25/10/2009

...peças soltas


...acho que ainda não me habituei à hora de Inverno e só agora me apercebi o quão cedo me levantei da cama!!...e o culpado disto tudo foi mesmo o sr. Benjamin Franklin e a mania de poupar cera de velas!!


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...papás e mamãs que ansiais [mentira!] tanto a azáfama das compras de Natal e daquele brinquedo que faz parte das lista infinita de pedidos não ratificados, no Jumbo de Cascais já começaram os descontos de 60%. É aproveitar agora ou contentarem-se com as prateleiras mexidas e remexidas do Continente, onde tudo se encontra menos o preço certo e o brinquedo pretendido. Em opção, basta dar um saltinho ao El Corte Inglés e puxar os cordões à bolsa. Lá existe variedade a preços impossíveis para as nossas carteiras em crise [ainda e sempre!].
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...o novo governo faz-me lembrar aqueles carros velhos, cheios de ferrugem, com um sistema de escape estilo barulhento, luzes néon azuis por debaixo da carroçaria, volante momo e jantes especiais cromadas!...um verdadeiro tunning!

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..ainda bem que esgotaram [os bilhetes dos U2] também não ia! não que não goste do grupo, mas é que daqui a ano nem sei bem se estou aqui, se em Marte ou em Vénus!

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...já há lojas com árvores de Natal!...só agora!?!?!?!?!?

6 comentários:

Sofia Carvalho disse...

Vem ai a época do ano mais detestante para mim: O NATAL! sociedade consumista, luzinhas a piscar por todo o lado, Pais natais nas montras de todos os feitios, (uma vez vi um que até cuecas de fio dental usava), Músicas pelas cidades com altifalantes aos berros tipo: Electro domingos deseja-lhe umas boas férias e um própero ano novo e aquela musica absurda "I wish you a merry cristhmas anda happy new year" que passa umas 20 vezes ao dia...Ah! isto para não falar dos putos aos berros nas grandes superfícies comerciais no meio do chão a fazer birra que querem levar o spider man ou a barbie(aquela bonequinha estúpida, magricelas com saias curtinhas, pernas boas, cabelos lindíssimos e como se não bastasse ainda tem um tipo como namorado todo charmoso chamado Ken que conduz altos carrões)...
Isto para não se falar que não se pode ir nesta altura a um shoping, ou até mesmo na rua sem levar com uma "avalanche" de gente que de repente se lembra de sair toda a rua. questiono-me sempre: Raios, onde anda esta gente durante o ano inteiro...
Bem, não há paciência!

Sofia Carvalho disse...

Natal

Hoje é dia de era bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.



Deus nas Alturas.

Sofia Carvalho disse...

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.

Ah!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora

Sofia Carvalho disse...

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão
Desculpa mas n resisti, e esta porcaria não me deixou por o poema todo de uma vez;)

O ovo estrelado disse...

..eu gosto, mas pelos motivos reais, pelo momento em si, pelo significado que encerra e pelo simples facto de fazer anos no próprio dia, como é óbvio! também não gosto de todo esse enumerar de situações, que tornam o Natal tudo menos Natal. Excelente escola do poema, adorei!!!

ALFF disse...

Sofia lamento mas eu tenho que concordar com o Ovito. Magia é o que faz falta ao coração dos Homens e se soubermos viver essa magia que o Natal proporciona é muito giro. Quanto mais não seja pelo sorriso das crianças o Natal é lindo!