pouco ou nada dizia; a outra Manela, a Guedes anda muito ocupada com a lida da casa pois agora não exerce), ou muda para a RTPN quando o Crespo aterroriza, ou muda para o Canal História quando o Medina atemoriza, ou então faz como o seu grande amigo Chávez, manda encerrar e ponto final. Qualquer uma das opções é válidas, menos mudar para o PANDA.

A nossa história recente e menos ainda, é prolifera em coabitações difíceis e amargas entre a comunicação social e o governo da República. Foi assim na 1.ª República, foi assim na 2.ª República, (no Estado Novo não havia problemas), e continua assim na actual República.

Quem nunca disse mal, quem nunca criticou, quem nunca conspirou, fosse num sótão, fosse num banco de jardim ou numa mesa de café, dê então um passo em frente...mas atente ao que pisa!

“Cada um de nós é feito de demasiadas rodas, de demasiados parafusos, de
demasiadas válvulas, para que possamos julgar-nos uns aos outros à primeira
vista ou a partir de dois ou três sinais exteriores. Eu não o compreendo, o
senhor não me compreende e nem sequer a nós próprios nos compreendemos...”

Anton Tchekov

PS: escrevo isto sem utilizar o calhandriçe que é uma palavra que já não ouvia faz agora precisamente dois dias; e contrariamente ao nosso minsitro da despensa aliás,defesa, não estou rodeado de militares para assegurar a prontidão da minha pena!

03/02/2010

...nos tempos da vaselina

...depois de ter assistido aos primeiros minutos do Prós e Contras desta semana, no instante antes do comprimido de Actifed fazer efeito, ainda tive tempo para me rir um pouco dos do autêntico genocídio da política económica do Governo, com particular enfoque nos comentários cáusticos dos profetas da desgraça da praxe. Não que não tenham uma certa razão, mas pelo facto de nenhum deles apresentar a pedra filosofal ou qualquer coisa que tenham o efeito terapêutico próximo ou semelhante à vulgar aspirina [passe a publicidade à Bayer!]. Não quer isto dizer que nenhum deles não tenha à sua maneira, o toque de Midas, pois todo o raciocínio por eles explanado, mais percentagem ou menos devaneio, bate certo com a realidade factual.
Curioso é que todos eles, advogam no seu intimo ou uma perda dos salários, tectos nas reformas mais elevadas [esta assino por baixo!!], sempre com o ponteiro na contenção da despesa. Nem vou discutir pois só restam duas combinações possíveis: ou pela receita ou pelas duas em conjunto, o resto são opções ideológicas.

Entretanto ,enquanto o nosso ministro das Finanças perde os estribos e a paciência com os clientes de retorno absoluto do BPP, e ataca ferozmente as agências de rating [é paradoxal como as mesmas foram a causa da crise mundial e ainda os mercado lhes dá ouvidos!!], diz o velho ditado popular, quem semeia tempestades....moral da história, o credit default swap da dívida portuguesa subiu em flecha [seguro para cobrir o risco de incumprimento] e o "spread" das obrigações do Tesouro Conclusão subiu para valores recorde. Bem razão tinha o Perez Metelo hoje no Jornal da TVI [reparo, só o vi porque estava a ver o Braga a ser eliminado da taça de Portugal]. Isto tudo a propósito de uma coisa tão simples como 0,04% do nosso PIB ou em miúdos, a Lei das Finanças Regionais.

De súbito, sem que nada o fizesse supor e ultrapassada a questão menor do OE2010, a Lei das Finanças Regionais surge como o tema fracturante do momento [e como nós gostamos deste temas!!].

Na minha singela opinião, numa altura em que cabe ao Estado criar condições para que a economia funcione, restringindo a despesa pública que neste momento está absolutamente descontrolada, em que a todos são pedidos sacrifícios, o timing escolhido pela oposição para a aprovação da insidiosa lei, é imoral e profundamente inoportuno. Não faz qualquer sentido. Daqui a um ano, daqui a dois, mas não agora. Independentemente do valor em questão, tudo o que o país não necessita é de uma crise governamental. Se o Governo cai[não por obrigação frise-se! Pois tem condições para tal!] o Pais passa a viver de duodécimos [trocos!], com as consequências já conhecidas e todo o tecido produtivo que depende e trabalha com e para o Estado estagna. A economia pára! Todos sabemos que nesta altura o Estado é o motor da economia. O resultado nem quero antever qual será!

Falemos então da Grécia. A Grécia é um país curioso, de economia pujante a economia à beira da bancarrota num lapso de segundos. Curiosamente, tal com nós o risco de incumprimento da dívida da península do peloponeso subiu ao monte Olimpo, pois o mercado [ as tais agências de rating] não acreditam que a UE vá “sacrificar cordeiros” em honra das vestais gregas. Curiosamente, os espartanos [as agências de rating] também devem ter dado ordens para que a paridade do euro/dólar desça pois acreditam que a UE sempre vai “sacrificar”os tais incautos ovinos.

Sinceramente à primeira não encaixei bem o raciocínio subjacente , mas depois de ler que na emissão da dívida pública da Grécia, a procura superou e de que maneira a oferta, entendi finalmente. Podemos ser feios, porcos e maus, rotos e nus, uns párias e uns desgraçados, mas há-de haver sempre quem nos queira ir ao dito cujo para ganhar uns trocos!..a bem da economia de mercado.


PS:mas aqui que ninguém nos ouve, baixinho...o nosso PM está mortinho por sair do pântano , digam lá?...tenho que faalr baixo senão passo a ser também eu, um problema por resolver!

02/02/2010

....homenagem a uma Rosa

Rosa Lobato Faria

...mais uma rosa no jardim da nossa memória!!

01/02/2010

...no tempo do lápis azul!

Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta
alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria
que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa
e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas
fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o
PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se
inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal
um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é
essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da
informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse
confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo
yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem
contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades
construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em
sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis
procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são
considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser
“um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro
Silva
Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem
contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha
em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo
Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à
sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o
Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a
ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de
Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a
tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia
de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido
sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.


Mário Crespo
VISTO PELA CENSURA