Portugal em 2025 foi, como sempre, um país à procura de governo e de sentido de orientação. Alias, o discurso de Natal no nosso Primeiro de Tudo confirma a paródia que é viver num país rendido a assuntos pungentes e irremediavelmente risíveis: todos temos que ter uma mentalidade de Cristiano Ronaldo: fazer publicidade a uma ditadura islâmica sanguinária onde a religião determina tudo, adquirir um loft no skyscraper da cidade de Lisboa e folheá-lo com alumínio e vidro de museu, ou talvez adquirir um janto novo para suportar as longas filas do IC19.
O nosso
Governo começou o ano a fingir que governava. Não governava, claro. Governava
uma ilusão, sustentada por discursos sobre “iniciativa” e “responsabilidade”,
enquanto a realidade se resumiu durante meses, a páginas de jornal e folhetins
diários de comentadores desportivos a discutir o sexo dos anjos e uma empresa
que facilitava negócios com nome kitsch - Spinumviva. A poucos dias do término
do ano ficamos a saber que a averiguação preventiva (continua ausente do Código
do Processo Penal, mas dá muito jeito sobretudo em momentos chave do enredo
desta telenovela diária em que participamos.
Mas voltando atrás na fita do tempo, temos de dar hosanas pelo facto de as eleições em maio nos terem ofertado os ingredientes habituais para um bom cozido à portuguesa: um parlamento dividido, sem maioria, sem rumo, onde se grita muito, finge mais ainda e alguns grunhos vociferam estupidez e burrice sem fim. A AD ganhou, não ganhando, o PS perdeu, mas não tanto como merecia, dada a iniquidade e falta de visão do líder até então (alguém sabe em que sótão do Parlamento se esconde?). A esquerda essa, passou a ombrear com o bafio, e os cotões que se acumulam nos Passos Perdidos.
Depois há um conjunto de seres (não é possível classificar como
gente), que ombreia com os vendedores de atoalhados das feiras ou as peixeiras da
lota de Matosinhos, e que apesar de se autointitularem gente de bem, albergam
uma minoria (as tais que devem respeitar a lei) de indigentes, alguns deles com
parafilias e desvios de comportamento só comparáveis a bullys. Infelizmente,
o nosso Parlamento, outrora a casa-mãe da política portuguesa que viu discursar
gente insigne, está transformado num circo de rua e muitos (cada vez mais), do
lado de fora aplaudem entusiasticamente o descalabro de um sonho que começou em
Abril.
Portugal em 2025 não mudou. Nunca muda. É um país que vive de ilusões, governado por gente que finge governar, observado por cidadãos que fingem acreditar. Uma tragicomédia sem fim, com actores medíocres e um público resignado. Interpreto este fracasso colectivo como uma total e absoluta falta de carácter da sociedade. Talvez uma chaise-longue em veludo carmim para cada português fosse a melhor medida a implementar a partir de 1 de Janeiro. Sim porque num País com 11 candidatos numa primeira volta de uma eleição presidencial, onde os boletins de voto terão 14 nomes, e que numa segunda volta, devido a burrocracias e contingências várias Estado, não há tempo para imprimar apenas os boletins com os dois candidatos mais votados, é caso para dizer que já só falta a política ser exercida como um livro de auto-ajuda, num país em que os casos clínicos bem podem esperar 19 horas no hospital Amadora-Sintra.
Depois não é de admirar que haja um candidato presidencial aceite no Tribunal Constitucional, prometendo vinho tinto nas torneiras e uma prostituta em cada casa portuguesa. A tal cereja no topo do bolo.
Sobre aquilo que é necessário
para tornar Portugal um pais menos cinzento e tristemente iludido pela turba de
inúteis que proliferam como cogumelos, alguém desligue a luz antes de sair,
já que para entrar são necessárias 3 horas no controlo de fronteiras do antigo
aeroporto de Lisboa.
Assim, suspiro ofegante pelo Novo Ano 2026, e desejo que se mantenham nos eixos de uma bitola ibérica, rumo a esse túnel escuro chamado de incerteza.
Volto já
Sem comentários:
Enviar um comentário