17/07/2012

cul-de-sac



“Para conhecer as coisas, há que dar-lhes a volta, dar-lhes a volta toda.”
 José Saramago

Estava a necessitar de um argumento para o meu momento carta do Guilherme à Selecção e eis que o camarada Saramago me abre outra perspectiva.

Gossip:
Também eu norteei a minha vida pela procura incessante do conhecimento, ainda que com resultados diametralmente opostos. Depois de digerir todas as notícias e não assuntos que esta semana escalpelizaram o caso não Relvas, cheguei à conclusão que o senhor de facto está inocente. O doutor [esse!] está ferido de morte e tem muito que explicar, ou melhor o outro colega do avental é que nos poderá elucidar um pouco mais sobre essa estória de “diabinhos negros”. 

Depois de tentar desatar o nó górdio de relações bizarras que manteve e mantém, chego à infeliz conclusão que temos aqui enredo para o mestre David Lynch [um novo Twin Peaks?] ou dependo das personagens para o John le Carré [uma sequela do Alfaiate do Panamá?]. É o que se chama uma personalidade multifacetada!

Não vou acrescentar muito mais à vontade expressa pelo camarada Jardim sobre as suas pretensões a novas equivalências académicas, pois o elogio fúnebre que acabou por fazer ao ministro em questão, foram uma espécie do beijo da mulher-aranha. Por outras palavras um excelente epitáfio político, após uma manobra de heimlich bem à sua medida.

Em sintonia com as declarações prestadas pelo Marques Mendes e o Professor Marcelo, quero prestar aqui a minha solidariedade com Fiel Jardineiro [está é só para quem viu o filme!].

Internal affairs:
Adoro as PPP, o nome claro não o conceito per si. Talvez se a negociação dos pagamentos certos e permanentes das PPP não tivessem sido adiada para a as calendas não andássemos com a calculadora a adivinhar qual a taxa sobre o 13º mês.
No sector da energia, também não deixa de ser caricato o próprio Secretário de Estado a recear que a tão afamada e badalada liberalização do mercado implique um aumenta os preços e não uma baixa considerável como é pregão e ideologia do Governo.

My name is Bond, Eurobond:
Quando me acerco da janela juntamente com as pupilas do Júlio Dinis para me banhar com o sol que nasce para todos, oiço o Governo Irlandês a clamar ao BCE e o EuroGrupo por uma nova negociação. Aqui ao lado, um pouco mais acima do buraco onde me encontro, o Sr. Rajoy envolto numa falsa neblina fala às massas numa prosa de enganos para o adiamento do compromisso do défice da monarquia. Na assistência os mineiros das Astúrias e todos os ludibriados assistem com palmas de revolta ao início do excelente negócio sem contrapartidas do empréstimo ao Reino de Castela (o rei numa tentativa de apagar as caçadas em África, acabou por auto infligir-se com uma redução de 7% da jorna). Lá na outra Europa, , o nosso ministro com o nome do “gato” do deputado Honório Novo, lança mais uma pausada prelecção insidiosa aos jornalistas:

“(…) fala-se de favorecer o processo de ajustamento. É a forma de palavras que é usada. Melhorar e favorecer parecem-me de facto os termos que podemos usar.”

Quem conseguir resolver mais este teorema lançado pelo nosso ministro, pode-se candidatar a uma vaga na próxima remodelação. Fazem-se apostas!

E que tal se os bancos baixassem os juros do empréstimo? Afinal de contas, no meu gráfico de EURIBOR, a taxa cobrada pelo BCE não é nem 6 nem muito menos 7%? Então para onde anda esse diferencial? Não me digam que todos os créditos da banca são insolventes e que os pobres dos senhores do capital coleccionam comendadores insolventes e ex-governantes corruptos como clientes? Não me digam que é para pagar os 9 000 M€ de juros da dívida pública?

Mirror, mirror on the wall:
Esta semana também li que o Sr. Gaspar enganou-se [ah! o Sr. Gaspar, nos meus tempos de menino bem comportado, fazia contas no papel pardo e cantava o somatório do trigo e do quadradinho de chocolate Avianense que fazia as delícias de qualquer garoto de aldeia!], ou melhor, anda a enganar-se a si próprio. Então não disse que podia poupar dinheiro através de uma negociação dos juros da dívida pública? Exactamente o contrário da doutrina defendida desde que começou a falar pausadamente. Faça favor de fazer a prova dos nove às declarações que tem proferido, tenha calma, não se precipite.
Mas afinal de contas, ou na falta delas, quid sabe ou quid controla a dívida pública? Ora vejamos o resumo dos últimos meses:
1.   

  1. 1   As PPP não são renegociadas ou os valores diminuídos por causa dos interesses financeiros e da escabrosa promiscuidade entre os governantes e os concessionários. Basta ter estado atento à reportagem que deu esta semana sobre alguns dos ex-ministros de anteriores governos [independentemente da cor das meias!]. Não me digam que estão a dar aulas e andam de autocarro. Nem vale a pena colocar aqui os nomes das empresas em que são administradores executivos, não executivos, com ou sem chauffeur.

  2. 2.    Digam-me lá três exemplos de países desenvolvidos onde os contractos de PPP sejam feitos pelos escritórios de advogados das próprias concessionárias? Vá, puxem pela imaginação!

  3. 3.  A título de exemplo devidamente sublimado, as parcerias das PPP vão ser renegociados pelos mesmos escritórios de advogados que transferiram o risco dos concessionários para o Estado. Coincidências!

Os contractos não podem ser renegociados?!O governo não prometeu cortar nas parcerias? Então façam-no! Talvez seja bastante mais fácil do que imaginam. Como é que se transfere o risco na totalidade para o sector público e garante-se com dolo, o filet mignon en croûte aux champignons para os privados. Se houve celeridade nos cortes na Função Pública e na promulgação do abusivo Código do Trabalho, estranha-se a morosidade quando se trata de incidir sobre o outro lado da moeda [isto já parece o discurso cassete do politburo da Soeiro Pereira Gomes].

Fiesta brava:
Por falar em Soeiro Pereira Gomes, o juiz presidente do TC deu uma rara entrevista intimista à Maria Flor Pedroso, e revelou uma faceta estilo “forças de bloqueio”, inaudita e assaz curiosa. Talvez o senhor dos Passos tenha alguma razão, pois estranha-se o facto de pela primeira vez desde há já algum tempo, alguém sair do palácio Ratton para uma faena política, isto sem o consentimento da autarquia de Viana, fiel depositária da virtude da tradição taurina.

Last famous words:
Apetecia-me dizer mais qualquer coisa…mas acho que para a sanidade mental de muito com especial ênfase para a minha inteligência como contribuinte, por agora chega. Assuntos e não assuntos não devem faltar agora que se iniciam as hostilidades da silly season!

01/07/2012

..algures entre a estrada da palha e o mar da palha!




…no fundo no fundo nada nos derrotou, nem mesmo os Man in Black da UEFA, ou a Troika turca do árbitro que nos apontou para fora do EURO. Por momentos ainda pensei que a saída da nossa selecção fosse o prenúncio inevitável da nossa licença sabática da moeda única (alemã). Felizmente a sra. Merkl inventou os chamados instrumentos financeiros os Cocos, uns meros 900 milhões de Euros que vão beatificar a desinteligência e aventureirismo dos bancos espanhóis e algumas contas mal explicadas que por essa Europa fora engendradas pelos diferentes governos, independentemente da orientação sexual de cada cor política. 

No fundo, e independentemente de estarem por baixo ou por cima, na posição de borboleta ou dominadora, todos os foram co-responsáveis pelo estado calamitoso a que as contas públicas chegaram. Claro está que, cair na tentação de imputar a total responsabilidade ao Governos é qualquer coisa blasé antes, a retórica demagógica apontará sempre para a culpabilização das massas populares, sempre crucificada com a receita liberal da austeridade cega. É triste quando a doutrina mutatis mutandis é aplicada com tamanha cegueira sob o apanágio da extrema necessidade e urgência nacional.

Esta coisa da urgência nacional tem alguma dissemelhança com aquelas invenções da época filosófica socialista- os PIN. Quando algum agrupamento de malfeitores pretendia construir este ou aquele empreendimento em zona protegida, ava cavadra e PIN. Em opção corrigia-se o traço da condicionante de modo a passar ao lado [este faz-me lembrar qualquer coisa!]. Era a época do lápis e da borracha, cujas feridas ainda hoje ensombram algumas dos mais belos quadros cénicos do nosso quadrado.

Esta semana ficamos a saber qual o preço do m2 da liberdade de imprensa, 45 euros por m2. [para quem não entender esta charada, é favor ler o acórdão da sentença de um reconhecido deputado da bancada da oposição!]

Continuando na onda bizantina, fiquei absolutamente convencido da postura salomónica por parte da ERC no Caso Relvas-Jornalista recém-despedida do Público. Fiquei eu e a vereadora Helena Roseta.

Sabem o que faz falta para animar a malta num dia destes? Não! não é o Vasco Gonçalves nem o amolador. É o homem dos gelados!

Existe um enigma matemático que intriga a minha inteligência e que me tem roubado horas de estudo, já para não referir do pó de giz que já gastei na tradução algébrica do teorema. Desde que tenho memória política, algo que germinou por geração espontânea nos arrabaldes finais da década de 70, oiço personalidades mais ou menos respeitáveis [nesses tempos esquecidos, vinham para a televisão de pullover e cigarro na mão!] a falar em reformas estruturais. Alguém me explica como é que um país com um historial tão enriquecedor e agressivo na prossecução de reformas estruturais trata de forma tão deprimente [e por vezes desprezível] os seus idosos e reformados?

…sem mais delongas, estou curioso para ver o que vai dar o hipotético refendo sobre a manutenção da Grã-Bretanha na União Europeia. Mais curioso ainda para saber o que pensa a chanceler alemã! A charada segue dentro de momentos…

Agora algumas semi-breves:

Na Grécia depois de empossado o novo Governo, o primeiro-ministro foi hospitalizado com um lenho no olho, o ministro das finanças meteu baixa eterna e resignou. Em Portugal o corajoso ministro da Economia enfrentou qual forcado os manifestantes e quem acabou mal foi o capot do belo Mercedes. Cá como lá, tudo se resolve com uns pensos e uns retoques na tinta.

ObamaCare. Este slogan significa: todos os americanos a partir de agora têm de adquirir um seguro de saúde. E mai nada. Olha se fosse por cá!

Alguém acredita que uma semana ou uns dias extra com os alunos que não se esforçaram o suficiente ao longo do ano [sobretudo aqueles que provaram não ter qualquer intenção de progredir ou aprender] resulta em algum progresso significativo para os mesmos!?

O Louçã ainda anda por cá, ou já ocupou o lugar na bancada parlamentar do Syriza?

O resto é palha!

20/05/2012

..o coiso



Esta tendência para deixar acumular ideias e estórias ao longo de várias semanas da mesma forma que os brinquedos e os jornais se acumulam aqui na sala tem sempre o óbice de metade das fantasias escritas para piano e orquestra se dissolver na pauta do esquecimento. Como pude deixar em claro aquele episódio cataclísmico das promoções do PD e toda a catarse que provocou nas mentes mais depauperadas deste singular país. E o que dizer das folhas nuas com todas aquelas palavras que se perderam no labirinto da minha mente sobre o desemprego, aqui nesta humilde Terra do Nunca. Ainda assim sobra sempre qualquer coisa orgástica, nem que seja ‘o coiso’ do ministro do desemprego. Acredito piamente [eu e o resto e todos os santos entediados e enganados!], que para o Álvaro, esta coisa do desemprego seja um verdadeiro desiderato, necessário, útil e promissoriamente indutor de uma economia mais arrogante e e competitiva, depois de destruir a classe média e a pouca coesão social que sobrou do desvario dos governos do nosso emigrante francês, já só falta reduzir a classe operária a meros operários temporários. Em clara oposição, e numa toada mais intimista, o ministro Gaspar vê ‘o coiso’ como um trauma difícil de suportar, uma dor tão insuportável que nem o mais optimista Calimero poderia aguentar. Finalmente, o supra-sumo da felicidade embrutecida, o nosso PM vê ‘o coiso’ como uma oportunidade, muito mais apetecível que a promoção dos 50% da carne do PD, um mar de rosas, o arco-íris da política neoliberal. O alfa e o ómega de um partido que se diz social-democrata. Tenho dúvidas, muitas e cada      vez mais fundamentadas que este não é [decididamente] o caminho.
                                                               &
Agora um off-topic. É Tua, minha, nossa e da UNESCO, pelos vistos. Pois assim anunciam os arautos, a UNESCO insurgiu-se com a falta de explicação dos rabiscos do mestre Souto Moura e ameaça com paragem imediata das obras! Eu sobre a temática barragens sou suspeito pois ninguém constrói barragens por capricho e tenho a certeza absoluta que qualquer barragem tem impactes significativos quer na paisagem, quer na fauna e flora, e por aí adiante. Destroem-se equilíbrios mas geram-se novas relações ecológicas. Um antes e um depois. Para além disso, não basta fazer contas sobre o que se vai poupar em termos de combustíveis fósseis. É igualmente sensato, e talvez mais interessante abordar a barragem do ponto de vista do controlo de caudais ou na reserva estratégica de água. Quanto à vertente turística nem vou entrar por aí pois, analisando a orografia do vale a submergir, os acessos existentes ou a paisagem que vai desaparecer [a tal!] não prevejo grandes potencialidades nessa óptica! Construa-se a barragem pois estamos enjoados com romances tipo Foz Côa. Por ventura existe alguma barragem que tenha sido construída e que não tenha tido impactes sensíveis sobre a paisagem ou sobre o meio ecológico?
                                                                                     &
Mudando de assunto para um bio-epic. O sr. Hollande fez lembrar um ex-primeiro ministro inglês Chamberlain que na antevéspera da II Guerra Mundial foi de peito aberto até Berlim e ao regressar trazia a famosa folha com assinatura do Führer com um plano de entendimento. Confesso a minha tristeza e perplexidade quando vejo ministros e parlamentares do Bundestag a alvitrarem e decidirem sobre os destinos do Gregos, Portugueses, Islandeses, Franceses, Italianos, Espanhóis, e por adiante para não ser tão exaustivo. Eu comungava do projecto de construção europeia sobre a perspectiva social-democrata de um Gerhard Schröder, de um Willy Brandt ou de um Helmut Schmidt. Aonde para o sonho europeu, o que são os hoje os pilares fundadores da construção europeia?
                                                       &
Para finalizar uma verdade laplaciana. Esta semana estive numa reunião de uma associação de pais de uma escola aqui do concelho de Oeiras e cheguei a um conjunto de conclusões desapontantes:
  1. O ensino e a política de educação para o Governo e para as autarquias é uma espécie de malus major e um fardo terrível;
  2. É muito mais importante arranjar um novo jardim em frente a uma escola, erguer uma estátua a preço milionário numa esquina do que reabilitar uma escola, Acresce a infelicidade de uma escola não ser tão bela e pujante como uma rotunda. Temos pena mas não há orçamento;
  3. Os políticos e alguns bajuladores gostam que os pais paguem do bolso os arranjos exteriores ou interiores da escola, pois os impostos que pagam serão mais bem empregues em outro tipo de obras com maior impacto como uma rotunda!

Nota da direcção: apesar do pedido de desculpas do Relvas, e da má exibição do Sporting, há que dar a devida vénia à briosa Académica que se bateu com dignidade na final do Jamor!

05/05/2012

I wish I can live...





I wish I can live this life in my solitude and isolation
spending my days in the mountains and the woods
between the pine trees, not having worldly cares that
can shift the self from listening to the soul
I’d await death and life, and I’d attentively listen to
the speech of forever and more
I’d sing with the robins in the woods and listen to
the lapping rivers in the valleys
I’d speak lovingly to the stars and the dawn,
the birds and the river and the calm sunlight
A life lived for beauty and art, away from my
people and my country, not weary with the cares of people,
for they live a life of the still lifeless objects
and to live with what lays within me whether
sorrow or novel joy, away from the city and its people away
from the jargon of their societies, for they only descend from lies,
naivety, and common nonsense
where is this life for which I long?
where I can hear the lands barmaid singing and lapping,
and the echoes of the heart and the song of the singer
and the sounds and rustling of tree branches in their shade
and the scent of flowers, this is the life I praise,
I call for its glory and call for its brilliance




Abu Al Qassim Al Shabbi


photo: Ines Belkahla

18/04/2012

...9


there are so many tictoc
clocks everywhere telling people
what toctic time it is for
tictic instance five toc minutes toc
past six tic

Spring is not regulated and does
not get out of order nor do
its hands a little jerking move
over numbers slowly

                                              we do not
wind it up it has no weights
springs wheels inside of
its slender self no indeed dear
nothing of the kind.

(So,when kiss Spring comes
we'll kiss each kiss other on kiss the kiss
lips because tic clocks toc don't make
a toctic difference
to kisskiss you and to
kiss me)

E.E. Cummings

photo by: Gomèz

...whos's behind


…é sempre bom saber quem vem por trás e sobretudo estar atento aos sinais da submissão. A coberto das festividades pascais, enquanto o Coelho devorara o ovo de chocolate, o órgão oficial do Governo lança um conjunto de ideias interessantes materializadas no Diário da República, das quais salienta-se a proibição aparente das ditas reformas antecipadas. De acordo com fontes governamentais, prontamente confirmadas com o aval do Ministro dos Assuntos Parlamentares, a tutela prepara-se agora, com o mesma ardilosa boa vontade prolongar por mais uns mesitos a idade de reforma. Tudo a bem do proclamado “envelhecimento activo” que consta do Programa doutrinário do Governo by appointment of the TROIKA.

É caso para perguntar: Que mais nuances de linguagem se escondem por detrás do Programa do Governo.

Ainda com a mesma lisura face á inépcia alarmante da plebe, surgiram rumores firmemente desmentidos com o agrément da tutela, para a eventualidade não descartável de a segurança social ser transformada numa espécie de tosta mista (público e privado com um banho de manteiga). É óbvio que no quadrante mais vermelho do nosso repositório político, os sinos já bradam horrores e clamores. Ainda não há reminiscências ou comentários por parte do sector financeiro, mas advinham-se grandes hossanas. Mais uma grande ideia a esclarecer nos próximos episódios.

E porque não é que se proíbem as grávidas de fumar? Se é para proibir o Sr. Zé que está fumar o seu Montecristo (passe a publicidade) enquanto conduz o menino à escola, então puna-se com o mesmo frenesim, os pais que deixam as crianças subir árvores, os pais que não vão às reuniões de encarregados de educação, ou os país que se esqueceram de comprar o pacote de leite mas não se esqueceram do euro milhões na sexta-feira. Se o objectivo é legislar sobre o puritanismo e a pureza dos comportamentos, então é melhor suspender o país e formar uma verdadeira comissão parlamentar pois há por aí muito comportamento desviante sem profilaxia.
Está decidido…é mesmo a partir de 2015. Só ainda não se sabe concretamente o quê nem como! Esta aparente minudência alicerçada numa coincidência simpática: é ano de eleições e cai sempre bem começar a dar um pouco de milho aos pombos, antes de os esterilizar!
Inquérito de opinião:
Se fosse o Ministro da Saúde o que faria com os terrenos da MAC:

  • a)      Hotel de Charme para turista ver por fora e tirar fotografias
  • b)      Mais um prédio devoluto na área
  • c)       Centro comercial com lojas para chineses e paquistaneses
  • d)      Escola degrada sem direito a obras da Parque Escolar
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Para a semana temos a posição borboleta.

06/04/2012

...primavera árabe


Começo com uma frase perturbante do Orwell…During times of universal deceit, telling the truth becomes a revolutionary act

E a verdade é esta…ainda que com alguns lapsos…

..e eis que de repente até o pobre Pessoa foi vilipendiado na sua dignidade estática durante aquela conturbada arruada primaveril. Conta-se que, apesar de ostentar uma máquina fotográfica e o respectivo copo de bagaço, os Srs. agentes continuaram a arrear como se de um simples incauto cidadão se tratasse. Urge frisar que,sempre de uma forma adequada e proporcional á grandeza da personagem. 
Com mais ou menos bastonadas, aparentemente a nossa primavera árabe esgotou-se nas ruelas da Baixa-Chiado, sem vítimas a lamentar, a não ser um pequeno grupo de jornalistas e meia dúzia de pombos que nessa altura por ali procuravam migalhas de tostas mistas. Aguardam-se novos desenvolvimentos.

Notícia de última hora. Foi identificado o agente causador de todos os males do mundo. Proceda-se à abertura de um inquérito rigoroso, para o cabal esclarecimento dos factos e proceda-se de imediato ao respectivo processo disciplinar.

Hoje ao acordar fui a correr ler o jornal diário de casa de banho na esperança [vã] de descobrir mais alguma OPA. Não deixa ser curioso que numa conjuntura económica em que o emprego virou mistério mariano, e os despedimentos aumentam na mesma proporção que o politburo alivia o cinto de castidade da lei laboral, que haja uma verdadeira reacção descontrolada em termos de fusões e compras de fim de semana na bolsa de Lisboa. Diria que este sim é um sinal do espírito santo directamente para os mercados, e não uma vaga de novos-ricos de Luanda a fazer compras na avenida da Liberdade. Haja fé.

Por falar em fé, e dada a santidade do dia que hoje se comemora, lá em baixo no torreão da igreja, o sino não dobrou perante a certidão de óbito do modelo social europeu, morto às mãos do banqueiro Mário Dragui. O mesmo encontra-se a monte, mas as autoridades policiais estão no seu encalce. Nós bem sabemos como as nossas autoridades policiais são excelentes a recapturar gandins! Ele que se cuide. Ele e mais alguns deputados arrivistas da bancada socialista.

Continuando na senda de crimes hediondos de natureza económica, o nosso Governo acabou mesmo por assassinar a última esperança de parte significativa do seu staff, ao adiar para 2015 o pagamento gradual [calmo e sereno] do 13º e 14º mês. Fazendo jus ao lapso do ministro Gaspar, o PM reforçou uma tónica sibilante no gradual, como fazendo crer que o lapso de tempo entre o imediato e o concretizável poderá espraiar-se ao logo do próximo decénio. Um pouco à semelhança daquelas obras temporárias que permanecem nos registos do património arqueológico como definitivas. Eu diria que este eufemismo de linguagem do PM, juntamente com a sua obstinada vontade de mudar tudo a qualquer preço [doa a quem doer] realça em primeiro lugar uma incontornável falta de sensibilidade pela situação actual de muitas famílias. Isso, e a manifesta incapacidade do ministro das finanças em entender o dito mistério do emprego em Portugal, agudizam a minha percepção que falta qualquer coisa de substantiva a este governo.

Tendo ainda presente o nosso camarada Gaspar, os meus sinceros agradecimentos por obrigar aquela jovem senhora da mercearia a adquirir uma caixa registadora com um software informático certificado estupidamente dispendioso. As poucas empresas de informática do ramo rejubilam perante o maná que dos céus lhes cai. Entretanto na prateleira das preocupações menores, mais uns quantos processos de milhões de impostos por cobrar prescreveram por inabilidade do mistério das finanças.

Ao contrário do que andavam por aí a clamar os arautos da desgraça, não é verdade que a MAC e mais umas quantas urgências hospitalares na área metropolitana de Lisboa e mais além vão fechar. Simplesmente está em discussão o reordenamento e redistribuição das equipas clínicas…pelas duas únicas urgências que ficarão activas. Valha-nos S. José Santa Maria. Porque do mistério da saúde, apenas viroses e alergias de época

Ponto final parágrafo. Com o fino propósito de cortar na despesa corrente e em face de ao almoço apenas ter sido possível despejar uma malga de vinho, e não uma garrafa de Bafarela 17 que guardo religiosamente para uma oportunidade menos santificada, venho nestes propósitos anunciar que voltarei, após o borrego ter passado pelo forno pascal. Nessa altura, com ou sem lapso, voltarei a anunciar mais incongruências desta vida ao sabor das letras que os meus dedos encontrarem.

“Não há dúvida que a memória é como o ventre da alma”
Santo Agostinho

…o povo não é tolo e os lapsos e enganos não se esquecem tão depressa.

Uma Boa Páscoa.

04/03/2012

sudoku



…não foram 98% mas foram uns democráticos 95,5% que de certo suplantaram a magra derrota do Ahmadinejad, mas que não se comparam com as apoteóticas vitórias albanesas.

É verdade! Choveu esta semana aqui na capital do império perdido. A dança da chuva da nossa ministra teve um efeito efémero mas resultou, pelo menos nos limites aqui da área metropolitana. Infelizmente, foram gotas num oceano de seca Extrema. Enquanto o tal Grupo estuda com rigor e faz um erecção exaustiva de todas as plantas e animais que nas últimas semanas tiveram sonhos molhados com garrafas de água das pedras, o país seca. Talvez fosse interessante, pagar as ajudas do ano passado que [estranhamente ou não!?] se encontram retidas, e parte do problema seria obviado, mas não totalmente resolvido. Mas enfim, são contas para outro rosário. Tal como a nossa jovem Cristas há que ter fé…no tal Grupo de Trabalho, já que São Pedro está mais virado para outros assuntos.

Esta semana o nosso Presidente insurgiu-se contra o desemprego jovem. Não vale a pena comentar muito mais, pois como tal era suposto, o Governo em peso demonstrou o mesmo pesar pela onda de mortalidade no Emprego jovem. Já noutro âmbito, relativamente aos cerca de 3000 idosos que faleceram esta semana devido [supostamente!] ao Frio intenso e à “falta de Agasalhos”, salvo opinião médica mais apropriada, no pasa nada
Nem vale a pena comentar. É o frio porra, e não se discute mais, para não chegarmos a conclusões mais vergonhosas! Todos sabemos que a população portuguesa é a mais idosa da Europa, mas não é necessário exagerar na tentativa de rejuvenescer à força da crise económica, ou de uma suposta mutação do vírus da Gripe!!

Uma pequena farpa do Eça para desvirtuar um pouco a longuidão deste texto matinal…antes do próximo tema:

"Clamamos por aí, em botequins e livros, 'que o país é uma choldra'. Mas que diabo! Porque é que não trabalhamos para o refundir, o refazer ao nosso gosto e pelo molde perfeito das nossas ideias?... Vossa excelência não conhece este país, minha senhora. É admirável! É uma pouca de cera inerte de primeira qualidade. A questão toda está em quem a trabalha. Até aqui a cera tem estado em mãos brutas, banais, toscas, reles, rotineiras... É necessário pô-la em mãos de artistas, nas nossas. Vamos fazer disto um bijou!"
Eça de Queirós, in Os Maias

Parece que esta semana o sr. Paul Krugman vei cá receber três [sim leu bem!] capelos encomendados por três reputadas universidades lusas a outras tantas empresas de lanifícios. Um verdadeiro hat-trick, uma barrigada de honoris causa multiplex! E o que é que o senhor nos veio ensinar na sua lição de sapiência nobel? Corte-se os ordenados 20 a 30% nos ordenados relativamente aos nossos amigos alemães, para aumentar produtividade da nossa mão-de-obra. Tétrico!
O estado deve investir na economia e deve ser colocado um freio à Austeridade. Excelente dedução, baixar salário definitivamente não é Austeridade!??
Talvez o senhor não saiba, mas olhe que que os nossos salários já são provavelmente 30% inferiores aos auferidos pelos nosso amigos da Baixa Saxónia. Provavelmente na viagem de avião que o trouxe de Princeton, um dos seus alunos não lhe tenham fornecido o dossiê “Portugal- um pequeno país na américa latina” completamente detalhado ou com o mínimo de rigor.
Mas o nosso PM Passos resolveu as contradições do senhor de uma forma airosa! Convido-o juntamente com o senhor Gaspar, para um almoço de jaquinzinhos com arroz de tomate e um bom vinho carrascão. Só o desígnio divino sabe o que foi dito e rebatido, e o que foi realmente comido! Afinal tinha-se enganado:

«Detesto dizê-lo, mas não faria as coisas de forma muito diferente daquilo que está a ser feito em Portugal». 
ipsis verbis
Nada com um almoço austero, para convencer o senhor nobel. Nada de caviar de beluga ou Vichyssoise a acompanhar um copo de Château Mouton-Rothschild 1982. Do outro lado da mesa, o inseguro secretário-geral do PS, enquanto degustava o prato de Nestum com mel [passe a publicidade!] e impaciente pelo facto de não ser tido nem achado na conversa a três balbuciou uma nova fórmula mágica: “Austeridade inteligente”. Ainda não tive tempo para desencriptar essa nova mézinha mas prometo que vou mobilizar o meu pessoal de Bletchley Park.

Para terminar, antes que o sr. Pickwick adormeça no seu coche, uma frase filosófica retirada do Journal of Medical Ethics e que incendiou a opinião pública um pouco por todo o lado. Talvez até mesmo na China ou na India!?

“If criteria such as the costs (social, psychological, economic) for the potential parents are good enough reasons for having an abortion even when the fetus is healthy, if the moral status of the newborn is the same as that of the infant and if neither has any moral value by virtue of being a potential person, then the same reasons which justify abortion should also justify the killing of the potential person when it is at the stage of a newborn.”
Eu acrescentaria, no further comments!

Digamos que a racionalidade subjacente a este exercício tem uma equivalência em termos de estupidez à acusação de Racismo feita ao nosso azeite Gallo no Brasil, mas numa magnitude mais acentuada!

19/02/2012

...questões de lana-caprina


Eu acho bem que o PR tenha passado com a comitiva de motoqueiros ao lado da António Arroio. Lembro-me que nos meus tempos memoráveis de estudante, a António Arroio já tinha aquela aura de vanguardismo e fervor revolucionário. Uma espécie de Marinha Grande versão escolar, para qualquer político "piegas". Mas compreende-se. Em face das contingências orçamentais certamente que não haveria dinheiro para comprar sandes de marmelada ou pacotes de leite achocolatado, para tanta segurança policial. Posso estar equivocado, mas o nosso PR aos poucos vai-se apercebendo que já não cai nas graças do povo, que simplesmente o ignora. E não é excepção, que o diga o nosso jovem Passos por terras da serra. Lá como cá, os pastores do descontentamento gritam os lamentos que o posso sente.
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Fiquei estarrecido com o facto do presidente alemão Christian Wulff (uma espécie de rainha de Inglaterra do Bundestag) ter sido apanhado nas malhas da corrupção e do compadrio político. Relembremos as palavras deste senhor, depois de confrontado com o "acordo de fazer inveja", que o nosso PR levava na sua valise diplomática, a propósito da conversa de bastidores do nosso querido Gaspar:

“(…)uma vez alcançadas as condições atempadamente podemos sempre ter isso em consideração, mas começar numa fase muito inicial a ser flexível relativamente às condições estabelecidas, penso que se corre o risco de diminuir a confiança e o sentimento de confiança nos mercados".
Falou bem, mas não passa de um palhaço triste que foi apanhado como muitos outros, no pecado imoral da corrupção. Temos pena, mas não aceitamos lições de moral.
                                                       
j

Ainda recebi os 120 euros do Programa do Governo e tal como o Zé Pacheco Pereira prefiro ler livros proibidos, (de preferência em português, e não aquela língua estranha que até o Jornal de Angola já diaboliza) que mesmo fantasiando, contêm uma história interessante. Gosto de happy-ends. Este nosso fim não se vislumbra feliz.

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Parece que esta semana a nossa taxa de (des)emprego atingiu um máximo histórico. Parece também que, doa a quem doer, ainda vai aumentar mais custe o que custar. O malfadado memorando da catastroika refere o aumento do (des)emprego e há que seguir à risca as orientações e se possível ir mais além ou mais fundo. Quando era oposição o actual PSD ou coisa parecida se insurgia face aos números do desemprego. Olhando para os números creio que a máscara caiu definitivamente. O jovem Passos diz que o desemprego deve começar a estagnar. Resta saber se o seu chefe Relvas e a sua Comichão de boas-vontades terão a mesma opinião. Creio que que devia ser criado um Ministério das Comissões e uma Secretaria das Grandes Comissões. Sarna, pura sarna. O ex-Sócrates esperava criar numa legislatura 150000 empregos, este governo prepara-se para ultrapassar a barreira dos soundbytes e criar a maior onda de emigração desde os idos anos 60/70. Curiosamente, desta feita são os quadros médios/superiores que abalam.

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Quando chegarem esta semana os senhores da catastroika vão provavelmente ficar desgostosos por ver que ainda sobra alguma alegria e tolerância de ponto em Portugal. Gentinha estranha esta que nos visita sempre em dias feriado. Com o país à beira do abismo do desalento, talvez só mesmo no corso carnavalesco se vislumbre um rasgo de alegria. Nem as serpentinas nos safam face à crise.

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Ainda estou à espera que alguém iluminado tenha a coragem de olhar para o momento e por uma vez falar no tempo. Não no meteorológico, mas antes o tempo necessário para reconstruir o que foi desbaratado. "Roma e Pavia não se fizeram num dia" diz a sabedoria do povo, mas aqui em Portugal alguns alumiados insistem no impossível e no indefensável. Mas antes, sentemos-nos confortavelmente no sofá a assistir ao fim penoso da sociedade helénica. Os senhores do Clube Bilderberg e os lacaios da Goldman Sachs ainda não tiveram tempo de leiloar todas as ilhas do mar Egeu, mas pouco deve faltar. Primeiro a Acrópole, depois os rupestres lusitanos, mais uma vez sós e entregues à sua jangada de pedra. É bom relembrar que não somos caso único. Toda a Europa está à deriva, uns mais do que outros certamente, pois nem todos se podem gabar de ter um sol, uma seca e muito mar tão extenso de lágrimas.

São estas doces questões de lana-caprina que os nossos governantes ignoram. A cegueira com o memorandum será o epitáfio de uma geração, e nem lá na serra, o balido das cabras terá a mesma pronúncia.

11/02/2012

...e cai a máscara!


Estou insubmisso e intolerante com tudo o que se tem passado um pouco por este cantinho à beira mar (não confundir com o império do Jardim!) e um pouco por toda a Europa até ao Urais. Não sei se é do frio ou da neve, mas a intelligentsia parece definitivamente congelada.
E a culpa é do Nuno Crato (o ministro! não o professor, que esse era uma pessoa definitivamente diferente). Extirpado do contexto da intervenção, o menino da lágrima caiu em plena avenida da república política portuguesa, mesmo em cima de um pai de família sportinguista no final de mais uma humilhante derrota. Ele, e todos aqueles portugueses que diariamente após o jornal da TVI batem violentamente à mulher, aos filhos ao cão e ao gato (estou a utilizar o verbo bater como metáfora! atenção muita atenção!), e queixam-se por tudo e nada e o resto que ainda sobra para o vizinho de cima, não mereciam.
OK! somos um país de piegas, de frustrados, de preguiçosos, eu sei lá. Faltam-me os adjectivos (e a mim e ao Vilas Boas lá no Chelsea!). Ainda tentei perscrutar no Portal do Governo, ou no site do ministério da agonia económica. Nem mesmo o homem que sabe tudo  - o Relvas -  me soube elucidar o alcance das insidiosas palavras do nosso PM. Penso até que o nosso jovem Passos arrisca-se a entrar no Guiness dos momentos de dúbia clarividência, tamanhos são os actos falhados que colecciona. Juntamente com as intervenções esclarecedoras do nosso PR, são quase tão cativantes como o jovem do anúncio do contrato da EDP/Continente e certamente fariam uma dupla terrível na venda de bolas de Berlim numa qualquer praia do nosso Allgarve. Cada povo tem a Troika que merece, nós temos esta!

Eu também agradeço muito ao sr. Wolfgang Schäuble, a flexibilidade com que nos elogiou! Aliás, eu e toda aquela malta de esquerda que estava á pedaço na Praça do Comércio. Obviamente que esta última frase faz de mim um seguidor fervoroso do Arménio Carlos, mas antes isso que ter um programa na RDP chamado Este Tempo ou ser CEO de um qualquer banco português, que (agora é que vou aos parênteses!), esta semana deram largas à imaginação para explicarem de forma séria e compenetrada, um chorrilho de justificações cabalisticamente plausíveis para o descalabro dos resultados.


O sr. Martin Schulz é que tem razão: “o destino de Portugal é o declínio!” [este é o momento em que entra o nosso PM e diz que também ele é piegas!]


Para terminar esta semana de conforto, a Conferência Episcopal lançou esta semana mais um sorteio concorrente ao daquele pobre infeliz açoriano que está a vender rifas para tramar a dívida ao banco, ao sortear o fim da Quinta-feira Santa e a véspera de Natal. Sagradamente triste. Como se não bastasse o negócio dos feriados com o Estado laico, agora mais esta tentativa de mercantilizar os feriados religiosos como se tratassem de artigos da feira da ladra!


Por falar em tristezas, não fosse o caso da jovem actriz apanhada com haxixe no estomago na colónia de férias de Algeciras, eu diria que a bagagem do nosso PR na sua viagem à Finlândia devia dar azo a uma melhor averiguação por parte das autoridades aduaneiras da república Nokia ao conteúdo da mala da primeira dama. Mais, acho que por uma questão de transparência deviam retirar o tal Acordo de Concertação Social que motiva tanta inveja e substituí-lo quiçá pela “Queda de um Anjo” do Camilo Castelo Branco ou quem sabe as “As Farpas” do Eça Queirós e do Ramalho Ortigão. Isso sim seria de meter inveja aos nossos grandes amigos finlandeses.


Abusando das palavras do nosso ministro da Guerra: Se está mal, mude-se! Ainda vão dar razão ao camarada Otelo!


Este Carnaval tenciono mascarar-me de trabalhador contra d’outrem. É uma variação satírica daquilo que sou ao longo dos restantes 364 dias e além disso, permite-me cumprir na íntegra as necessidades imprescindíveis de produzir com um grande sorriso na cara. A máscara esconde, mas não consegue iludir.


Lat but not least: senhores deputados do PS a vossa Proposta 118 é da família da mesma tia que do Santana Lopes se lembrou!!

22/01/2012

...doce tentação

“Senhores da troika, estamos a fazer isto por nós, não por vós”. Até podia ser uma frase bíblica, de um qualquer epístola, mas quem a proferiu nem é apóstolo nem evangelista. Talvez uma versão simpática de Pôncio Pilatos adaptado às difíceis circunstâncias que se vivem neste momento de imolação nacional em que Os sacrifícios têm que ser repartidos por todos. Não há ninguém que fique de fora. De fora, mesmo de fora só ou outros. E por falar em sacrifício, senti um aperto no coração ao ouvir que o nosso magistrado primeiro da nação, o provedor do povo, como se intitula, tem passado algo como as passas do Allgarve [fui agora interrompido por um comunicado ministerial a informar que o All foi definitivamente abandonado por um árabe Al-garve], aonde é que eu ia?...ah! Pois, parece que o nosso querido líder já tem problemas para pagar o fiado da mercearia e o calote que já tem nos Pastéis de Belém. Aliás, soube de fonte insegura de uma amiga de uma secretária de um assessor do Álvaro (sem ministro e com duas pedrinhas de gelo!) que o Conselho de Ministros já debateu este problema ao mais alto nível, dado tratar-se um activo estratégico para o desenvolvimento económico do nosso país. Depois da vaga de fundo, do tsunami de contactos para a página de Facebook da Presidência da Respública, há indicações seguras que já foi activada uma conta solidariedade no BPN. Também soube de fonte insegura, que o Banco Alimentar já foi alertado para uma nova iniciativa nesse sentido. Mas a semana não podia terminar sem uma viagem apostólica, à sede da Concentração Social. Depois de vários encontros e desencontros finalmente, a UGT agradeceu o facto do Dr. Carvalho da Silva ter levado o chapéu-de-chuva para proteger das pingas impuras, o espírito imaculado e temerário do secretário-geral da UGT, que apesar de ter vendido a alma à bruxa má, vem agora desdramatizar o pecado original com a desculpa que terão sido altas patentes do politburo da CGTP que o convenceram a aceitar a maçã. Doce tentação, esta, de sucumbir aos desejos mais íntimos do patronato e transformar o comum trabalhador num cabresto, numa manada tristes ao sabor dos caprichos matinais do empregador. De entre as virtudes desde acordo de concentração laboral (a concertação é uma metáfora desajustada), deste verdadeiro coup d'état dos direitos conquistados ao longo da nossa jornada desde um Abril passado, resta apenas um punhado de nada para o trabalhador. O futuro dirá a sorte de uns e a desgraça de muito outros. E agora a informação desportiva: Primeiro Governo de Sócrates 14,58 nomeações dia- Governo Actual de Passos 5,22 nomeações/dia E ainda nos queixávamos do desemprego na época do nosso querido filósofo!! Ámen PS: Canavilhas & camaradas de bancada (todos excepto aqueles que deram entrada com uma fiscalização sucessiva do OE2012), essa de tributar a pen drive, o media center, discos externos eu sei lá mais o quê, da mesma forma que o Salazar tributou o isqueiro e o acendedor não lembra nem ao careca nem aos fósforo. O fósforo mesmo sendo amorfo ainda resistiu às novas tecnologias da altura. Preocupem-se com outras coisas!! Última hora: a S&p não baixou o rating da Respública esta semana Photo by: Il Marchese de Sade

09/01/2012

...questões de avental e ervanária!

Esta coisa da Maçonaria sempre me deliciou pois reconstruiu no meu imaginário homens de avental [sem experiência ou vocação para a cozinha], em círculos e rituais sinistros [um tanto ou quanto diferentes daqueles que têm lugar aqui bem perto no Monte da Lua em Sintra!] um pouco à medida daqueles rituais profanos do Opus Dei, com flagelações e rito iniciáticos [um bocado mais complexos que o curso de iniciação da Vaqueiro]. Aliás entre a Maçonaria e a Opus Dei a diferença deve ser a mesma da cruz e do compasso. Ambas são matematicamente úteis. Também acho piada aos nomes que colocam às lojas: a Loja do Sino, a Loja Mozart, A Grande Loja Regular de Portugal, Grande Oriente Lusitano, outras tantas. Pessoalmente gosto da FNAC e da Bulhosa, uma pouco mais desta última pois aparenta ser mais tradicional. Claro que nada bata os alfarrabistas da Baixa. Pensando bem, se pertencer a uma loja é ser maçon, então provavelmente sempre fui, pois existe uma loja à qual pertenço sentimentalmente desde que nasci. Fantástico sou maçon!E agora!? Realmente adorei aquela edição livro de bolso do Código Da Vinci, mesmo antes de alguém ter traduzido aquilo para português corrente. Mais ancestral é o meu interesse visceral por tudo que esteja ligado ás do Graal. Gueral também me deixou boas recordações, é verdade. Agora entendo porque é que me apaixonei pela escrita do Follet ao ler os Pilares da Terra. Afinal de contas os primeiros Maçons inspiraram-se nas tais guildas de pedreiros da Idade Média. Curioso [tudo bate certo, menos os números que me calham no euromilhões!] quando era júnior, uma das coisas que mais me fascinava era ver o meu avô a trabalhar como pedreiro e carpinteiro, sobretudo a mestria que exalava em cada gesto do bailado de instrumentos, medidas, cálculos, réguas, esquadros. Aquilo para mim era um fio-de-prumo da mais pura razão. Triângulos?! Adoro. É a figura geométrica que mais cativa a atenção. A mim e ao Pitágoras. E o que dizer de pirâmides [esta tive que introduzir pois a seguir vinha o ménage à trois!]. Como diria o Eduardo Catroga esta conversa de aventais numa altura destas em que se discute mais ou menos meia hora de trabalho e a modernização da legislação laboral [flexibilização dos despedimentos!] é conversa de pintelhos para distrair os pobres de espírito. Na mesma onda, a recente polémica pela venda da sociedade Francisco Manuel dos Santos à sua congénere Francisco Manuel Van dos Santos foi um verdadeiro coup d'état que desbaratou todo o castelo de patriotismo que o líder taliban do Pingo Doce [odiado pela classe política, temido pela Popota e esconjurado pela Leopoldina] foi alimentado ao longo de anos sucessivos. Ok! Criou mil postos de trabalho só em 2011 e investiu 100 milhões…mas o que é isso comparado com os feitos do líder do arquipélago da república das bananas, ou os milhões do investimento no Aeroporto Intercontinental de Beja? Peanuts! Agora para mal dos seus pecados é o bombo de uma festa para onde não queria ser convidado. Mas achei piada que de todos os quadrantes choveram facadas e cartas armadilhadas a jurar recusas eternas de compras no Pingo Doce, Biedronkas ou outras loja da subespécie Pingo Doce. Nem o Jaimão se lembraria de tamanha patranha á pátria. Foi como subitamente emergisse no grupo Jerónimo Martins um Kim Jong-un “génio dos assuntos económicos” e descobrisse que para além das coffe-shops e das promoções da Red District, a Holanda é muito mais do que túlipas. Tarde demais meu amigo! As donzelas já estão mais do que batidas! Termina hoje os primeiros 1/52 avos do ano, e como ainda faltam algumas semanas para o fim do mundo que deve ocorrer lá para meados de Dezembro, aproveitei para dar um saltinho à primavera árabe dos saldos. Há dois tipos de lojas por onde escolher, aliás minto, três tipos: as que estão ainda a funcionar em pleno com saldos de 30% a até 70% (geralmente meias, cintos, botões de punho ou gravatas mal inventadas de colecções falhadas!), as que estão em saldos por motivo de encerramento ou liquidação total e aquelas que têm um papel com ordem de despejo do tribunal ou a última conta da EDP para pagar em cima do tapete da entrada junto dos detectores de delapidadores do alheio. Os chineses das três gargantas (fundas!) que se cuidem pois com o aumento do IVA e a prenda de reis antecipada do aumento da tarifa, este ano vão ter de comprar mais tonner e papel porque não vão faltar lojistas com tendência omitir das suas preocupações a última factura da electricidade. Não sei se essa preocupação motivou a última ofensiva da SONAE ao aliar-se aos irmãos orientais na nova promoção absolutamente fantástica. Para além de nos iludirem com os 50%+25% de descontos, agora ambicionam tornar-se fornecedores de electricidade via EDP. Ora aí está um potencial case-study nos próximos tempos, isso e a influência da educação jesuíta no nosso Portas na escolha da praia que frequenta! Enfim. O ano promete e enquanto não compromete vou continuar a apreciar este Foreign Affairs do Tom Waits que me acompanha desde que comecei esta paródia manuscrita. Para os demais, sem talões nem descontos em cartão, venha ela então…