31/12/2019

..the show must go on


A era em que caminhamos sem nos aperceber (ou quase conscientes do limbo) alimenta-se de uma realidade parcial, um pseudo-mundo que nos impõem, para o qual somos convidados a contemplar e tecer encómios pelo espetáculo que nos proporcionam.

Vivemos e respiramos imagens a uma velocidade impossível, somos bombardeados com a informação e desinformação de tal forma que, num abrir e fechar de olhos o passado está aqui na berma do precipício e o que o futuro nos apresenta é uma mão cheia de trivialidades, de nada.

A realidade é tão efémera como a sombra numa árvore num dia de céu azul metálico. Entender o nexo de realidade de todos os eventos de um ano, que fluem desligados e se fundem na mais perfeita harmonia é quase como tentar entender uma pintura surrealista com o primeiro olhar. Seria necessário, tempo para contemplar e respirar tudo, e isso esgota-se no tempo de escrever meia dúzia de linhas. Fica para amanhã.


 O fim de ano é disso um belo exemplo. Um espectáculo que cruza e mistura, para alguns, o desapontamento do ano que agora finda e a esperança que o próximo seja exactamente aquilo que foi mediatizado na imaginação há um ano atrás: No intervalo entre o pequeno-almoço e a meia-noite vivemos, conscientes, na mais perfeita alienação. O verdadeiro transforma-se no surreal.

Amanhã é apenas a continuação de há um ano, e nada mais do que isso.
...até já.  

28/12/2019

..distopia


É cada vez mais difícil saber distinguir a verdade da mentira para quem consulta das redes sociais ou mesmo os media, seja em versão, jornal pendurado no quiosque de rua ou na mais ecológica página online, sempre actualizada. Não que as notícias tenham um qualquer delay por falta de tinta na rotativa do portal na net website, mas porque atravessamos um tempo em que os media, começam a deixar de cumprir a sua função neutral no espectro das operações sociais, e estão cada vez mais reféns de uma lógica que se esgota naquilo que o consumidor quer ler ou precisa de ler.
Apesar de estarmos ainda longe da distopia orwelliana do ‘1984’, o grande inquisidor, o pai que nos protege já espreita, ainda que mascarado por coisa tão fúteis como audiências, pressões políticas ou a necessidade de garantir dividendos do accionista.
Paulatinamente caminhamos, cegos, para uma racionalidade acéfala em que a liberdade de imprensa perde significado e terreno. Com isso, a nossa forma de interagir em sociedade, de manifestar auto-crítica, de cumprir a cidadania esvai-se perante a imposição de um novo normal, o facto verosímil. A realidade perde todo o sentido, quando o espaço público é manipulado e instrumentalizado. Perdemos a noção da realidade, mas ganhamos a ilusão como agentes passivos, indiferentes, sem tempo para questionar, sem direito, muitas vezes ao contraditório.
Se é esta a revolução digital, da comunicação, da informação e da cultura das apps, da IoT, em que a cultura de massas prevalece, em que a crítica se desmorona face à ideologia do que deve ser correcto, polidamente asséptico, em que a independência se transforma num fantoche articulado , então regressemos às velhas rotativas do séc.XX, pois não é este o caminho que devemos trilhar.
A beleza da utopia começa a ser ocupada pela artificialidade da distopia.



25/11/2019

"Só quer a vida cheia quem teve a vida parada "

...acho que é a primeira vez que evoco o 25 Novembro, pelo menos aqui neste submundo. Lá fora apregoou anualmente com a devida vénia, lembrando todos aqueles que lutaram para que a democracia imperasse perante a ameaça do totalitarismo. E é isso mesmo que representa o 25 de Novembro - uma cena muito importante, no contexto de uma obra maior- o 25 de Abril. Sempre entendi que o 25 de Abril foi o início de uma caminhada rumo à construção de uma sociedade democrática. 

Se vivemos uma  democracia imaculada, isso é outra estória que ainda não consigo descortinar, mas cuja a formulação reservo algumas dúvidas bem fundamentadas.


 Não querendo minorar a importância da data, pois houve outro actos igualmente importantes e decisivos no período pós" dia inicial inteiro e limpo", lembrar o 25 de Novembro é fazer com que não caia no esquecimento. Não é necessário feriado, evocação na AR, parada militar, discursos, eu sei lá. Basta falar sobre ela. Falar é recordar.

Os pais estava fracturado entre dois pólos inconciliáveis, de um lado a extrema-direita, espetro resiliente do Estado Novo, sedenta de sangue e pelo outro uma extrema-esquerda anárquica que saia da esfera de controlo férreo do Partido Comunista. O 25 de Novembro colocou cobro a isto - nem um Norte casto e puritano de direita, nem um Sul abaixo de rio maior pecador e comuna.  Nem Norte nem Sul, apenas Portugal.

A história já se encarregou de dignificar alguns dos rostos do 25 de Novembro. Talvez não todos, mas sem quaisquer juízos de valor, quando se evoca um chefe militar homenageiam-se todos os subordinados e todos aqueles que estiveram do seu lado.

Se o objectivo é assinala com grande pompa e circustância, com ao encómios do costume o 25 de Novembro, estenda-se a passadeira, mas de caminho evoque-se com igual cerimonial a aprovação da Constituição de 2 de abril de 1976 - marco igualmente fundamental do nosso processo democrático. 

24/11/2019

..silêncio


...há um silêncio agradável que vem do lado de fora e que se confunde com a modorrenta chuva que intervala o nevoeiro. Estes são os dias que nos fazem perscrutar os pensamentos. Em que cada abrir e fechar de olhos é como a luz de um farol ao anoitecer, e o respirar, um sussurro longo e profundo. Um grito.


21/10/2019

..apetece

..apetece
fugir,
correr,
sentir aquela brisa que nos impele,
a respirar até desvanecer

apetece,
voar,
gritar alto para chegar longe,
e terminar o dia a nascer

apetece,
amar,
sentir a noite a fugir-nos,
como o amanhecer

apetece,
olhar,
voltar atrás,
e escrever-te


13/10/2019

..sofá

Eu e mais uns quantos fascinados da política, estou em pulgas para ver como será o próximo desarranjo orquestral no hemiciclo.

Depois de um ronda de em trotinete pela cidade, ficamos a saber que o PS afinal de contas pode contar com algumas incompatibilidades de feitio no seio da esquerda hard & light. Isto dificulta de certa forma a arrumação das cadeiras dai que talvez seja avisado deixar alguns lugares vagos [estilo zona tampão] para evitar alguns burbirinho doce nas primeiras jornadas.

Relativamente à direita e manifestada a repulsa pelo deputado do Chega, a solução de caixa de segurança no topo do hemiciclo é sem dúvida a medida cautelar mais ajuizada. Talvez seja mesmo recomendável coloca-lo no camarote presidencial onde estará mais salvaguardado para os arremessos que vai receber das restantes bancadas, durante os 60 segundos que vai ter cada vez que ligar o microfone.

Os deputados do PAN, do meu ponto de vista o plantel mais desequilibrado em termos de género [lá está em sempre embirrei com a ideologia!], mas já que conseguiram finalmente constituir um grupo [novo “partido dotáxi”] recomenda-se agora que usufruam apenas do tempo que o regimento confere, pois estar 5 minutos a ouvir sonetos e prosas contra os malefícios da carne de vaca, já me basta o reitor da universidade de Coimbra [nem vou tocar no assunto das festas da univiversidade de cariz sexista pois é nestas alturas em que a questão do género se sublima de todo].

Se sou a favor do prolongamento da deputada do Livre? Claro eu sim! Que tenha exactamente o mesmo tratamento que o PAN teve na anterior legislatura, o mesmo sucedendo com todos os partidos com assento parlamentar mas sem grupo parlamentar. Já agora que se altere o regimento. E se um dia for eleito um representante que utilize apenas a linguagem gestual como meio principal de comunicação?

Resta-nos os mesmos de sempre…que se distribuem como as cores do arco-íris, e se não for pedir muito, com ou mais hermetismo ideológico, equilibrismo ou geometria variável tentem não estragar mais.

Por cá ficamos sentados no sofá a apreciar-vos!

12/03/2019

11+1=11 (3º Acto)



III Acto

No palácio real Pôncio Pilatos rodeado de duas donzelas da corte é confrontado com um suposto líder rebelde que acaba por ser defensor de outro ainda mais perigoso, num julgamento sustentado por um pequeno problema matemático. Está tudo em aberto, ou quase tudo crucificado

[música para de repente; palco escuro]

Apresentador – “Boa tarde novamente [voz pausada]. Pedíamos para fazerem silêncio…o III e último acto vai começar. Aproveitava para agradecer aos nossos patrocinadores que gentilmente ainda não responderam às cartas enviadas há um mês atrás!

[quando houver silêncio na sala].

Agora sim. Podemos começar.”

[ouvem-se as 3 pancadas de Moliére mas muito rápidas]

Centurião -Não é assim Brutus! É pau-sa-da-mente! É mesmo Brutus!

[ouvem-se as 3 pancadas de Moliére agora mais lentas e ligam-se as luzes]

Centurião – Isso! gen-til-mente! Como quem chama por mim, será chuva será vento…

Pilatos – …vento não é cegtamente minhas queguidas! o segviço deste palácio vive na mais pegfeita decadência, vejam lá, o dia nasceu, sou godeado de duas ninfas, mas não há uma alma que me abga os cogtinados para o vento entgag. Vá minhas queguidas, abgam a minha janela paga o mundo. Eh lá! Tanta a gente a olhag pga mim?

Donzela Decadência – Pilatos querido nenúfar do nosso jardim, enche-nos de poesia! Sabes o quão gostamos do teu lirismo

Donzela Errónea-  e de neoliberalismo!

Decadência – Burra, neoliberalismo é uma corrente política!Não tem nada a ver com poesia!

Errónea – politíca!? Não querida, política deixo para o nosso querido Pilatos. Queremos socializar! Não há convidados neste palácio? Onde pairam os eunucos e as bailarinas?!

Pilatos – Calma nobges donzelas, pimeigo há que tgatag dos assuntos do Estado depois venha a ógia. Entgue o pguisioneiro [grita]!

Centurião – Os deuses o tenham em boa conta! Nobre Pilatos…

Pilatos – Mudei de banco valente Centuguião! Bem me avisagam os augúguios e as tguipas de pogco que a sacegdotisa leu no templo da Coguelhã! Exponha então a acusação.

Centurião – Soldado, solte o prisioneiro! O indivíduo aqui na vossa presença está acusado de injúrias e ofensas à autoridade, posse de material estupefaciente e ainda é acusado de rebeldia e atentado ao Estado.

DecadênciaA avaliar pelo volume da barriga diria que o acusado é mais um atentado à dispensa das masmorras. Mas é isto a que chamais de assuntos do Estado meu adorável soberano?

Pilatos – Pguincesa dos meus olhos! Vá ali buscag uma toalha e um pouco de água que o calog das suas palavgas me povoca um estado febil na alma. Pgossiga Centuguião.

Centurião – O condenado, foi encontrado após intensa investigação por mim conduzida, e após buscas no refúgio secreto da organização. Não conseguimos apanhar o líder da seita dos 12, um foragido de nome JC, mas foram recolhidas provas inequívocas…

Errónea – que engraçado Centurião tenho uma amiga em Lesbos que se chama Equivoca…

Decadência – ….és mesmo irrefutavelmente ignorante!

Centurião – …isso mesmo nobre Pilatos. Eu diria mais: provas irrefutáveis!

Decadência –..mas como é que um jovem tão belo e charmoso é acusado de tantos crimes?

Pilatos – Vá meninas!Aqui quem guesponde pegante a Lei é o condenado. Já agoga o que é que o condenado tem a dizeg?
[Pilatos lava as mãos na água e seca as mãos numa toalha que é segura por uma das donzelas enquanto Tadeu fala]

Tadeu – Nobre Pilatos…nada tenho a defender, pois nada cometi! Apenas me insurgi pelo facto destes brutamontes terem interrompido a nossa ceia. Não têm nenhuma prova. E definitivamente não sou membro de seita alguma. Tudo cabalas…

Errónea – ..ah cabalas, adoro com batatas cozidas e azeite! Já algum tempo que aqui no palácio não servem!

Decadência –..que tristeza Errónea. Nem para sobremesa servias.

Pilatos – Pombinhas caladas! Pois bem Centuguião. Continuo sem pecebeg a gazão da pguisão. Espego que não se engane, ou alguém vai entrar bguincag com os meus leõzinhos na aguena. Não é assim minhas doces pombinhas?

Donzelas – Sim nosso fofinho Pilatos. Os deuses aplaudem-vos lá do alto! Mesmo lá em cima na Junta Olimpica.

Pilatos – Boa então eles que venham cá paga em baixo que está na hoga da ceia! Soldado, mande vig a mim o gabi Joshua!

[Pilatos vai para a mesa lavar novamente as mãos]

Tadeu – Gabi Joshua?! Não será Rabi? Mas para quê?

Pilatos – Deste caso, lavo as minhas mãos. A toalha doce Egónea. Criados tgazei-me vinho, fgutas, doces e música. Tou cá com uma tgaça…

[entram o Rabi, e Pavlova com vinho e um pires com tremoços]

Pilatos – Ah Gabi, seja bem-vindo, sente-se e beba um copo…Pavlova enche o copo do Gabi mas cuidado para não sujagues a minha toalha! Não sei o que se passa neste Palácio as toalhas dsapaguecem todas?!

Rabi – Obrigado! Já agora pode encher um pouco mais…Divino Pilatos…por que me chamais?

Pilatos – Um assunto menog! Um ovelha tgesmalhada do teu guebanho. O Centuguião conta os pgomenores…
Centuguião chegue aqui!!

Centurião – Rabi Joshua, uma seita de 12 liderados por um perigoso profeta anda a difundir ideias contrárias à Lei romana e presunto que em infração grave à vossa religião. Há tribos vossas que ousam mesmo dizer que é blasfemo…

Rabi – E onde está esse falso profeta?!.

Tadeu – Nem falso nem meio falso! Tudo mentira!

Rabi – Espere aí a sua cara não me é estranha!?! Ah já sei! Era você que há uns tempos foi apanhado a pintar uns graffitis na parede do templo de Salomão? !Qualquer coisa Tipo…abaixo o Governo?...Romanos go home?

Errónea – …Cabala é bom mas salomão, ui! Adoro Salomão, assim grelhado com umas ervas, e sumo de limão! Também é bom fumado…com muita alface e queijo grego feta!! Foi uma amiga de Lesbos que me deu a receita…

[Todos olham para ela e fazem uma pequena pausa; Errónea encolhe os ombros e todos abanam a cabeça incluindo Tadeu]

Decadência –…tadeuzinha! É assim mas é feliz! Muitas amigas em Lesbos dá nisto…

Rabi – Nobre Pilatos tem que se julgado! Melhor! Abrevia-se a coisa. Juntam-se as testemunhas do costume e arranjam-se uns canapés, umas tendas para vender artesanato, talvez uns pastéis de bacalhau, uns rissóis ou umas alheiras…e crucifica-se! Sempre se faz algum negócio! Convinha era arranjar mais um ou dois para compor o cenário? Há por ai alguns extra?!

Pilatos – Centuguião?!

[Centurião está distraído a falar com soldado]

Centurião – Sim nobge Pilatos, perdão Senhor…
[entra JC e os amigos a correr]

JC – Sou eu. Quem procurais sou eu…e não o pobre Tadeu! Tadinho.

Decadência – …e quem é este! Estou a começar a gostar deste programa, já parece uma telenovela. Cada episódio é mais uma história. Senta-te aqui ao nosso lado jovem charmoso!

Pilatos – Guadas! Como é que este individuo se atgueve a entgague assim no meu Palácio?

JC – Bem, eu toquei à campainha! Ninguém atendeu, e como a porta estava a aberta entrei!

Pilatos – Pavlova! [grita] Centuguião pguenda este…
[entra Pavlova a correr e assusta-se ao ver JC]

 Pavlova - Sim meu amo…ai!! Ai o meu outro patrão …[ e vira as costas para não ser vista]

JC –…quo vadis mulher? Estou a ver que isto é pior do que os programas da TVI. É tudo ao molho e fé em Nele. Agora já percebi porque é que chegas sempre atrasada, porque é que a casa fica mal aspirada à sexta-feira! “Ai patrãzinho tenho que ir com a minha mãezinha”, “ai patrãzinho tenho uma tia doente”. Está despedida! E com justa causa. O subsídio de férias e Natal? e sem carta de recomendação!

Pilatos –Centuguião pguenda este infâme…melhog!Pavlova [grita] taga a minha toga e a minha cabeleiga postiça. Faz-se já o julgamento e acaba-se com o pgoblema. Que me diz Gabi?!

Rabi – Gabi? Bem Já que insiste. Mas não se arranja ai nada para comer entretanto, Senhor?

JC – Não…não trouxe merenda!

Rabi - Mas eu não lhe pedi nada!

[musica com todos em palco: https://youtu.be/GJ2X9SANsME]

[Entretanto JC em cima do palco pede aos restantes para subirem ao palco e trazerem cadeiras para assistir ao julgamento!]

[Nas cadeiras sentam-se os restantes membros do elenco. Em frente à mesa onde se vão sentar os membros do tribunal fica em pé JC e o Soldado Brutus, o Soldado Gaius fica em pé, ao lado das cadeiras, a defesa é assegurada pelo Tadeu que tem uma cadeira ao lado da mesa, o ideal é a mesa ficar na diagonal para a audiência, uma questão a testarem].

Soldado Gaius - Silêncio na sala que a audiência presidida pelo Meritíssimo Pilatos vai iniciar-se [em voz alta]!

[Se alguém tiver beca ou trajes académicos tanto melhor!]

[entram na sala o Rabi, Pilatos, as duas damas e o Centurião e sentam-se todos excepto o Centurião que vai ficar em pé]

Pilatos – [bate duas vezes com o martelo na mesa e lê do papel] Está abegto o pgocesso 2019/001 com a data de XX de XXXXX do Ano Domini 2019, o acusado é o guéu….como é que se chama mesmo?

JC – José Castro, mas os amigos trata-me por JC!

Pilatos – Pgofissão?

JC – Treinador de futebol…

Rabi - Protesto Meritíssimo, deve haver um equívoco. Não é esse o índivíduo que consta dos autos!

Pilatos – pgotesto indefeguido!

Pilatos – Pois muito bem, tal como consta nos autos o guéu é acusado ente outgos: invasão de pgropiedade pivada, incitação à desogdem pública e destruição de edifícios públicos, et cetega, et cetega…

JC – Em verdade, verdade vos digo!Sou absolutamente inocente. As acusações que me são imputadas não passam de cabalas!

Errónea- Cabalas em molho de escabeche são muito boas! A amiga minha de Lesbos tem uma receita muito boa,,,

[todos olham para Errónea e encolhem os ombros!]

Decadência – Oh mulher cala-te!…

Pilatos – Pois muito bem! Tem a palavga a Acusação.

Rabi – Acuso-o directamente de ser o líder de uma seita dos 12, acusado de atentarem contra a ordem e os ensinamentos do Livro das Leis. Mais, não tenho dúvidas que está por detrás de manifestações, distribuição de autocolantes e aventais, bem como pinturas murais em edifícios públicos, nomeadamente o sagrado templo de Salomão.

Todos [excepto Pilatos, o Rabi e o Centurião] – Uuuhhh!

Pilatos – Silêncio [bate com o martelo na mesa]. O géu tem a palavra!

JC – Ora bem portanto…em primeiro lugar aqui só somos 11! Aliás o Centurião pode atestar disso. Em segundo, a nossa campanha não anda a distribuir nem autocolantes, nem aventais. Não temos fundos para isso. Em terceiro lugar, não andamos em campanha eleitoral, a última já deu prejuízo por isso decidimos passar a organização política.

Rabi – A acusação pede a palavra a Centurião.

Pilatos – Pedido defeguido!

Tadeu – Protesto Meritíssimo! O Centurião Crassus não consta do role de testemunhas!

Pilatos – Pgotesto...acabou..aqui quem manda é o Meguitíssimo…o Meguitíssimo houve quem queg!Centuguião apgoxime-se! [Centurião fica ao lado de JC]

Rabi – O réu alega que não integra um bando de 12, mas afinal quantos estavam naquela noite! Quais os factos que sustentam a acusação?

Centurião – Meritíssimo, o réu estava naquela ceia com todos aqueles indivíduos ali sentados e mais este aqui ao lado é só fazer as contas. Expedientes dilatórios não o vão safar!

Pilatos – Muito bem Centuguião…levantam-se os senhogues ai das cadeigas! Soldado conte as testemunhas…

Soldado Brutus – Ora 1, 2, 3,4,5, 6, 7, 8,9, 10 e com esse ai à frente 11! Deve ter sido um erro crassus pois parece que falta um…

Pilatos – Po favog Soldado taga-me água e umas toalhas que estou a ficag com calog!

[o Soldado vais buscar a tijela de água e umas toalhas com Pavlova]

Todos [excepto Pilatos, o Rabi e o Centurião] – Uuuhhh!

Pilatos – Silêncio [batendo com o martelo]! Paguece que há aqui um ego de contas de megcieigo não paguece Gabi? [com ar visivelmente zangado]

Todos [excepto Pilatos, o Rabie e o Centurião] – Uuuhhh!

Pilatos – Silêncio [batendo com o martelo]!Mas então onde está o 12º?

Tadeu – Meretíssimo, peço a palavra!

Pilatos – Cala-se!

Tadeu – Porra, até aqui! Como é que eu defendo se não posso falar!

Pilatos – Você fala quando chegag a sua vez! …sed lex duga lex. Além disso a lei só pode seg exegcida se tudo tiver clago como a água!
O meu tempo não é é ad etegnum e a minha paciência não é etegna…A Acusação e a Defesa que se pgonunciem antes de eu diga a pena do guéu!

Rabi – Meritíssimo, o réu aqui presente, na modesta opinião da Acusação, e após aturada reflexão [inclina-se ligeiramente] reúne todas as condições para ser acusado do crime de blasfémia em primeiro grau. A acusação pede pena máxima!

Todos [excepto Pilatos, o Rabi e o Centurião] – Uuuhhh!

Pilatos – Silêncio! [batendo o martelo] Tem a palavra a Defesa….fale homem que está ai quase a gebentag!

Tadeu – A Defesa pede a absolvição para o réu e o pagamento de uma indemnização por danos morais e tentado ao bom nome do meu constituinte!Mais, pretende que todas as acusações sejam retiradas e que isso conste dos autos.

Pilatos [lendo do papel]- Em face do exposto e após consultag o jugui independente aqui composto pelas ilustres membgos, eu considego então o guéu culpado a uma pena máxima de cgucificação e aguesto de bens.

Todos [excepto Pilatos, o Rabi e o Centurião] – Uuuhhh!

Tem atenunante o facto de não teg sido compgovado que ptencia a quqlquer grupo de 12 elemntos, facto que invalida as guestantes acusações. Assim sendo, a pena fica suspensa pog um peguiodo de 1 ano [guenovável], sendo estabelecida a fiança para o guéu em 30 moedas de pgata. O guéu deseja fazer alguma declagação?!

JC – Sim. Aonde é que posso colocar a pastilha?!

Pilatos – O guéu que se cuide pois a paciência do tgibunal não é etegna!

Tadeu – Meritíssimo 30 moedas de prata é um roubo!

Judas – Tadeu. Calma ai que isso já se arranja! Tenho um primo meu que tem um amigo, cuja namorada é irmã de um gajo que trabalha na Caixa da vila! Por isso qualquer coisa é só telefonar que a massa aparece!

Tadeu – Meritíssimo. A defesa não tem mais nada acrescentar. Encerre-se a sessão!

Rabi – Então e eu?! E a multidão lá fora à espera de um crucuficação! Como é que eu vou explicar ?

Pilatos - Centuguião!! Guesolva a situação…

Centurião – Tragam o Barrabás [gritando]!

 [Entra Pavlova com um cartaz a dizer “FIM!” e música: https://youtu.be/r30D3SW4OVw]

[Todos em palco aplaudem]